CACOS: Um ano de verdade(s)

É... Dois mil e nove já agoniza. Não tem nem mesmo uma semana de vida. Já passou o Natal e nessa época, a cada ano que se esvai, as pessoas que gostam de pensar — e pensando, escrever — pensam e escrevem sobre suas experiências. E pensando, resolvi — também eu — colocar em um texto o meu relacionamento com esses doze meses. Dois mil e nove foi, com certeza, um ano de verdades.

Não sou mentiroso. Odeio mentira — como qualquer mortal que joga no time do bem —, embora minta, saiba mentir, e já tenha me divertido com isso. Mas quando digo que eu disse a verdade nesse ano, estou dizendo que não me omiti. Não escondi meus cacos na canastra. Esse ano, como nunca antes tinha feito, me mostrei inteiramente pra inúmeras pessoas.

Não sei que imagem elas puderam enxergar. Com certeza, não a mesma que eu via no espelho. Aliás, nunca me olhei tanto nele. Nunca parei tanto pra me observar e ver que mesmo querendo o máximo (em tudo!) e me esforçando para consegui-lo (“dando o melhor de mim”, no dizer do senso comum) continuei a ser o mesmo cara. O mesmo sujeito medíocre de sempre. Porque seres humanos como eu e você, têm essa tendência, esse certo pendor à vida mediana.

Mas voltando às verdades (não que no parágrafo anterior eu tenha me afastado delas), esse ano convivi com o melhor e com o pior de mim. Apaixonei-me por mim mesmo e me odiei com todas as forças que me restaram. Chorei rios de lágrimas por sonhos quase irrealizáveis, amores quase impossíveis, maluquices quase sadias. Dei boas risadas, as melhores, observando os outros e me observando também.

Quis virar blogueiro, coloquei uns textos na internet que (graças a Deus!) quase ninguém leu. E em várias vezes, como um verdadeiro artista — que não sou — eu escrevia pra me entender. Escrevia uns “conselhos” pra mim mesmo. Ou seja, rascunhava uma pseudo-literatura de “auto-ajuda” (e nunca esse “auto” teve um significado tão específico), mas nem mesmo eu lia o que postava.

Quis escrever, como tantos blogueiros, sobre as coisas do meu dia-a-dia, mas vi que não podia tirar nada de bom desse ramerrão enfadonho (acho que “ramerrão enfadonho é pleonasmo, mas foda-se, licença “poética”) de acordar de madrugada pra ensinar Literatura pra quem não quer aprender (nem vem, porque a maioria não quer mesmo). Mas acho que o problema está justamente nisso. Não ter o que contar sobre nós num simples blog é o maior mal que poderíamos sofrer nesse início de século.

E é isso que devemos mudar nas nossas vidas. Hoje, pessoas de todas as idades tiram fotos apenas pra colocar no Orkut. Adolescentes tiram mais. Mas os “adultos” também fazem isso. Até eu — gordo, estranho, feio — já fiz isso inúmeras vezes. Portanto, vamos fazer em 2010 esse “exercício”. Que nós possamos viver coisas interessantes, nem que seja apenas pra contá-las a esses internautas que não têm nada pra fazer — uns nem nos viram pessoalmente, embora saibam tudo sobre nós. Vamos viver momentos incríveis, nem que seja apenas pra “aparecer” e mostrar pro outro que “eu sou mais feliz e aproveito melhor a vida do que você”, já que nos preocupamos — não raras vezes — muito mais com a vida dos outros do que com a nossa própria.

Se dois mil e nove foi — pra mim— o “ano DA verdade”, em dois mil e dez eu quero que seja — pra todos nós — um “ano DE verdade” em que a gente não apenas exista, mas que a gente VIVA. Viva!

VIVA DOIS MIL E DEZ, com todas as suas alegrias e tristezas, com todos seus encantos e DEZencantos...


 
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