GESSO (08/12/2003)

O que em mim pensa ‘stá sentindo
Saudades de quem desconheço
Mas amo — e errante eu vou indo —
Um corpo moldado de gesso

O corpo lá está, ele existe
O rosto, ainda não feito,
Sorri, seu sorriso que é triste
Esconde-o, sem sonho, sem jeito

E se esse rosto, aos poucos
Se molda e se vai revelando
Os pingos lhe caem como loucos
E a chuva o destrói nesse quando

Destrói também o corpo todo
Que eu triste remoldo contente
Contente do auto-engodo
De amar o meu gesso de gente

 
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