TRECHO DE EFESTO (1999)

Na cela, de minha janela,
Eu olhava o Amor passeando sozinho.
Assim tão longe, e eu consciente, eu
Via o quanto ele é feio e franzino
Miúdo, parco,
Horrível, disforme e
Manco de uma perna.
O Amor é feio...
Quando nasceu, de tão feio que era,
Foi lançado do Olimpo pela própria mãe
E ele vingou-se aprisionando-a numa cadeira de ouro.
O Amor, visto de longe,
Tem um martelo e tenazes nas mãos
É velho, estranho e barbudo
Controla todos os fogos do mundo
Não controla somente
O fogo do próprio Amor.
Não tem beleza quando o vemos de longe
E se vem puro, disfarçado, não o sentimos.
O Amor, só, em essência, é coxo.

 
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