ÚLTIMO SONETO OU SONETO LIBERTO (31/12/2003)

Findando o ano esse sonetinho
Faz-se presente, sai dessa caneta
Sentir por ele o muito carinho
Não é difícil, vejo-o além da greta

Ele está lá, no limbo, tão sozinho
Grita meu nome para que eu o meta
Neste papel e lhe dê o caminho
Que o traz pro mundo, mesmo que cambeta

Ele precisa então estar nascido
Antes que o ano, esse sim, se finde
Pois teme não poder ter merecido

Aqui crescer, e ele então se cinde
Torna-se dois, o lido e o não-lido
E eu o liberto, sonetinho, vinde!

 
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