SONETO DA ALMA MORTA (15/11/2003)

Quando Ela bater em minha porta
Foice na mão, num dominó vestida
Restar-me-á somente a despedida
Da esquerda vida, da existência torta

Que chegue até agora, não me importa
Saber se ainda resta a pouca lida
Não tenho nada mais que ver com a vida
Pois em mim vive é uma alma morta

Morreu, na areia fria de um agosto
Se foi, ficando lua dentro em mim
De um mim que morre e que no peito é posto

Chorei, tendo saudades da lacuna —
Que aponta sempre para um triste fim —
Que existe dura, aguda, e assim me puna.

 
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