Quem sou eu? Quem fomos nós?

Quem sou eu? Essa é uma excelente pergunta. Pena que a resposta seja tão difícil de se achar. Mas nesses últimos dias, em minhas orações, eu pedi ao meu anjo que me mostrasse pra mim mesmo, e me fizesse ver em mim um novo ser. Não um ser ambíguo e medroso, mas alguém que ame e não tenha medo desse amor. Não só o amor cantado por Camões, de um homem por uma mulher (aqueeele amor!), mas o que aparece na primeira carta de Paulo aos coríntios. Ou quem sabe os “dois”, que estão em Monte Castelo... Pois se amar me faz tão bem, pra que viver usando máscaras, identidades secretas? É tão bom a gente poder dizer tudo aquilo que está sentindo, da forma como isso nos vem na cabeça, passando pelo coração...

Sentir e pensar! Refletir até duas horas da madrugada se for preciso. E no dia seguinte, se reinventar, como um cego que se acostuma ao escuro. Redescobrir que a gente pode renascer com as manhãs, pois em cada raio de sol existe um pouquinho de vida. Dizem que o coração tem razões que a própria razão desconhece. Nunca o senso comum nunca esteve tão certo. Mas quem disse que ele tem que ser racional, cartesiano, quadradinho?... O coração é insano, para todo o sempre, e fica para todo o sempre esperando um toque ou um gesto de ternura pra pulsar mais acelerado, só pra depois sentir o quentinho de bater calmo, como um vento que se cala em brisa, como um calo que enfim também se cala, ou como a gota d’água que se une à doce lágrima e juntas formam um rio caudaloso, grande como um “Zeus Capitolino, hercúleo e belo”, nos dizeres de Bilac.

E como é bom descobrir os detalhes escondidos nas fotos, nas fotos guardadas nas gavetas, nas gavetas ocultas do coração ou no “escaninho da alma”, como diria o Fernando Pessoa. Mas também é excelente descartá-las, já que quem vive de passado é museu. Entre guardar detalhes ou esvaziar a alma, nunca saberemos qual é a melhor opção. Talvez sejam as duas, ao mesmo tempo e a todo instante.E assim eu penso e sinto que essa magia de se dar sem ter que pedir nada em troca — e de se escrever a vida letrinha por letrinha, de não ficar sempre no quase, de se encantar pelo próprio reflexo contido no olhar do outro, e de se apaixonar pelo outro!!! —, pode parecer menos magia se tudo não acontecer naturalmente, porque não convém ir contra as leis do caderninho de preceitos.

Mas aí a gente pára e pensa, porque também não convém deixar os sonhos pra amanhã e se arrepender daquilo que não se fez. Somos, com certeza, a contradição. Indubitavelmente, a contradição elevada à zilhésima potência. Isso até o amor inventar um número maior que o zilhão. Seria tão astuto de nossa parte só andar de óculos escuros. Só que o mundo seria mais triste, não pra nós, mas pros outros. Porque o olhar nos derruba. O olhar nos desmaia. E é dele que ficamos eternamente súditos e devotos. E sem os olhares que nos guiam na escuridão como um farol, como havemos de encontrar um porto seguro? Mas também não precisamos dos olhos pra enxergar o que realmente vale a pena: e essência de nossa pequena alma de artista.

Não é desfilando pela vida e dando tchauzinho para o mundo que vamos ser melhores do que fomos ontem. E sim, nos misturando em meio à massa, tornando-nos massa também. Porque é muito fácil levar comida pros mendigos que moram debaixo da ponte. Difícil e nos assentarmos lá com eles e fazermos ali as nossas refeições. Ou levá-los pra dentro de nossas casas, de nossas vidas. Tantas palavras aqui foram ditas e inúmeras outras ficaram de fora. Não por serem desimportantes, mas porque não caberia tudo em tão pouco espaço.

Mas esse é o lugar do “quem sou eu” e não do “quem somos nós”. E perguntando-me de novo: “Quem sou eu?”, concluo que não sei. Mas sei que é sendo eu mesmo, que serei melhor que eu. É sendo comandante do meu destino e não um grãozinho de areia perdido na imensidão do universo. É sendo surpreendente, cativante, em sintonia perfeita com o outro, que hei de descobrir o que de melhor existe em mim. Ou quem sabe dar falta do melhor que já perdi. E recuperá-lo, só pra perder de novo. Porque a graça da vida, está em se dar.
Texto escrito há muito tempo, no perfil do Orkut...


CACOS: Um ano de verdade(s)

É... Dois mil e nove já agoniza. Não tem nem mesmo uma semana de vida. Já passou o Natal e nessa época, a cada ano que se esvai, as pessoas que gostam de pensar — e pensando, escrever — pensam e escrevem sobre suas experiências. E pensando, resolvi — também eu — colocar em um texto o meu relacionamento com esses doze meses. Dois mil e nove foi, com certeza, um ano de verdades.

Não sou mentiroso. Odeio mentira — como qualquer mortal que joga no time do bem —, embora minta, saiba mentir, e já tenha me divertido com isso. Mas quando digo que eu disse a verdade nesse ano, estou dizendo que não me omiti. Não escondi meus cacos na canastra. Esse ano, como nunca antes tinha feito, me mostrei inteiramente pra inúmeras pessoas.

Não sei que imagem elas puderam enxergar. Com certeza, não a mesma que eu via no espelho. Aliás, nunca me olhei tanto nele. Nunca parei tanto pra me observar e ver que mesmo querendo o máximo (em tudo!) e me esforçando para consegui-lo (“dando o melhor de mim”, no dizer do senso comum) continuei a ser o mesmo cara. O mesmo sujeito medíocre de sempre. Porque seres humanos como eu e você, têm essa tendência, esse certo pendor à vida mediana.

Mas voltando às verdades (não que no parágrafo anterior eu tenha me afastado delas), esse ano convivi com o melhor e com o pior de mim. Apaixonei-me por mim mesmo e me odiei com todas as forças que me restaram. Chorei rios de lágrimas por sonhos quase irrealizáveis, amores quase impossíveis, maluquices quase sadias. Dei boas risadas, as melhores, observando os outros e me observando também.

Quis virar blogueiro, coloquei uns textos na internet que (graças a Deus!) quase ninguém leu. E em várias vezes, como um verdadeiro artista — que não sou — eu escrevia pra me entender. Escrevia uns “conselhos” pra mim mesmo. Ou seja, rascunhava uma pseudo-literatura de “auto-ajuda” (e nunca esse “auto” teve um significado tão específico), mas nem mesmo eu lia o que postava.

Quis escrever, como tantos blogueiros, sobre as coisas do meu dia-a-dia, mas vi que não podia tirar nada de bom desse ramerrão enfadonho (acho que “ramerrão enfadonho é pleonasmo, mas foda-se, licença “poética”) de acordar de madrugada pra ensinar Literatura pra quem não quer aprender (nem vem, porque a maioria não quer mesmo). Mas acho que o problema está justamente nisso. Não ter o que contar sobre nós num simples blog é o maior mal que poderíamos sofrer nesse início de século.

E é isso que devemos mudar nas nossas vidas. Hoje, pessoas de todas as idades tiram fotos apenas pra colocar no Orkut. Adolescentes tiram mais. Mas os “adultos” também fazem isso. Até eu — gordo, estranho, feio — já fiz isso inúmeras vezes. Portanto, vamos fazer em 2010 esse “exercício”. Que nós possamos viver coisas interessantes, nem que seja apenas pra contá-las a esses internautas que não têm nada pra fazer — uns nem nos viram pessoalmente, embora saibam tudo sobre nós. Vamos viver momentos incríveis, nem que seja apenas pra “aparecer” e mostrar pro outro que “eu sou mais feliz e aproveito melhor a vida do que você”, já que nos preocupamos — não raras vezes — muito mais com a vida dos outros do que com a nossa própria.

Se dois mil e nove foi — pra mim— o “ano DA verdade”, em dois mil e dez eu quero que seja — pra todos nós — um “ano DE verdade” em que a gente não apenas exista, mas que a gente VIVA. Viva!

VIVA DOIS MIL E DEZ, com todas as suas alegrias e tristezas, com todos seus encantos e DEZencantos...


DEPOIMENTOS: Raínne, Objetivo Catalão, 2007-2009

Postado originalmente em 15 de dezembro de 2009.

‘ Eu tenho tanto pra lhe falar, mas com palavras não sei dizer,
como é grande o meu amor por vcê.’


Zéé,
durante esses 3 anos de ensino médio, vc foi uma das pessoas qe mais me escutou, me deu conselhos e me fez chorar!

Por isso eu qero sempre ter o orgulho de dizer qe ‘ aqele do gordinho do dente aberto foi o meu melhor professor de Literatura e será, eternamente, o meu amigo’

esse tempo todo vc não foi um simples professor.. vc foi amigo! E pra nós alunos isso é mto importante.. pq são através dessas conversas qe nós aprendemos um pouco mais sobre a vida..

eu só tenho qe agradecer por vc estar ao meu lado todo esse tempo!
e não se preocupe.. eu nunca deixarei de ser mulherzinha, nem chorona! kkkkkkkk’



eu só sei qe mtos laços foram feitos e se depender de mim, eles nunca vão se romper.. essa amizade eu vou levar pro resto da vida, e vou sempre lutar pra conservá-la e cultivá-la.



Euteamodemais/

DEPOIMENTOS: Jéssica Cristina, Objetivo Catalão, 2007-2009

Postado originalemente em 15 de dezembro de 2009.

Zeeeeeehh..
Você sabe melhor que ninguém que, para mim, você nunca foi só meu professor, foi meu amigo, companheiro..
Já te agradeci inúmeras vezes por tudo que você fez por mim.
Coisas que só um amigo de verdade faria.
Além das aulas claroo ( mas isso era sua obrigação.. kkkkkk' )
Obrigada, mil vezes obrigada.. por confiar em mim, por dividir sua vida comigo e compartilhar tantos momentos maravilhosos.
Que falta enorme farão as mensagens sublimirares.. rsrs
Que falta enorme farão as suas aulas de literatura..
Que falta enorme farão nossas conversas bestas..
Que falta enorme você vai me fazer..

As sete palavras tb continuam valendo pra você!!
Eu te amo José Ricardo Lima. Sempre, sempre, Muito, muito.

DEPOIMENTOS: Gustavo Santos, Objetivo Catalão, 2007-2009


Postado originalmente em 13 de dezembro de 2006.

José Ricardoo...

Agora que infelismentee nao sou mais seu aluno,ja que do contrario se ia flar que euu tva puxanu saco!!! tomo a liberdade pra lhe agradecer por todas as coisas boas que voce como professor, como pessoa, mas principalmente como AMIGO me proporcionou nesses 3 anos de convivencia.Agradeço, solenemente, a todas as suas aulas, a suas dicas, as suas brincadeiras, a sua paciencia e a sua personalidade que sem duvidas influenciaram em parte a pessoa que sou hoje. Tenho o imenso prazer e orgulho de dizer que tive um professor como voce... uma pessoa com jeito simples de viver, e de ser feliz..

Bom nao estou aos pés dos seus outros alunos... mas esse foi o melhor que consegui declarar.

Muitissimo obrigadoo por tudoo... e que um dia eu possa rever o professor mais amigo que eu ja tive.

Um grandee abraço de seu "É ter na mente" aluno.


Homenagem ao Terceirão 2009 (Objetivo Catalão)





Amigos não se despedem. Dizem apenas “até logo”. E por isso, esse não é um texto de despedida. Não preciso dizer, MAIS UMA VEZ, do carinho enorme que sinto por cada um de vocês, até mesmo pelo fato de serem a primeira turma em que atuo integralmente como professor, durante os três anos. Tudo que vocês sabem sobre Literatura (e principalmente o que NÃO sabem) é mérito (ou demérito) meu.

E não somente Literatura, eu tentei passar pra vocês, ao longo desse tempo, um pouco de experiência de vida, APESAR DE SER BEM JOVEM... Mas eu queria não me referir à turma, e sim a cada um de vocês de maneira pessoal, porque de certa forma, nossa relação sempre foi pessoal. Se não foi assim com todos, foi assim com quem quis que assim fosse. E por isso, mais uma vez, me dirijo pessoalmente a vocês e agradeço todo o carinho e a doçura da Amanda, dos quais tantas vezes eu pude usufruir, sejam nas manhãs catalanas, sejam nas madrugadas olímpicas. Ana Luísa, até desesperada você manteve o seu bom humor. Vai ser a primeira aluna a passar ao mesmo tempo na federal do Oiapoque, do Chuí, da Guina Francesa e até a federal do Azerbaijão. Bruna, você foi a mãe do noivo mais medroso que apareceu pelas bandas do Arriá Objetivo. Muito obrigado pela paciência. Danilo... Apesar de chegar por último, “chegou chegando”, conquistando os olhos mais verdes do pedaço. Apesar de conhecê-lo há tão pouco tempo, te admiro bastante. Foi mal se eu me casei com a sua namorada. Díordy, um anjo tocador de harpa. Continue contando com as minhas orações. Conto com as suas também. Obrigado pela força nos momentos difíceis. Você não imagina o quanto me ajudou. Fabiana, minha aluna beijoqueira. Na primeira foto já estava ao meu lado. E nossa vitamina de xarope, heim. Tava uma delícia! Do Fernando eu não falo nada. Ele era leitor oficial do Aluísio e não lia nas minhas aulas. Brincadeira, Fernando. No dia em que eu fizer um vídeo do Harry Potter, você vai ser meu narrador. Duas figurinhas estiveram muito tempo conosco, mas infelizmente nos deixaram. A primeira é o Guilherme, que com o seu sorriso malandro conquistava todos aqueles (e principalmente aquelas!) que o rodeavam. O outro, é um tal de Gustavo Coutinho, vulgo Chicão, pra mim Francisco, que mesmo tendo ido embora esteve sempre presente. Gustavo Santos, meu CDF preferido, como diria o velho Professor Raymundo ao seu melhor aluno, “eu queria ter um filho assim”. Notas, sempre as mais altas. Caráter, hombridade, honradez, lá em cima também. Isso sem contar no grande ator que você se revelou passando de Padre a Marília Gabriela num piscar de olhos. Jéssica Cristina, minha Helena de Tróia. Mais uma vez te agradeço por tudo. E talvez só nós saibamos o significado desse TUDO. Que as sete letrinhas continuem eternamente no mesmo lugar. Jéssyca Gato, você nunca teve vergonha de ser você mesma. Cuca? Mulher Gato? Não importa. Você nunca precisou de disfarces. José Antônio, você entrou no meio da nossa história, mas nem por isso foi um personagem secundário. Valeu demais pelo respeito. Jourdana, de todos você sempre foi a mais errada. Errada, nos momentos em que dizia que eu não gosto de você. De todas, com certeza, você é a mais doce. Juliano, quer dizer, Juliana... Nunca uma perninha do “a” causou tanta polêmica. Muito obrigado, Magnânima, pelo seu carinho... Karen Sibila, a minha insânia e a sua insônia caminharam juntas por um bom tempo. Bra focê, um suber peijo (kigay!)... Até pouco tempo esteve entre nós uma mocinha que atende pelo lindo nome de Laisla. Tomara que ela não tenha aprendido Literatura como eu aprendi flauta. Obrigado por me fazer tentar tirar som do seu instrumento. Desculpe, se não fui um aluno tão dedicado quanto você. Larissa, a inesquecível Larissa. Tão inesquecível que eu cometi o pecado de não colocar seu nome na primeira versão do vídeo. Nem tenho palavras pra pedir perdão, mesmo sabendo que você já me perdoou. Foi muito bom te receber de volta, Lalá. Leidiane, mais uma vez eu repito. Os olhos mais verdes do pedaço. Dedicada, carinhosa, educada. Simplesmente uma Leide. Até dei um jeitinho de me casar com você, mesmo que de mentirinha. Muito obrigado, de coração. Letícia significa “alegria” e ela ainda veio de Campo Alegre... Obrigado demais, por nos alegrar, mesmo com seu jeito recatado, tímido, de “mocinha de família”... Luandrey, você sempre prestigiou nos meus “eventos”. Nos almoços, nas idas à Pizzaria, nos passeios por Catalão. Valeu demais. Qualquer dia a gente se encontra por aí... A Ludmila Vicente também sempre foi do grupo das sérias e caladas, mas na hora em que a gente passa e pergunta: e aí, tudo bem? Ela já abre logo um sorriso e responde baixinho: tudo... Valeu demais... Alguém conhece uma garota que namora um celular cor-de-rosa? Eu conheço: Lumilla Torquato. Sempre com as suas amigas feinhas e chatas... Um grande beijo pra você. Marcella, a nossa coelhinha preferida. Sempre era a dona da festa. Precisando de um agito, conte com ela. E não somente isso, por que cada vez mais você se mostrou uma grande aluna, deixou de ser irmã da Gabriella. Agora, você é a referência. Marco Antonio, Varejão... E aquele cabelo heim? Ainda bem que você criou juízo, meu velho. A humildade sempre foi o seu forte. Continue assim. Maria Clara... Eu quis te ensinar poesia, mas você já é um poema. Tudo que eu disser de bom sobre você vai ser pouco. Incomparável. Muito obrigado pelo concerto de violino. Quando você toca, a gente toca Deus. Mariana, a nossa Gira... Você desfilando na Hispanidad parecia uma top model. De pequena você não tem nada. Mas de sereia, heim... Murilo você é uma mala sem alça. Ano passado, eu vim pra Catalão apenas pra te dar aula de recuperação, cara... Brincadeiras à parte, você soube superar as suas falhas e cresceu demais. Falando em crescimento, me lembro logo da Nathália. Você não perdeu um ano da sua vida não... Você ganhou três. E ainda caiu de pára-quedas no melhor terceiro de todos os tempos (ou não!). Nayara, como você mesma disse, foi uma pena a gente se aproximar apenas agora no finalzinho, mas antes tarde do que nunca. Falando em nunca, nunca se esqueça de uma certa foto do Bob Esponja que eu tenho arquivada no meu Notebook. Comporte-se, garota. Paula Cristina, ops, Paula Stoppa. Minha leitora oficial. Todo texto que eu leio agora, imagino a sua voz. Obrigado pelo carinho e por ser sempre a minha Paula. Deixa eu parar por aqui, porque seu namorado é ciumento... Paula Rosa... Esse seu sobrenome combina com a sua delicadeza. Uma flor brincando de roda na Ciranda da Bailarina. Rafael, o nosso Paulista, corintiano roxo (é brincadeira, eu sei que você é palmeirense). Tá desbloqueado no MSN. Mas se comporte, heim. E vê se vai deitar mais cedo nessas férias. Rafy, as melhores perguntas sempre foram as suas. Depois de você, todos nós professores passamos a nos dedicar mais ai estudo de nossas disciplinas. Obrigado por nos fazer crescer. Raínne, sua chorona. Se nada der certo (o que eu duvido muito), você pode escrever novela. Se não arrumar emprego no Brasil, no México você se garante. Ramon, muito obrigado por me trazer de volta sempre que eu me enveredava pelas histórias da Divininha e companhia limitada. Reginaldo, o cara mais macho de Catalão. Sempre se vestindo de mulher e tendo a manha de voltar. Imagina se você fosse bom aluno e eu fosse bom professor. A gente iria arrebentar. Rumayana, sempre tentando ser mais bonita do que já é. Penteando o cabelo, passando creme... Você também se superou ao longo do tempo. Parabéns. Suellen que veio, Suellen que foi, Suellen que voltou, Suellen que sumiu de novo... Cadê Suellen? Thaiany, nossa aluna TeleTon. Sempre faltando um pedacinho… sempre contundida, sempre em recuperação. Por sua causa a sala de aula mudou umas mil vezes. Obrigado pelo seu sorriso lindo de menina. E o Túlio, heim... Passou pelo Objetivo, como um furacão, deixando alguns corações apaixonados. Quem são as donas desses corações? Não conto, não conto e não conto. Vitor Trigueiro... Mais um de quem eu quero me vingar. Eu, no Restaurante Popular, almoçando com as gatinhas da sala, quem chega pra atrapalhar? Vítor Trigueiro. Valeu demais, Mané Pistola... Cuidado comigo, pois já te furei o olho uma vez... E por último ela, a personificação da ternura: Vitória Marques. Não realizei o sonho de te ver gritando na minha aula, mas aproveitei cada momento das nossas conversas, aprendi com você, te ouvi, e passei a te admirar cada vez mais. Obrigado pela confiança... Adoro-te.


Mais uma vez, muito obrigado pelo carinho, dedicação, confiança, respeito, amizade, enfim, todas as coisas boas que vocês me ofereceram no decorrer desses três anos.

Fico feliz em ter a certeza que continuarei contando com tudo isso, "mesmo que o tempo e a distância digam não".

Passou depressa... Daqui a pouco seremos apenas mais uma lembrança, dentre tantas... Talvez, alguns nunca mais se verão. Outros caminharão lado a lado por um bom tempo... Quem sabe pra sempre.

Encontros e despedidas fazem parte da vida... O bom de tudo é que estamos certos de uma coisa: soubemos aproveitar...

Um excelente 2010 pra vocês...
Sejam Felizes!!!
José Ricardo
dezembro/2009



NOTÍCIA: Academia Brasileira de Letras no Twitter


Cinco perguntas para Marcos Vilaça

O novo Presidente da Academia Brasileira de Letras Marcos Vinicios Vilaça citou em seu discurso de posse a importância de atualizar-se em meio a tecnologia e os meios de informação. Com esse intuito, o Acadêmico lança o Twitter da ABL. Confira a entrevista que o Presidente concedeu a respeito desse novo meio de propagar informações.

“Se eu tuíto, tu tuítas e eles tuítam, a Academia também tuíta” – Diz Marcos Vilaça, presidente da ABL.

Em sua última gestão como presidente da Casa de Machado de Assis, o senhor focou na aproximação da ABL com a sociedade através do uso de diversas tecnologias. Há alguma chance disso se repetir?

Há todas as chances. A ABL não pode e não deve ficar parada no tempo. Hoje vejo meus netos usando o Orkut, o Twitter, e vejo o quão rápida está a comunicação, a interatividade para esses jovens. Definitivamente nós temos de entrar nesse meio.

Hoje não só pessoas usam o twitter, mas empresas testam sua popularidade e lançam novidades. Como o senhor vê essa integração da ABL com o twitter?

Se eu tuíto, tu tuítas e eles tuítam, a Academia também tuíta. O Supremo Tribunal Federal já está nessa, sites de venda on-line já lançam promoções exclusivas, personalidades de todos os meios já criaram uma espécie de “linha direta” com os fãs. Faltava a ABL. Digo faltava, pois não falta mais. A Academia precisa manter permanentemente uma linha direta com os seus seguidores.

Os jovens passam muito tempo no que chamamos de mídias sociais. Este é um filão em que a ABL busca entrar?

Foi como eu disse no começo: meus netos não saem do Orkut, do MSN, do Twitter... Se é lá que a juventude está, é lá que precisamos ir. Se num primeiro momento os moços não vêm à Academia, então a Academia precisa ir até eles... Para muitos deles, até ser apresentada. São horas que eles passam a fio teclando – como dizem no linguajar próprio.

A internet seria, então, considerada mais uma ferramenta de incentivo à leitura e à produção textual?

Mas é claro! Há quem diga que é uma ferramenta que faz justamente o contrário, que atrofia. Mas eu não vejo assim. Olhe, se uma pessoa consegue passar toda uma ideia em 140 caracteres, ela é atrofiada ou possui um bom poder de síntese? Então pronto! Não adiantar vir com a besteira que tudo na internet não presta. Isso é mentira! Tem muita coisa boa sim, mas é preciso selecionar. Da mesma forma há muita coisa ruim encadernada e vendida em livrarias. É preciso ter critério.

Para concluir, podemos esperar novidades para o Portal da ABL?

Como nesse mundo on-line tudo acontece tão rápido, o Twitter da ABL já não é mais novidade, mesmo recém lançado. Mas haverá muita coisa nova sim. O site que estamos preparando para o Centenário de Morte de Joaquim Nabuco é uma delas. Também já está na hora de mudarmos um pouco a “cara” do Portal. Volta o VOLP e adicionamos mais interação com os internautas e assim já teremos dado mais um passo adiante.

Fonte: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=9937&sid=624

Para conferir (e seguir!!!) a página da ABL no Twitter, clique aqui.


Missal do Cisne Negro

Com a influência da prosa e poesia do mestre francês do Simbolismo, Charles Baudelaire, latente em seus versos, a obra "Missal" do poeta Cruz e Sousa traz pela primeira vez o gênero para o Brasil.

Apesar de pouco reconhecido pela crítica de sua época, o poema deixa de lado os significados lógicos e explícitos, para trilhar por caminhos mais sutis e de sugestões vagas, marca característica dos Simbolistas, assim como a musicalidade empregada na estética de seus textos.



A farsa de Inês Pereira, teatro de Gil Vicente

A peça surgiu em resposta aos críticos que Gil Vicente enfrentava na época. Acusando-o de plagiar determinadas obras, lançaram-lhe um desafio. Ele deveria escrever uma obra baseando-se no seguinte ditado: “Mais quero asno que me leve, que cavalo que me derrube”.

Assim, surgiu “A Farsa de Inês Pereira”, que tem no personagem Brás da Mata a personificação do cavalo, que derruba, ou, no caso, cerceia as ambições de Inês. O personagem Pero Marques, por outro lado, representa o asno, que literalmente a carrega nas costas e faz tantas outras de suas vontades.



Dez longos anos sem João Cabral


Escritor pernambucano deixou um vazio profundo na poesia. Na semana que marca uma década de falecimento, as homenagens são isoladas


Na última sexta-feira fez 10 anos da morte de João Cabral de Melo Neto. Na época, a má notícia tomou de assalto o meio literário. Quem poderia subsituí-lo no posto de maior poeta do país? Foram apontados nomes como Ferreira Gullar, os irmãos Haroldo e Augusto Campos e Décio Pignatari.

Todos concordaram que, a figurar ao lado de Manuel Bandeira e Carlos Drummond, só haveria João Cabral.

A maior inspiração da obra de João Cabral era a terra natal Pernambuco, onde viveu a infância e parte da juventude. Nasceu nas margens do Capibaribe, rio presente em toda sua obra, como o famoso poema Morte e vida Severina. Os livros Quaderna e Educação pela pedra são considerados o auge de sua produção.

Palalelamente, fez carreira na diplomacia em países como Inglaterra, Senegal, Suíça e Honduras, onde sua filha, Isabel Cabral, é uma das funcionárias. Mas para João Cabral, a paixão pela literatura falava mais. "No Senegal ele tinha uma série de encontros privados com o romancista Leopold Senghor, presidente do Senegal, para falar sobre literatura", diz o jornalista e crítico de literatura José Castello. Na Espanha, país decisivo para seu processo de formação, conheceu artistas surrealistas. A experiência o levou a escrever o ensaio Joan Miró e poemas como Cão sem plumas. Em outro, revela o desejo de "Sevilhizar o mundo".

A morte veio suave, aos 79 anos. O coração do poeta parou enquanto rezava, de mãos dadas com a segunda esposa, Marly de Oliveira. Os últimos anos foram difíceis, marcados pela depressão e a cegueira. "Ele se lamentava da solidão, que a vida era chata, a velhice era insuportável", diz Castello, autor do livro João Cabral de Melo Neto: o homem sem alma (Bertrand Brasil), fruto de mais de 20 entrevistas entre 1991-92, quando especulava-se que João Cabral ganharia o Prêmio Nobel de Literatura.

Nas artes, é comum que a obra subjugue o autor; no caso de João Cabral, que sua personalidade se confunda com o teor gélido, metódico e racional dos escritos. Ao contrário: o poeta adorava falar de si e seu trabalho. "Ele mesmo se dizia seco e antilírico. Mas as conversas deixaram claro que era organizado porque tinha uma convulsão interior. Ele me disse que a poesia era sua tentativa de se reprimir. Dentro desse homem sem alma havia um sujeito emocionado, cheio de temores e muito sucetível", diz Castello.

O caráter depressivo era outra característica atribuída a João Cabral, que fez mais de um poema sobre as aspirinas que tomava para aplacar as dores de cabeça. A Castello, o escritor contou que, quando pequeno, chegou a ficar internado em hospital psiquiátrico. "Os médicos diziam que ele sofria de forte depressão. Ele dizia que tinha melancolia, a mesma dos poetas do século 19. Ficava revoltado de tomar remédio. Gostava de viver, de escrever. Dizia que melancolia é como uma dor no peito. E que escrevia poesia para conter esse desamparo".

Homenagens - No Brasil, a efeméride dos dez anos sem João Cabral passou praticamente batida, sem homenagens ou novidades no mercado - a última grandereedição de sua obra foi da editora Objetiva, em 2007. Da mesma forma, eventos locais se movimentam timidamente. Na última sexta, a Bienal do Livro de Pernambuco promoveu mesa com Selma Vasconcelos e Janilto Andrade, autores dos Retrato falado do poeta e O erotismo em João Cabral. A Fliporto elegeu o escritor como principal homenageado. No mês que vem, a programação trará conferências com os especialistas Antônio Carlos Secchin e Lawrence Flores Pereira.

Na próxima terça-feira, sua obra e vida na Espanha será objeto de seminário da Fundação Cultural Hispano Brasileira, com sede em Madri, e desdobramentos em Salamanca, Barcelona e Sevilha. No evento haverá representantes do Instituto Joan Miró, da Universidade Federal do Paraná e do Instituto Cervantes de Curitiba. Em virtude do evento, uma versão em espanhol do primeiro volume dos Cadernos de Literatura, dedicado ao escritor, foi rodado pelo Instituto Moreira Salles.

Fonte: Diário de Pernambuco (http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/10/11/viver1_0.asp) (Acessado em 11/10/2009 às 05:50)


PAS (Obras da Primeira Etapa)

Clique nos títulos abaixo para ler as principais obras selecionadas para a 1ª etapa do PAS 2009. Após abrir o documento em .pdf, ele poderá ser salvo no seu PC.

A alma encantadora das ruas (João do Rio)
A pele do lobo (Arthur Azevedo)
Cartas chilenas (Tomás Antônio Gonzada)
Discurso sobre a servidão voluntária (Etienne de La Boetie)

O que o PAS vai cobrar

Conheça os filmes, livros, textos, obras de arte que serão recomendados para o subprograma 2009
Priscilla Borges
Da equipe do Correio
Durante quase um ano, educadores interessados nos debates postaram sugestões em um blog da Gerência de Interação Educacional do Cespe, se encontraram periodicamente e definiram quais serão as obras sugeridas para auxiliar as escolas na construção das competências e habilidades consideradas essenciais para cada ano do ensino médio.

No mês de outubro, mais uma revisão da Matriz de Objetos de Avaliação do PAS foi concluída. Isso significa que novas obras — sejam elas literárias, científicas, filosóficas, sociológicas, musicais, artísticas — foram definidas para a 1ª etapa do Subprograma 2009. Em um processo democrático, professores de diversas escolas definiram junto com os docentes da UnB o que será avaliado nas provas do PAS que ocorrerão no ano que vem.

Os professores decidiram privilegiar durante a seleção dos livros, a partir de agora, aqueles que são de domínio público. Com a medida, os estudantes poderão fazer download dessas obras em sites públicos e não pagarão nada por elas. Os colégios também podem imprimir os livros e distribuir aos estudantes que não possuem acesso à internet. Os que preferirem podem ler os textos no computador.

Apenas um dos livros escolhidos para o subprograma 2009 — Almanaque Brasil Socioambiental 2008 — não está nessa condição. Ele custa R$ 38, mas a idéia é que ele seja utilizado nas três séries a partir do ano que vem.

Temas variados

Como já é de praxe no PAS, não há recomendação apenas de livros de literatura. O Discurso da Servidão Voluntária, de Etienne de La Boétie, por exemplo, é um texto que analisa criticamente a monarquia, leva à reflexão sobre o papel de cada um na sociedade e ressalta a importância da liberdade e da igualdade. Apesar de ter sido escrito em 1563, os temas tratados na obra continuam atuais. A expectativa dos professores é de que a leitura do livro sirva para que os estudantes compreendam melhor a sociedade em que vivem e fundamentem projetos de futuro.

Um texto que pode surpreender os alunos é o artigo 5.º da Constituição da República Federativa do Brasil. Ele trata dos direitos e deveres individuais e coletivos no país. Como na 1ª etapa do programa o objetivo principal é analisar como o estudante se vê inserido no mundo, a leitura do artigo contribui para a reflexão. Outros textos atuais farão parte da matriz de objetos, mas ainda não foram definidos. A sugestão é de que eles contemplem outras linguagens, como blogs.

Lógica invertida

O gerente de Interação Educacional do Cespe, Ricardo Gauche, ressalta que as mudanças preservam a essência dos objetos de avaliação para a 1ª etapa. “As alterações se deram fundamentalmente nas obras (livros, filmes, obras de arte, peças teatrais e músicas), ou seja, mudam-se apenas os meios pelos quais os conceitos são avaliados”, destaca. “A revisão periódica implica acompanhar os avanços curriculares atinentes aos projetos pedagógicos das diferentes escolas, gerando avanços no processo seletivo representado pelo PAS/UnB”, enfatiza.

“É importante mudar as obras para criar alternativas para a banca examinadora. Muitas vezes, as estratégias se esgotam em cima de um livro”, reforça Bispo. Esse cuidado, no entanto, deveria ser melhor aproveitado pelos examinadores, na opinião dele. Para ele, as avaliações têm utilizado os livros de modo superficial. “Eu anseio que a banca elabore provas que aproveitem mais a riqueza oferecida pela obras e verifique a capacidade do candidato refletir sobre os fundamentos existenciais da experiência humana, das ciências, da vida em sociedade”, ressalta.

Também haverá mudanças nas obras previstas para a 2ª etapa do subprograma 2008. Os professores das escolas e o Cespe decidiram retirar alguns livros das recomendações. Dias e dias, de Ana Miranda, A máquina, de Adriana Falcão e Mundo sustentável, de André Trigueiro, não farão mais parte da matriz de objetos de avaliação. Segundo Gauche, a decisão foi tomada para “garantir o acesso gratuito pleno às obras, por parte de todos os candidatos, independentemente da disponibilidade comercial das mesmas”.

Fique de olho

Livros e textos

O Discurso da Servidão Voluntária, de Etienne de La Boétie
Almanaque Brasil Socioambiental 2008, do Instituto Socioambiental*
Artigo 5º da Constituição da República Federativa do Brasil, 1988
A pele do lobo, de Arthur de Azevedo (peça teatral)
Cartas Chilenas, de Tomás Antônio Gonzaga
A alma encantadora das ruas, de João do Rio
Textos contemporâneos a serem definidos

Músicas
Symphoniae (principalmente a antiphona O quam mirabilis est, De patriarchis et prophetis), de Hildegard Von Bingen
Hino de Duran, O casamento dos pequenos burgueses, Se eu fosse o teu patrão,
Ópera e Tango do covil, da Ópera do Malandro, de Chico Buarque
Ópera Carmen, de Bizet
Bachiana nº 4, de Heitor Villa-Lobos
Eu nasci com fama, do grupo Móveis Coloniais de Acaju
Eu nasci há dez mil anos atrás, de Raul Seixas e Paulo Coelho, cantada por Móveis Coloniais de Acaju
Daqui pra frente e Cedo ou tarde, do NX Zero
Pro dia nascer feliz, Cazuza
Sweet Lullaby, do Deep Forest
Sadeness, do Enigma
Violeira, de Chico Buarque e Tom Jobim
Obra de Marluí Miranda e do grupo Uaktí
Funk (a música ainda será definida)

Filmes
Atlântico negro na rota dos Orixás, de Renato Barbieri
Para o dia nascer feliz, de João Jardim
Encontro com Milton Santos, ou o mundo global visto do lado de cá, de Silvio Tendler

Artes visuais
Pinturas rupestres realizados na Região de Lagoa Santa (Minas Gerais)
Grafites dos artistas conhecidos como Os Gêmeos
Moça com brinco de pérola, 1665, de Jan Veermer
A velha (Rainha de Tunis), 1513, de Quentin Massys
O Beijo, 1967, de Valdemar Cordeiro
Auto-retratos da artista mexicana Frida Kahlo
Fotografias do acampamento de Sem Terra em Rio Bonito do Iguaçu (Paraná) feitas 1996 por Sebastião Salgado
Esculturas de Mauritius Cornélius Escher
Arquitetura do Teatro Nacional de Brasília, de Oscar Niemeyer
Blocos do Teatro Nacional de Brasília, de Athos Bulcão
Pirâmides incas de Machu Picchu, no Peru
Desenhos e vitrais de Henri Matisse, da Capela Nossa Senhora do Rosário em Vence, na França
Azulejos de Athos Bulcão na Igreja Nossa Senhora de Fátima de Brasília (Igrejinha da 307/308 Sul)
Exposição das Vacas espalhadas pela Avenida Paulista (em 2005)
Escultura Meteoro, de Bruno Giorgi (no Palácio do Itamaraty)
Escultura Condor, de Bruno Giorgi (na Praça da Sé, em São Paulo)
Ruínas de Stonehenge, na Inglaterra
Estátua de Carlos Drummond de Andrade em Copacabana (RJ), de Leo Silveira — referência ao poema do escritor Fala, Amendoeira

Onde encontrar
eBooksBrasil (www.ebooksbrasil.org)
Biblioteca Nacional Digital do Brasil (www.bn.br/bndigital)
Ministério da Educação
(www.dominiopublico.gov.br)

* O único livro que não é de domínio público. Pode ser adquirido pelo site www.socioambiental.org


ACHO QUE VOLTEI...

Acho que voltei... Voltei mais leve. E antes que o vento me leve a leveza, quero aproveitar pra voar... Não sei como serei daqui pra frente, a não ser que serei novo. O oco aos poucos vai sendo preenchido. Não por alguém que sempre ocupava um espaço menor que as minhas intenções. O oco vai sendo preenchido por mim. Mas essa volta se dará aos poucos, pra que antes de me mostrar pra você, eu possa me conhecer novamente.


MEC divulga 40 modelos de questões do Enem 2009



Para resolver estas e questões de outras áreas de meneira simulada, acesse o portal UOL clicando aqui.


Dois e dois: quatro... Um texto de Ferreira Gullar

Como dois e dois são quatro
Sei que a vida vale a pena
Embora o pão seja caro
E a liberdade pequena

Como teus olhos são claros
E a tua pele, morena
Como é azul o oceano
E a lagoa, serena

Como um tempo de alegria
Por trás do terror me acena
E a noite carrega o dia
No seu colo de açucena

Sei que dois e dois são quatro
Sei que a vida vale a pena
Mesmo que o pão seja caro
E a liberdade pequena.


A Carta a El-Rei Dom Manoel, por Pero Vaz de Caminha

A Carta a el-rei D. Manuel sobre o achamento do Brasil, popularmente conhecida como Carta de Pero Vaz de Caminha, é o documento no qual Pero Vaz de Caminha registrou as suas impressões sobre a terra que posteriormente viria a ser chamada de Brasil. É o primeiro documento escrito da história do Brasil sendo, portanto, considerado o marco inicial da obra literária no país.

Escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral, Caminha redigiu a carta para o rei D. Manuel I (1495-1521) para comunicar-lhe o descobrimento das novas terras. Datada de Porto Seguro, no dia 1 de Maio de 1500, foi levada a Lisboa por Gaspar de Lemos, comandante do navio de mantimentos da frota.

A carta conservou-se inédita por mais de dois séculos no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa. Foi descoberta em 1773 por José de Seabra da Silva, noticiada pelo historiador espanhol Juan Bautista Muñoz e publicada, pela primeira vez no Brasil, pelo padre Manuel Aires de Casal na sua Corografia Brasílica (1817).

Em 2005 este documento foi inscrito no Programa Memória do Mundo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

A Carta é exemplo do deslumbramento do europeu diante do Novo Mundo. Contudo, apresenta informações equivocadas. Em princípio, Caminha se desculpa pela Carta, a qual considera "inferior". O escrivão documenta os traços de terra e o momento de vista da terra (quando se avistou o Monte Pascoal, a que deu-se o nome de Terra de Vera Cruz).

Os portugueses seguem até à praia, onde acontece o primeiro contato com os índios, quando os portugueses praticam o primeiro escambo com os índios brasileiros. Menciona-se também o pau-brasil e é narrada a Primeira Missa na nova terra.

Trecho da Carta
"Ali veríeis galantes, pintados de preto e vermelho, e quartejados, assim pelos corpos como pelas pernas, que, certo, assim pareciam bem. Também andavam entre eles quatro ou cinco mulheres, novas, que assim nuas, não pareciam mal. Entre elas andava uma, com uma coxa, do joelho até o quadril e a nádega, toda tingida daquela tintura preta; e todo o resto da sua cor natural. Outra trazia ambos os joelhos com as curvas assim tintas, e também os colos dos pés; e suas vergonhas tão nuas, e com tanta inocência assim descobertas, que não havia nisso desvergonha nenhuma. Todos andam rapados até por cima das orelhas; assim mesmo de sobrancelhas e pestanas. Trazem todos as testas, de fonte a fonte, tintas de tintura preta, que parece uma fita preta da largura de dois dedos. Mostraram-lhes um papagaio pardo que o Capitão traz consigo; tomaram-no logo na mão e acenaram para a terra, como se os houvesse ali. Mostraram-lhes um carneiro; não fizeram caso dele. Mostraram-lhes uma galinha; quase tiveram medo dela, e não lhe queriam pôr a mão. Depois lhe pegaram, mas como espantados. Deram-lhes ali de comer: pão e peixe cozido, confeitos, fartéis, mel, figos passados. Não quiseram comer daquilo quase nada; e se provavam alguma coisa, logo a lançavam fora. Trouxeram-lhes vinho em uma taça; mal lhe puseram a boca; não gostaram dele nada, nem quiseram mais. Trouxeram-lhes água em uma albarrada, provaram cada um o seu bochecho, mas não beberam; apenas lavaram as bocas e lançaram-na fora. Viu um deles umas contas de rosário, brancas; fez sinal que lhas dessem, e folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço; e depois tirou-as e meteu-as em volta do braço, e acenava para a terra e novamente para as contas e para o colar do Capitão, como se dariam ouro por aquilo." (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Carta_de_Pero_Vaz_de_Caminha)

Abaixo, você tem um LivroClip sobre A Carta:



A seguir, uma atividade que mistura diversão e aprendizado: um Caça-Palavras Literário com exercícios sobre trechos da Carta a Dom Manoel:




Para ler toda a carta de Pero Vaz de Caminha, clique aqui.


Chico Pinheiro, Arthur Nestrovski, Zé Miguel Wisnik, música, literatura e futebol...

Arthur Nestrovski e Zé Miguel Wisnik se encontram com Chico Pinheiro para mostrar que o clássico e o popular caminham juntos na música brasileira. Um papo animado sobre música, literatura e futebol. Assista ao programa Sarau, da Globo News, exibido em 20/06/09.



A timbalada do Arcadismo

Cante com o Professor Fábio Moraes e aprenda sobre o Arcadismo Brasileiro...

Prof Fabio Moraes - A timbalada do Arcadismo - Literatura - Musica Vestibular


Eh, Minas Gerais, o Arcadismo é simples demais
Uai, uai, uai, o Arcadismo deixa o exagero pra trás

Escute o que eu vou falar
Pra você não ficar na mão
A fonte de sabedoria do Arcadismo é a razão

Volta à natureza
Com o bucolismo e o pastoralismo
Imitando os clássicos
E também seus princípios latinos
Carpe diem

Eh, Minas Gerais, o Arcadismo é simples demais
Uai, uai, uai, o Arcadismo deixa o exagero pra trás

Seu início com Obras Poéticas
Não esqueça disso não
De Cláudio Manuel da Costa
Poeta de transição
Cláudio era Glauceste
Tomás Antônio, Dirceu
Escreveu pra pastora Marília
Participou da Inconfidência e morreu

Eh, Minas Gerais, o Arcadismo é simples demais
Uai, uai, uai, o Arcadismo deixa o exagero pra trás


Um pequeno conto do escritor argentino Jorge Luis Borges

Tradução: Flávio José Cardozo

Contam os homens dignos de fé (porém Alá sabe mais) que nos primeiros dias houve um rei das ilhas da Babilônia que reuniu os seus arquitetos e magos e lhes mandou construir um labirinto tão complexo e sutil que os varões mais prudentes não se aventuravam a entrar nele, e os que nele entravam se perdiam. Essa obra era um escândalo, pois a confusão e a maravilha são atitudes próprias de Deus e não dos homens. Com o correr do tempo, chegou à corte um rei dos Árabes, e o rei da Babilônia (para zombar da simplicidade do seu hóspede) fez com que ele penetrasse no labirinto, onde vagueou humilhado e confuso até ao fim da tarde. Implorou então o socorro divino e encontrou a saída. Os seus lábios não pronunciaram queixa alguma, mas disse ao rei da Babilônia que tinha na Arábia um labirinto melhor e que, se Deus quisesse, lho daria a conhecer algum dia. Depois regressou à Arábia, juntou os seus capitães e alcaides e arrasou os reinos da Babilônia com tão venturosa fortuna que derrubou os seus castelos, dizimou os seus homens e fez cativo o próprio rei. Amarrou-o sobre um camelo veloz e levou-o para o deserto. Cavalgaram três dias, e disse-lhe: "Oh, rei do tempo e substância e símbolo do século, na Babilônia quiseste-me perder num labirinto de bronze com muitas escadas, portas e muros; agora o Poderoso achou por bem que eu te mostre o meu, onde não há escadas a subir, nem portas a forçar, nem cansativas galerias a percorrer, nem muros que te impeçam os passos".
.
Depois, desatou-lhe as cordas e abandonou-o no meio do deserto, onde morreu de fome e de sede. A glória esteja com Aquele que não morre.


O Teatro Mágico: circo, teatro, literatura popular, poesia e música...

O Teatro Mágico é um grupo musical brasileiro formado em 2003 na cidade de Osasco, São Paulo. O TM é um projeto que reúne elementos do circo, do teatro, da poesia, da música, da literatura e do cancioneiro popular tornando possível a junção de diferentes segmentos artísticos num mesmo espetáculo.

O Teatro Mágico foi criado por Fernando Anitelli, ator, músico e compositor das canções do show. A trupe que o acompanha, foi formada em dezembro de 2003 por amigos e artistas que acreditaram no projeto. De forma independente, sem apoio de gravadora ou campanhas midiáticas, já alcançaram números que muitas bandas "consagradas" não conseguiram ainda. O boca a boca e a Internet foram fundamentais na divulgação do trabalho, cada vez mais conhecido e respeitado, se consolidando como uma das bandas mais importantes da cena independente do Brasil.

Em 6 anos de história, foram mais de 500 shows realizados, média de 1.000 pessoas por apresentação, dois álbuns de estúdio lançados, Entrada para Raros e O Segundo Ato, com mais de 26.000 discos vendidos e um DVD Entrada para Raros - Ao Vivo.

Inspiradas nas obras de Hermann Hesse, escritor alemão ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, as composições tratam dos personagens que as pessoas precisam assumir nas diversas situações do cotidiano. As canções vão sendo intercaladas pelo traçado tecnológico de ruídos telefônicos, sinais de rádio e mensagens de voz. Os integrantes da trupe se apresentam maquiados e vestidos de palhaço, que trazem a idéia do "personagem interno" escondido em cada um de nós.

Apesar de envolver várias expressões artísticas, a linguagem musical e cênica é popular e acessível para todo tipo de público, independente de idade e classe social.

Embalando todas as canções, destacam-se: violões, violino, guitarra, baixo, percussão, flauta, DJs, gaita, xilofone, bateria, bandolim e sonoplastia. São 10 músicos e 3 artistas circenses, e algumas participações esporádicas como a da percussionista Simone Soul (Funk Como Le Gusta) e de alguns músicos do grupo pernambucano Cordel do Fogo Encantado, que também participaram da gravação do CD.

Em 19 de abril de 2008, o grupo se apresentou no programa Altas Horas, da Rede Globo, com uma apresentação circense, o grupo cantou "Camarada d’água" no programa. Em 18 de Junho de 2008, três anos depois do lançamento de seu primeiro álbum, O Teatro Mágico fez o lançamento de seu segundo álbum de estúdio, intitulado O Teatro Mágico: Segundo Ato.

No dia 28 de março de 2009, voltaram a se apresentar no programa Altas Horas, cantando duas canções do novo álbum, "Pena" e "Mérito e o Monstro". O programa contou também com a presença da apresentadora Xuxa Meneguel e da cantora Ivete Sangalo, que também se embalaram ao som da trupe.
Fonte: pt.wikipedia.org/wiki/O_Teatro_Mágico
Para conhecer mais sobre O Teatro Mágico, acesse o site do grupo clicando aqui.


De quando Peter Pan descobriu o novo da Literatura





Esse artigo é de minha autoria... Foi escrito como avaliação final da disciplina Literatura Brasileira 4, ministrada no segundo semestre de 2000, pelo Prof. Pós-Dr. Eduardo José Tollendal. Como foi pensado "para ser uma prova", não existem referências bibliográficas, pois as mesmas se perderam com o tempo. Coloco aqui, porque acho a discussão interessante, já que nos dias de hoje, inúmeras pessoas não se permitem crescer enquanto leitores.






De quando Peter Pan descobriu o novo da Literatura
José Ricardo Lima



É inegável o fato de que o conhecimento humano evoluiu de maneira assombrosa nos últimos tempos, a ponto de alguns espíritos com pendor à estagnação serem surpreendidos por esse desenvolvimento e chegarem a temer modernidades obsoletas como o fax, o microondas, o computador, entre outros, simplesmente por se negarem a conhecê-las com mais profundidade. Esse medo inexplicável do novo, conhecido desde Platão e sua “Alegoria da Caverna”, aplica-se também à Literatura, já que ela é parte importante desse conhecimento.

Diante disso, o presente texto tem como objetivo apontar momentos distintos da evolução, não somente da Literatura, mas principalmente de quem dela se alimenta: o leitor; tendo como exemplo de literatura “evoluída”, contos de alguns autores da segunda metade do século XX como João Guimarães Rosa, Dalton Trevisan e Rubem Fonseca e como exemplo de escritores que “estancaram” no tempo, um momento da literatura folhetinesca moderna, de Ely Arruda, publicado na revista feminina Capricho, na década de 1970. Assim, se questionará o porquê de alguns leitores preferirem um lado em detrimento do outro, partindo da hipótese de que a Literatura “evoluiu” de uma maneira tal, que parte do público não quis ou não pôde acompanhar essa evolução.

Para tornar factível tal proposta, pensar-se-á na “idade” da Literatura comparada à idade do ser humano. Ela nasce com as tradições orais e vai evoluindo ao longo do tempo, firmando-se como registro dessas tradições e continuando seu percurso até atingir a “maioridade” com o Renascimento, os “30 anos” com o Romantismo, os “50 anos” com o Realismo e evolui mais ainda, sempre fazendo uso de uma língua. Quando a Literatura supera a língua materna do escritor e este, para continuar seu trabalho tem que recriar tal idioma ou se apropriar de estruturas de uma língua estrangeira, a Literatura atinge sua velhice. Uma velhice lúcida e consciente. De acordo com tal conceito, Ely Arruda se classifica como um escritor de “30 anos”, pois seu texto é semelhante aos folhetins do Romantismo do século XIX. Rubem Fonseca e Dalton Trevisan estão próximos dos “75” e Guimarães Rosa perto dos “90”, quem sabe “100”.

No que se refere ao leitor, podemos dizer que ele “nasce” de uma forma passiva, quando ouve de outrem os famosos contos maravilhosos, presentes na infância de quase todas as pessoas. Com a alfabetização, começa a trilhar sozinho o caminho da leitura. Se ele for “destemido” certamente crescerá a cada dia e chegará à sua velhice como leitor, superando as barreiras trazidas pelo novo da Literatura. Mas ele pode se “negar a crescer”, dando origem ao que chamo de “leitor Peter Pan”, que por temer o desconhecido continuará a habitar sua “Never Land” literária.

Mas o que é o novo? Ora, o novo pode ser simplesmente a quebra de linearidade do enredo, o não existir de um happy ending, a opção pelo tempo psicológico, uma maior profundidade na estruturação das personagens et coetera.

No caso de Rubem Fonseca, este novo se constituirá na narrativa em primeira pessoa, utilizando a linguagem do narrador, como no conto “Desempenho”, onde são empregados termos chulos como: “Tento ver as pessoas na arquibancada, filhos das putas, cornos, viados, marafonas, cagões, covardes, chupadores – me dá vontade de tirar o pau pra fora e sacudir na cara deles”. Esses termos causam estranhamento em quem lê, mas se justificam por fazerem parte do vocabulário do narrador, um lutador de luta livre. Tem-se algo semelhante em “Lúcia McCartney”, onde o vocabulário de uma garota de programa se faz presente: "Eu também tiro a roupa e nos deitamos, ele dizendo que não me quer, mas me papando assim mesmo.” O novo será também a proximidade com o texto jornalístico, como vemos em “Relato de uma ocorrência em que qualquer semelhança não é mera coincidência”, onde são retratadas a fome e a miséria humanas, superando o sentimento de solidariedade para com as vítimas de um acidente de automóvel. Será também a proximidade com a estrutura de um poema e a zoomorfização de um corpo de mulher expelido pelo mar, que é tratado como um simples objeto como em “Os inocentes”. Será ainda em “Lúcia McCartney”, a presença de cenas subjetivas, diálogos inventados, falas dentro de chaves, que ampliam as possibilidades de entendimento. Tudo isso contribuirá para que o “leitor Peter Pan” feche seu livro e não queira sair de sua inércia.

Em relação a Dalton Trevisan, o novo se dará com a perversão da sexualidade humana retratada em “Idílio campestre”, onde nos é narrado um estupro seguido, provavelmente, da morte da personagem ou a crítica à instituição do casamento através da carnavalização do mesmo, como acontece em “Paixão de corneteiro” e em “Ismênia, moça donzela”. O novo será a abertura de enredo, uma indefinição no desfecho da narrativa, presente tanto em “Idílio...” como em “Eis a primavera” e nesse segundo conto, a exposição da mesquinhez humana representada por uma mulher que não oferece uma morte digna ao marido. É novo também a narrativa fragmentada, epistolar presente em “Ismênia...”, onde fazendo uso de vários bilhetes, a protagonista mendiga pelo “amor” de seu suposto amante. Como esse “amor” não é correspondido, são revelados os verdadeiros objetivos dos curtos bilhetes: “Te peço por esmola, já que você não quer o meu amor, que me mande qualquer importância para eu dar por uma prestação (...) não quero que você me dê nada de roupa nem comida, só o aluguel da casa, eu já fico satisfeita.” Além disso, a própria temática de Trevisan como o último dia na vida de um doente com câncer, um estupro, as relações amorosas e financeiras de um casal, já constituem, para muitos, um novo. Tecendo-se uma análise onomástica nos contos de Trevisan, pode-se afirmar que nomes como João, Maria e Antonio, servem para acentuar o anonimato e nunca a individualidade de suas personagens, que são apenas tipos, representações de classes específicas. Neste caso, mesmo que vença o “leitor Peter Pan” todas as barreira impostas pelo texto, ao se identificar com tais personagens, ele foge, se esconde, volta para sua “Never Land”, pois em sua opinião, um indivíduo como ele não pode ser retratado pela Literatura. Apenas os grandes heróis é que merecem tal “homenagem”.

Mas este novo está presente com mais intensidade em Guimarães Rosa, que representa a velhice da Literatura, o momento em que a língua tornou-se pequena demais para expressá-la. O novo se dá com o travessão colocado no início do conto “Meu tio o Iauaretê” e do romance “Grande Sertão: Veredas”, que serve para “indicar o monólogo isolado do diálogo que o narrador sustenta com alguém”, nas palavras da professora Walnice Galvão. Está, como também em Rubem Fonseca, na narrativa em primeira pessoa que ressalta a linguagem de quem narra. Está na apropriação da sintaxe de línguas estrangeiras presente em seus textos, na criação de substantivos através da aglutinação de vocábulos pertencentes a vários idiomas, na recriação de termos do Português, na mudança de classe gramatical de certas palavras, num amálgama entre regionalismo e universalismo, na união de línguas para retornar, segundo o próprio Rosa, a uma língua pré-babélica. O novo está na temática, voltada para a “desumanização”, o repúdio à vida social, que pode ser vislumbrado em “A terceira margem do rio” e “Meu tio, o Iauaretê”. O novo em Rosa, está na densidade psicológica de um enredo aparentemente simples como em “Famigerado”, na quantidade exagerada de reticências, que poderiam ser substituídas pela fala de Mecê em “Meu tio...” ou ainda no final surpreendente de “Os irmãos Dagobé”, onde há presença de um anticlímax, que frustra o leitor viciado à narrativa de moldes românticos.

Mas onde está o novo em Ely Arruda? Praticamente não existe. Seu texto é a mímese de uma literatura romanesca, apresentada em jornais, no século XIX e em revistas teens neste limiar de milênio. O enredo “água com açúcar” poderia ser aceito na época do Romantismo, que ao contrário do que afirmaram os precursores do movimento modernista de 1922, teve seu valor, pois contribuiu para que nossa Literatura pudesse crescer enquanto arte. Mas quando é encontrado esse enredo em textos que datam do último quartel do século XX, pode-se afirmar que, quem o escreveu recusou-se a crescer enquanto escritor, assumindo também a personalidade “Peter Pan”.

Quando se encontram o escritor e o leitor que assumiram para si essa identidade, ocorre uma perfeita união e ambos trilham, de mãos dadas, o que a professora Libia Beider chamou, numa análise ao romance que se aplica também a qualquer texto narrativo, de “a narrativa da aventura”, ou seja, um texto que tem como objetivo “fascinar o leitor pelas paixões, idéias, acontecimentos, ações, peripécias da própria vida ou uma vida fantástica que comove e emociona, enquanto que o texto, em sua transparência, tende a desaparecer.” Diante disso, surgem o enredo previsível, as coincidências absurdas, a falta de necessidade de se explicar os acontecimentos, atribuindo-os simplesmente à Providência Divina, em suma, uma inverossimilhança que pode ser constatada no conto “Alô ? Quem fala?”.

Quando o “leitor Peter Pan” se encontra com tal literatura e dela vai se alimentando, passa a não querer um algo mais, satisfazendo-se com aquele texto. E quanto mais isso acontecer, mais dificultoso será para ele um crescimento como leitor, pois “o processo de compreensão de um texto se dá mediante o conhecimento lingüístico, o textual, o conhecimento de mundo. Assim, o leitor consegue construir o sentido do texto”, como coloca a lingüista Ângela Kleimam. E em complemento a ela, Eli Paucinelli Orlandi, da UNICAMP , nos lembra que “leituras já feitas configuram , dirigem (...) a compreensão do leitor, tanto a sedimentação de sentidos como a intertextualidade, como fatores constitutivos de sua produção.” Com isso, é perceptível que para alguém desabituado à leitura, compreender um texto como os contos aqui comentados, ele tem que tomar para si o exercício da leitura, (o que constitui um círculo vicioso, já que ele não lê) para que conheça com mais profundidade os percursos da arte literária.

Entretanto, é justamente aqui que o leitor se atrapalha. Pois o exercício da leitura implica em ação, em tomada de consciência e o homem moderno, cada vez mais mecanizado, robotizado, não tem em sua “programação” o hábito de “pensar”. E mais que isso: ele não quer sair de seu estado inerte.

Enquanto o leitor não se desvencilhar desse estado, vai continuar sem conhecer o mundo que a Literatura nos traz. De nada adianta as pessoas tentarem convencê-lo. Como no “Mito da Caverna”, ele não vai acreditar na existência de um mundo diferente de seu mundo de sombras. E vai continuar ali, preso, acorrentado pelo medo do novo. Um novo que é infinito, enquanto é infinita a Literatura. A única (?) coisa que podemos fazer, é libertá-lo, oferecendo a ele textos que quebrem essas correntes. Mas a palavra final não cabe a nós. É ele quem deve usar seu livre arbítrio para quebrar as correntes que o impedem de conhecer o desconhecido.


Chico Buarque: música, literatura, teatro e cinema. Um artista completo!

Francisco Buarque de Hollanda, conhecido como Chico Buarque (Rio de Janeiro, 19 de junho de 1944) é um músico, dramaturgo e escritor brasileiro. Filho do historiador Sérgio Buarque de Holanda, iniciou sua carreira na década de 1960, destacando-se em 1966, quando venceu, com a canção A Banda, o Festival de Música Popular Brasileira. Em 1969, com a crescente repressão da Ditadura Militar no Brasil, se auto-exilou na Itália, tornando-se, ao retornar, um dos artistas mais ativos na crítica política e na luta pela democratização do Brasil. Na carreira literária, foi ganhador do Prêmio Jabuti, pelo livro Budapeste, lançado em 2004.

Casou-se com e separou-se da atriz Marieta Severo, com quem teve três filhas: Sílvia, que é atriz e casada com Chico Diaz, Helena, casada com o percussionista Carlinhos Brown e Luísa. É irmão das cantoras Miúcha, Ana de Hollanda e Cristina. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Chico_Buarque)

É assim que a Wikipedia nos apresenta esse que é, incontestavelmente, um dos maiores nomes da nossa cultura. Além de uma extensa discografia, que começa no ano de 1966, Chico se destaca também pelos livros, peças e filmes que escreveu. São eles:

Livros:
·
Fazenda Modelo
·
Chapeuzinho Amarelo
·
A bordo do Rui Barbosa (ilustrações de Vallandro Keating)
·
Estorvo (primeiro romance)
·
Benjamim
·
Budapeste
·
Leite Derramado


Peças
• 1967/8: Roda Viva
• 1973: Calabar (co-escrita com Ruy Guerra)
• 1975: Gota d'água
• 1978: Ópera do Malandro
• 1983: O Grande Circo Místico

Filmes
• 1972: Quando o carnaval chegar (co-autor)
• 1983: Para viver um grande amor (co-autor)
• 1985: Ópera do Malandro


Abaixo, você encontra um LivroClip sobre um dos assuntos mais explorados na obra de Chico Buarque: a mulher. E ainda um vídeo de uma de suas mais belas canções: Joana Francesa, com trechos em Português e Francês... Vale a pena conferir. Para conhecer melhor a obra de Chico Buarque, visite seu site do portal UOL , clicando aqui.








 
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