• sorria!

    sorria!

    “Um dia sem rir é um dia vivido em vão”. (Charles Chaplin)

  • voe!

    voe!

    “Poesia é voar fora da asa”. (Manoel de Barros)

  • corra!

    corra!

    “É preciso correr muito para ficar no mesmo lugar. Se você quer chegar a outro lugar, corra duas vezes mais”. (Lewis Carrol)

  • brinque!

    brinque!

    “Um livro é um brinquedo feito com letras. Ler é brincar”. (Rubem Alves)

  • sinta!

    sinta!

    “Sentir é criar. Sentir é pensar sem ideias, e por isso sentir é compreender, visto que o universo não tem ideias”. (Fernando Pessoa)

  • ame!

    ame!

    “Cada qual sabe amar a seu modo; o modo pouco importa; o essencial é que saiba amar”. (Machado de Assis)

Verso da Prosa #005: "Clara dos Anjos", de Lima Barreto



Para ouvir ou baixar o Episódio nº 5 do "Verso da Prosa", clique aqui!

Edição
13ª edição. Editora Ática.
Apresentadores
Leobaldo Prado.
Estéfani Martins.
Debatedores
Bruno Curcino, professor de Literatura.
José Ricardo, professor de Literatura.
Luciene Teixeira, professora de Literatura e Redação.
Músicas
1 – Elza Soares – “Do Cóccix até o pescoço” – 2002 – “A carne”.
2 – Clementina de Jesus – “Clementina e convidados” – 1979 – “Na linha do mar”.
3 – Altamiro Carrilho, Maurício Carrilho, Luciana Rabello, Luiz Otávio Braga e Jorginho do Pandeiro – “Princípios do choro 2” – 2002 – “Se querem eu choro”.
4 – Teresa Cristina – “A música de Paulinho da Viola” – 2002 – “Choro negro”.
5 – Déo Rian – “Noites cariocas” – 1976 – “Noites Cariocas”.
6 – Orlandivo – “Orlandivo com João Donato” – 1977 – “Tudo joia”.
7 – Moacir Santos – “Coisas” – 1965 – “Coisa Nº 1”.
8 – Antônio Carlos e Jocafi – “Minhas razões/Conclusão” – 1972 – “Minhas razões”.
9 – Tony Bizarro – “Nesse inverno” – 1977 – “Não pode”.
10 – Jorge Ben e Toquinho – “Que maravilha/Carolina Carol Bela” – 1975 – “Carolina Bela”.
11 – Tom Zé – “Estudando o samba” – 1976 – “Tô”.
12 – Gerson King Combo – “Gerson King Combo” – 1977 – “Uma chance”.
13 – Jorge Ben – “África Brasil” – 1976 – “Ponta de lança africano” (Umbabarauma).
14 – Moacir Santos – “Coisas” – 1965 – “Coisa Nº 4”.
15 – Gilberto Gil e Jorge Ben – “Ogum Xango” – 1975 – “Nega”.
16 – Chico Buarque – “Chico Buarque de Holanda nº 4” – 1970 – “Gente Humilde”.
17 – Maurício Carrilho, Luciana Rabello, Celsinho Silva, João Lyra, Toninho Carrasqueira, Proveta – “Princípios do choro 1” – 2002 – “Penso em ti”.
18 – Elza Soares e Miltinho – “Elza Miltinho e Samba” – 1967 – “Com que roupa”.
19 – Lupicínio Rodrigues – “Minha história Vol.2” – 1945 – “Que baixo”.
20 – Cartola – “Cartola II” – 1976 – “O mundo é um moinho”.
21 – Toquinho e Vinicius – “São demais os perigos dessa vida” – 1972 – “Regra três”.
22 – Nina Simone – “I put spell on you” – 1965 – “Feelin’ good”.
23 – Jorge Bem – “Ben” – 1972 – “Que nega é essa”.
24 – Racionais MCs – “1000 trutas e 1000 tretas” – 2006 – “Negro drama”.
Referências teóricas
1 – “Formação da literatura brasileira” – Volume único – 1975 – Antônio Cândido.
2 – “Quadro sintético da literatura brasileira” – 1932 – Tristão de Ataíde (Alceu Amoroso Lima).
3 – “Primo Basílio” – 1878 – Eça de Queirós.
4 – “O cortiço” – 1890 – Aluísio de Azevedo.
5 – “O homem” – 1887 – Aluísio de Azevedo.
6 – “Canção do exílio” – 1843 – Gonçalves Dias.
7 – “Histórias e sonhos” – 1920 – Lima Barreto.
8 – “Os bruzundangas” – 1922 – Lima Barreto.
Indicações
1 – “Black Boy” – 2009 – Richard Wright.
2 – “Hotel Ruanda” – 2004 – Terry George.
3 – “Mulheres – Retratos de Respeito, Amor-Próprio, Direitos e Dignidade” – 2015 – Carol Rossetti.
4 – “Pobre, mulata e mulher: a estigmatização de Clara dos Anjos” – Marcos Hidemi de Lima.
5 – “Branqueamento, pobreza e higienização no Brasil” – Rodrigo Gomes.
6 – “Ave maria do morro” – 1942 – Herivelto Martins.
7 – “Chão de estrelas” – 1937 – Orestes Barbosa e Sílvio Caldas.
8 – “Gente Humilde” – 1971 – Garoto, Vinicius de Moraes e Chico Buarque.
9 – “O mundo é um moinho” – 1974 – Cartola.
10 – “What happened, Miss Simone?” – 2015 – Liz Garbus.
11 – “O presidente negro ou encontro das raças” – 1926 – Monteiro Lobato.
12 – “Quarto de despejo” – 1960 – Carolina Maria de Jesus.
Quadro – Pergunte à Literatura.
Excepcionalmente, neste episódio, a Literatura foi madrasta e não respondeu as perguntas de nossos ouvintes ou nós, como leitores, precisamos estar mais com ela.
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Verso da Prosa #004: "Vermelho amargo", de Bartolomeu Campos de Queirós



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Edição
Editora Cosac Naify. Primeira edição.
Apresentadores
Leobaldo Prado.
Estéfani Martins.
Debatedores
Carla Damas, professora de Literatura e Redação.
Luciene Teixeira, professor de Literatura e Redação.
Músicas
1 – Michel Legrand – Trilha sonora do filme “Summer of ’42” (“Houve uma vez um verão”) – 2001 – Tema principal.
2- Baden Powell – “Pixinguinha 100 anos” – 1997 – “Naquele Tempo”.
3- Milton Nascimento – “Clube da esquina” – 1972 – “Cais”.
4 – Paco de Lucia – “Concerto de Aranjuez” (Joaquin Rodrigo) – 1991 – “Adagio”.
5 – Enrique Morente – Morente+Flamenco – 2010 – “Nana de la cebolla”
6 – Compay Segundo e Omara Portuondo – “Buena Vista Social Club” – 1997 – “Veinte anos”.
7 – Rubén González – “Chanchullo” – 2000 – “Quizás, quizás, quizás”.
8 – Gal Costa – “Gal e todo vapor” – 1971 – “Como 2 e 2”.
9 – Ney Matogrosso e Raphael Rabello – “À flor da pele” – 1990 – “As rosas não falam”.
10 – Milton Nascimento – “Clube da esquina” – 1972 – “Tudo o que você podia ser”.
11- Raphael Rabello – “Todos os tons” – 1992 – “Retrato em Branco e Preto”.
12 – Astor Piazzolla – “Obvilion” – 1999 – “Oblivion”.
13 – Gal Costa – “Gal e todo vapor” – 1971 – – “Vapor Barato”.
14 – The Beatles – “The Bealtes” (“White album”) – 1968 – “Mother nature’s son”.
15 – Tim Buckley – “The dream belongs to me” – 2004 – “Sing a song for you”.
16 – Sam Cooke – “Ain’t that good news” – 1964 – “A change is gonna come”.
Referências teóricas
1 – “O abraço” – Lygia Bojunga.
2 – “A farmácia de plantão” – Jacques Derrida.
3 – Entrevista com Bartolomeu Campos de Queirós – porta Uai Minas.
4 – Programa Vereda Literária – Entrevista com Bartolomeu Campos de Queirós.
5 – “Menino do mato” – Manoel de Barros.
6 – “O estrangeiro” – Albert Camus.
Indicações
1 – “Pastoral americana” – Philip Roth.
2 – “Por parte de pai” – Bartolomeu Campos de Queirós.
3 – “Apanhador no campo de centeio” – J. D. Salinger.
4 – “Menino de engenho” – José Lins do Rego.
Quadro – Pergunte à Literatura.
Já não tão excepcionalmente, neste episódio, a Literatura foi madrasta mais uma vez e não respondeu as perguntas de nossos ouvintes ou nós, como leitores, precisamos estar mais amiúde com ela. Enfim, um dia, o quadro volta.

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Verso da Prosa #003: "Menino do mato", de Manoel de Barros


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Edição
Editora Leya.
Apresentadores
Leobaldo Prado.
Estéfani Martins.
Debatedores
Bruno Curcino, professor de Literatura.
Cirlei Garcia, professora de Literatura.
Músicas
1 – Uakti – I Ching – Céu.
2 – Uakti – I Ching – Fogo.
3 – Hamilton de Holanda – Beatles in choro – Here comes the sun.
4 – Paulo Sérgio Santos – Beatles in choro – The fool on the Hill.
5 – Led Zeppelin – Led Zeppelin IV – Going to California.
6 – Henrique Cazes e Marcello Gonçalves – Beatles in choro – Blackbird.
7 – Van Morrison – Astral weeks – Astral weeks.
Referências teóricas
1 – Macunaíma – Mario de Andrade.
2 – O apanhador de desperdícios – Manoel de Barros.
3 – A metamorfose – Franz Kafka.
4 – Só 10 por cento é mentira – Pedro Cézar.
5 – O meu olhar é nítido como um girassol – Guardador de rebanhos II – Alberto Caeiro (Fernando Pessoa).
6 – Deste modo ou daquele modo – Guardador de rebanhos XLVI – Alberto Caeiro (Fernando Pessoa).
7 – Memórias inventadas – Manoel de Barros.
8 – 3 de maio – Oswald de Andrade.
9 – O arco e a lira – Octavio Paz.
Indicações
1 – O Totem do Lobo – Jiang Rong.
3 – Música caipira – as 270 maiores modas.
4 – O menino no espelho – Fernando Sabino.
Quadro – Pergunte à Literatura.
Excepcionalmente, neste episódio, a Literatura foi madrasta e não respondeu as perguntas de nossos ouvintes ou nós, como leitores, precisamos estar mais com ela.

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Verso da Prosa #002: "O abraço", de Lygia Bojunga




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Edição
Apresentadores
Leobaldo Prado.
Estéfani Martins.
Debatedores
Luciene Teixeira, professora de Redação.
Cirlei Garcia, professora de Literatura.
Presenças
Flávia Motta de Paula.
Jonathan Meireles.
Músicas
1 – Bon Iver – Bom Iver – Michicant
2 – The decemberists – The king is dead – Rox in the box
3 – Yo la tengo – Stuff like that there – Friday I’m in love
4 – Van Morrison – Blowin’ your mind! – Brown eyed girl
5 – The Smiths – The queen is dead – There is a light that never goes out
6 – The war on drugs – Lost in the dream – Eyes to the mind
7 – Simon & Garfunkel – Bridge over troubled water – The only living boy in New York
8 – Bill Fay – Life is people – There is a valley
9 – Caetano Veloso – Transa – You don’t know me
10 – Sufjan Stevens – Carrie & Lowell – Should have known better
11 – Marcelo Camelo – Toque dela – Ô ô
Referências teóricas
1 – Vermelho amargo – Bartolomeu Campos de Queirós.
2 – Alice no país das maravilhas – Lewis Carol (Charles Lutwidge Dodgson).
3 – A violência sexual e as questões de gênero no Brasil.
4 – A imagem do palhaço – James Ensor.
Ensor, James (1860-1949) pintor e gravador belga – 1890 – Intriga.
5 – Incidente em Antares – Érico Veríssimo.
6 – A volta do parafuso – Henry James.
7 – O abutre – Franz Kafka.
8 – Depus a máscara – Fernando Pessoa (Álvaro de Campos).
9 – Tabacaria – Fernando Pessoa (Álvaro de Campos).
Indicações
1 – Liberdade – Jonathan Franzen
2 – O elixir do diabo – Ernst Hoffmann
3 – O homem de areia – Ernst Hoffmann
3 – Casa da madrinha – Lygia Bojunga
4 – Síndrome de Estocolmo
5 – Repulsa ao sexo – Roman Polanski
6 – Willian Wilson – Edgar Allan Poe
Quadro – Pergunte à Literatura.
Paula Berbert – Onde está o amor nesses tempos de cólera??
Verso da Prosa – “Tudo tem o dedo do Imponderável. O impossível se transforma em possível, e o possível se torna um fracasso.
O que nos resta é perceber que a vida é muito curta para ter razão, mas vale é ter amor e perder a razão. Aquele que ama improvisa.” (Fabrício Carpinejar)

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Verso da Prosa #001: "A metamorfose", de Franz Kafka


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Edição
Apresentadores
Leobaldo Prado.
Estéfani Martins.
Debatedores
Bruno Curcino, professor de Literatura.
Cirlei Garcia, professora de Literatura.
Presenças
Luciana Biffi
Laura Berbert
Paula Berbert
Músicas
1 – Alan Lomax – Negro Prison Blues & Songs – Black Woman
2 – Charlie Patton – Pony Blues – Tom Rushen blues
3 – Fats Domino – This is Fats – My happiness
4 – James Cotton & Charlie Haden Quartet West – Deep in the blues – Worried life blues
5 – Robert Johnson – The complete recordings – Crossroads blues.
6 – The Butterfield Blues Band – East-West – Work song.
7 – Rage against the machine – Rage against the machine – Wake up
Referências teóricas
1 – A morte de Ivan Ilitch – Leon Tolstói.
2 – Introdução à literatura fantástica – Tzvetan Todorov.
3 – As crônicas de Spiderwick (série de livros) – Holly Black e Tony DiTerlizzi.
4 – Senhor dos anéis (série de livros) – J. R. R. Tolkien.
5 – A volta do parafuso – Henry James.
7 – Kafka e seus precursores – Jorge Luis Borges.
8 – O parasita da família: sobre a metamorfose de Kafka – Modesto Carone.
9 – A madrugada – Clarice Lispector.
10 – O processo – Franz Kafka.
11 – O mundo perigoso que tenho na cabeça – Louis Begley.
12 – Carta ao pai – Franz Kafka.
Indicações
1 – A metamorfose – adaptação de Peter Kuper (HQ).
2 – Filmes no Youtube.
3 – Audiolivro – A metamorfose – Franz Kafka
4 – Programa TVCult – dossiê Franz Kafka.
5 – O espelho – João Guimarães Rosa.
– Exposição Casa das Rosas – 100 anos da publicação de A metamorfose.
6 – Ensaio sobre a cegueira – José Saramago.
7 – Paixão segundo GH – Clarice Lispector.
8 – O cã e seu filho – Mar de histórias Vol.6 – Máximo Gorki.
Quadro – Pergunte à Literatura.
Lucas Rezende – A reflexão, seguida da pergunta que Clarice Lispector nos deixou, afinal, o que é felicidade?
Verso da Prosa – “A felicidade real sempre parece bastante sórdida em comparação com as supercompensações do sofrimento. E, por certo, a estabilidade não é, nem de longe, tão espetacular como a instabilidade. E o fato de se estar satisfeito nada tem da fascinação de uma boa luta contra a desgraça, nada do pitoresco de um combate contra a tentação, ou de uma derrota fatal sob os golpes da paixão ou da dúvida. A felicidade nunca é grandiosa.” (Aldous Huxley, “Admirável mundo novo”)

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Verso da prosa: o som de Literatura


A partir de março de 2016, para comemorar (mesmo que timidamente) seus 10 anos de existência, o blogue Literatura éshow! publicará periodicamente os links para os episódios do projeto "Verso da prosa: o som de Literatura".

O "Verso da Prosa" é uma iniciativa dos amigos Estéfani Martins, professor de Redação, Artes e Atualidades em escolas do Ensino Médio na região de Uberlândia-MG e de Leobaldo Prado, jornalista com mais de 15 anos de experiência em rádios de Belo Horizonte-MG, ex-professor universitário e como ele mesmo se define, "um leitor dedicado".

A ideia é juntar uma turma de amigos, em sua maioria formada por professores e/ou leitores de longa data, para um bate-papo sobre Literatura e apresentar essa conversa acompanhada de uma trilha sonora espetacular, dos mais variados gêneros e gostos musicais.

Como um dos convidados é o Professor José Ricardo Lima (editor-mor do Literatura éshow!) você vai encontrar todos os links e fichas técnicas dos programas aqui, independentemente de quem estiver debatendo naquele episódio especifico.

Para conhecer melhor o projeto e ouvir o programa de apresentação, clique na imagem abaixo:



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Análise da obra "A liberdade guiando o povo (Eugène Delacroix)




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Branqueamento, pobreza e higienização no Brasil (Rodrigo Gomes)



A história do Brasil, desde seu dito descobrimento, sempre se sucedeu de forma ambígua, contraditória e conflituosa. Índios e portugueses, súditos e alteza, bobos da corte e imperadores, escravos e coronéis, imigrantes e coronéis, negros e brancos, mestiços e brancos, brancos e brancos. Enfim, intermináveis atritos políticos, sociais e econômicos que foram, e ainda são, consumados e institucionalizados, algumas vezes de formas diretas e radicais, outras vezes objetivados sob o breu do conformismo, da inércia e da falsa consciência coletiva do povo brasileiro.


Este texto tem a intenção de promover um debate acerca das políticas públicas implementadas no final do século XIX e início do XX, analisando as formas de se transformar um país com 70% da população constituída de pessoas negras e mestiças em uma nação “desenvolvida”, voltada para o futuro aos moldes das civilizações europeias. Em resumo, uma sociedade impreterivelmente branca.
Aqui, há que se estabelecer uma estreita relação com a história do país no início do século XX, já com a República instaurada. Na época, o Rio de Janeiro, então Distrito Federal brasileiro, inicia uma reforma urbana que fica conhecida como “Bota-Abaixo”. A intenção é “civilizar” o Brasil começando por sua capital, justificando tal ação nas teorias racistas surgidas na Europa na primeira metade de século XIX, mais precisamente nos pensamentos do escritor francês Joseph Arthur de Gobineau, trazido ao país pelo Imperador Dom Pedro II, em 1869.
Para Gobineau existiam três tipos de raças superiores (brancos, amarelos e negros, sendo a raça branca a principal e mais evoluída) e uma sub-raça (mestiços). No país, segundo o Conde francês, só Dom Pedro II era branco, portanto “seria impossível um avanço econômico brasileiro nestas condições”. O país nunca se tornaria civilizado com tamanha mistura de raças (mestiços). Assim, a imigração europeia – preferencialmente do norte de Europa, em espacial alemã, holandesa, italiana, espanhola e irlandesa – dominou o período do final do século XIX até meados do século XX para, além de suprir a mão de obra escassa devido a abolição dos escravos em 1888, branquear e comprovar a tese de que, segundo ele, a raça branca poderia trazer moralidade e desenvolvimento civilizatório ao Brasil ao mesmo tempo em que a raça negra e a sub-raça de mestiços se extinguiriam em aproximadamente 200 anos após a imigração europeia além do fato de que, para Gobineau, tais grupos sociais não se reproduziriam além de um número limitado de gerações.
Claro que o termo “branquear o Brasil” nunca foi esbravejado aos quatro cantos do país. Ele sempre fez parte das entrelinhas, citado de forma indireta e enrustida pelo Estado brasileiro. Entretanto, vez e outra frases eram pronunciadas aqui e ali. “O que os abolicionistas queriam”, explica Joaquim Nabuco em 1883, “era um país em que, atraída pela fraqueza das nossas instituições e pela liberdade do nosso regime, a imigração europeia traga sem cessar para os trópicos uma corrente de sangue caucásico vivaz, enérgico e sadio, que possamos absorver sem perigo”.
Gilberto Freyre, duramente criticado por “contar a história que os brasileiros, ou pelo menos a elite que lia e escrevia sobre o Brasil, queria ouvir”, soube elucidar questões que foram além das relações de conflitos, acabando por construir um imaginário em que brancos, negros e índios eram suscitados pela harmonia em suas relações, depois classificada como a tal “democracia racial”. Termo este usado para ocultar qualquer tipo de racismo que pudesse perpetuar-se no seio da sociedade brasileira. Entretanto esta é uma discussão que deixaremos, por hora, de lado, pois o foco deste texto é o de evidenciar todas as tentativas científicas e políticas para que, com o pretexto de civilizar e desenvolver o país, poder branqueá-lo, extinguindo as raças ditas inferiores.
O Estado, aliás, trabalhou furtivamente para que logo depois de instaurada a República, se forjasse a ideia de uma nação unida, um povo coeso e uma unidade moral que se estabelecesse diante da modernidade que se anunciara. Era preciso “esquecer” a escravidão. Documentos foram queimados, hinos foram compostos e símbolos foram criados para que tal fantasma não fizesse parte da história de “tão nobre país”. Talvez mesmo por isso, hoje ainda se reproduza tamanha falácia sobre a inexistência do racismo no seio da sociedade brasileira.
Segundo a obra de Sidney Chalhoub sobre a situação carioca no início do século XX (Cidade Febril – 1999), a cidade do Rio de Janeiro concentrava maiores oportunidades de trabalho assalariado após o declínio do trabalho escravo no país. Por conta disso, sua população cresce vertiginosamente durante o fim do século XIX – entre 1850 e 1904 a população da cidade do Rio de Janeiro passou de 266 mil para 810 mil habitantes – e é justamente com a ocorrência de tal fato social que os problemas de habitação e pobreza se agravaram principalmente no centro da capital. O número de habitações coletivas multiplicou-se, eclodindo violentas epidemias pela falta de saneamento e higiene nos chamados “cortiços”, tendo como mais famoso e antigo, o “Cabeça de Porco”, demolido pelo Estado em 1893. Estima-se que, em seu “auge”, possuía uma população entre quatrocentos e dois mil “desordeiros”, como eram chamados seus habitantes pelas autoridades cariocas da época.
Aluísio de Azevedo nos descreve, de forma muito poética e naturalista os ambientes sórdidos e baixos em que viviam a maioria da população, trazendo aspectos inerentes dos comportamentos humanos imbricados com uma personificação do espaço em que habitam. Diz um trecho de sua obra mais famosa: “(…) e naquela terra encharcada e fumegante, naquela umidade quente e lodosa, começou a minhocar, a fervilhar, a crescer um mundo, uma coisa viva, uma geração que parecia brotar espontânea, ali mesmo, daquele lameiro e multiplicar-se como larvas no esterco” (O Cortiço, 1890).
O Estado brasileiro, por sua vez e guardadas as devidas proporções, inicia processos bem parecidos com os que ocorreram na Europa. Aqui, como lá, surgem projetos de lei sobre a repressão à ociosidade, a chamada “lei da vadiagem”. Curioso notar que tal lei esteve em vigor no país durante quase todo o século XX e início do XXI. Cabe aqui trazer a tona outra importante ideologia sobre a criminalidade adotada pelo Brasil após a abolição da escravidão. A expressão “classes perigosas”. O problema vai além e, nos conceitos administrativos das classes político-econômicas, existe a apropriação do termo que passa a ser comumente associado com as classes mais pobres, negligenciados pelo poder público e que inclui, em sua maioria, a população negra e mestiça.
Como bem escreve Chalhoub, “o contexto histórico em que se deu a adoção do conceito de ‘classes perigosas’ no Brasil fez com que, desde o início, os negros se tornassem suspeitos preferências”. Segundo as autoridades brasileiras, a justificativa para tal aparate seria o fato de que os negros recém-libertos, diante de suas condições de vida nos cativeiros e nas senzalas, estariam aptos aos vícios e despreparos para a vida em liberdade. Segundo um parlamentar da época, “a lei da abolição não pode transformar ‘o que está na natureza’ dos negros”.
O que a República pretende é insistir e investir nos termos como “ordem”, “progresso”, “civilização”, “modernidade”, e outros, a fim de moldar o país aos parâmetros europeus de “limpeza” e “beleza”. Trazendo aos trópicos, por intermédio de políticas públicas higienistas e racistas ratificadas pela ciência da época, uma asquerosa e desumana batalha ideológica entre os abastados e as classes subalternas.
Ora, a República recém-proclamada no Brasil pretende moldar o país nos conceitos europeus de “civilização”. Primeiro é preciso limpar a cidade, regenerar, tanto física quanto moralmente a sociedade, construir largas avenidas e, inspirados pela arquitetura parisiense, instalar Boulevares no centro do Rio de Janeiro. Tais ações embelezadoras, além das demolições dos cortiços, trazem consigo consequências devastadoras à cidade e principalmente aos seus moradores de baixa renda. Uma das consequências mais visíveis até hoje na “cidade maravilhosa”, aliás, são as favelas nos morros cariocas.
Sobre a higienização, há que se discutir os termos técnicos que, por meio de avanços médicos e científicos, passam a combater as doenças e enfermidades de todos os tipos. Doenças estas que foram propagandeadas como contagiosas, tendo seus transmissores as tais classes perigosas e pobres. A solução? Varrer grande parte desta população para os morros e arredores da cidade, transformando estes redutos (guetos), em grandes cortiços abandonados pelo poder público, sem saneamento básico, sem coleta de lixo e, assim, uma porta escancarada para a proliferação de insetos de todas as espécies.
O que podemos extrair desta constatação histórica do Brasil ao final do século XIX e início do XX, ilustradas aqui por sua capital da época, permeada pela população pobre, em sua maioria negra e mestiça, classificada como “indesejada”, é a mensagem de um Estado que sempre estabeleceu como política pública o abandono e o descaso com as chamadas populações de risco, as deixando às margens de direitos para que pudessem usufruir, em conjunto, do conceito literal do que representa a República, do latim “coisa pública”. Ainda, o que ao longo dos tempos ocorre no país é a institucionalização de uma Res privada, em que o poder público, travestido pela representatividade que a democracia almeja, usufrui de privilégios para perpetuar-se no poder, realizando o jogo e os interesses de uma elite minoritária detentora dos meios de produção aos quais pretende conservar a todo custo seu status quo, mesmo que tal custo seja a subsistência da maioria da população.
Foto de capa: Rua do morro do Castelo, que foi demolido para projeto de reforma urbana do centro do Rio de Janeiro, em foto de 1922.

Este texto foi publicado originalmente no site Literatortura, em 30/01/2016.
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