Aniversário de "Cem anos de solidão"

México/Literatura: Gabriel García Márquez celebra "cento e quarenta anos de solidão"


Cidade do México, 03/1 - O escritor colombiano Gabriel García Márquez celebra este ano o 40º aniversário da publicação do romance considerado a sua obra-prima, "Cem Anos de Solidão" (1967), e um quarto de século da recepção do prémio Nobel da Literatura (1982).

Apesar de normalmente evitar actos públicos, García Márquez não conseguirá "escapar", este ano, a diversas homenagens, como a que lhe será feita no IV Congresso Internacional da Língua Espanhola, em Março, na cidade colombiana de Cartagena das Índias.

"Essas homenagens serão muito merecidas, porque García Márquez, quase a completar 80 anos, deu um grande contributo às letras do mundo e porque `Cem Anos de Solidão` é uma das obras maravilhosas da língua espanhola", disse hoje a crítica literária e professora universitária Leticia Sarmiento, citada pela agência Efe.

Como o próprio escritor relatou em diversas ocasiões, em 1965 sentiu no México a inspiração definitiva para escrever "Cem Anos de Solidão", uma das obras mais traduzidas e lidas em castelhano, que conta a história da família Buendía ao longo de várias gerações na aldeia fictícia de Macondo.

O Nobel da Literatura viajava de automóvel com a família da Cidade do México para Acapulco, sobre o oceano Pacífico, quando, perto de Cuernavaca, sofreu um contratempo e decidiu desistir da travessia.

Uma das múltiplas conjecturas "macondianas" sobre o famoso episódio indica que uma rês se lhe atravessou no caminho, lhe avariou o veículo e o obrigou a regressar a casa, mas todas as versões, incluindo as contadas por ele, são coincidentes no ponto em que foi nesse instante de Janeiro de 1965 que vislumbrou as pistas que procurava para escrever o seu primeiro grande romance.

"Tinha-o tão maduro que poderia ter ditado ali mesmo, na estrada de Cuernavaca, o primeiro capítulo, palavra por palavra, a uma dactilógrafa", disse García Márquez muito depois, ao recordar esse momento mágico de iluminação.

O seu colega do chamado "boom latino-americano" e amigo de então, o escritor peruano Mario Vargas Llosa, relatou mais tarde que "Gabo" se fechou durante 18 meses no escritório da sua casa da Cidade do México, "provido de grandes reservas de papel e cigarros", para escrever "Cem Anos de Solidão".

O escritor colombiano pediu previamente a Mercedes Barcha, sua mulher, que não o incomodasse "por motivo algum, sobretudo com assuntos domésticos", segundo Vargas Llosa.

A presença do escritor colombiano no México naquele momento de inspiração não foi circunstancial: García Márquez tinha chegado ao país a 02 de Julho de 1961 - por acaso, o dia em que Ernest Hemingway se suicidou - com a intenção de produzir o cinema que tinha aprendido em Roma.

Na capital mexicana, esperavam-no alguns amigos de toda a vida, como o novelista, poeta e ensaísta colombiano Álvaro Mutis, que não só lhe forneceu ajuda material, como o introduziu à leitura de "Pedro Páramo", do mexicano Juan Rulfo, um facto que o autor de "Cem Anos de Solidão" considerou crucial para apurar a sua técnica narrativa.

Tal como Mutis, o escritor mexicano Carlos Fuentes e o já falecido novelista argentino Julio Cortázar conheceram os textos originais do romance de "Gabo", indicaram vários estudiosos da obra do escritor colombiano.

Mutis, Fuentes e Córtazar consideraram que o amigo e colega estava a elaborar uma obra imortal desde as primeiras linhas: "Muitos anos depois, em frente ao pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que o seu pai o levou a conhecer o gelo".

Em finais de 1966, a editora argentina Sudamericana aceitou, deslumbrada, os textos dactilografados de "Cem Anos de Solidão" e em 1967 publicou a obra com um enorme êxito.

O romance vendeu 15.000 exemplares nas primeiras semanas só na capital argentina. Até agora, foram vendidos mais de 30 milhões e foi traduzido em 35 línguas.

Fonte: http://www.angolapress-angop.ao/noticia.asp?ID=498911


 
l