ACHO QUE VOLTEI...

Acho que voltei... Voltei mais leve. E antes que o vento me leve a leveza, quero aproveitar pra voar... Não sei como serei daqui pra frente, a não ser que serei novo. O oco aos poucos vai sendo preenchido. Não por alguém que sempre ocupava um espaço menor que as minhas intenções. O oco vai sendo preenchido por mim. Mas essa volta se dará aos poucos, pra que antes de me mostrar pra você, eu possa me conhecer novamente.


MEC divulga 40 modelos de questões do Enem 2009



Para resolver estas e questões de outras áreas de meneira simulada, acesse o portal UOL clicando aqui.


Dois e dois: quatro... Um texto de Ferreira Gullar

Como dois e dois são quatro
Sei que a vida vale a pena
Embora o pão seja caro
E a liberdade pequena

Como teus olhos são claros
E a tua pele, morena
Como é azul o oceano
E a lagoa, serena

Como um tempo de alegria
Por trás do terror me acena
E a noite carrega o dia
No seu colo de açucena

Sei que dois e dois são quatro
Sei que a vida vale a pena
Mesmo que o pão seja caro
E a liberdade pequena.


A Carta a El-Rei Dom Manoel, por Pero Vaz de Caminha

A Carta a el-rei D. Manuel sobre o achamento do Brasil, popularmente conhecida como Carta de Pero Vaz de Caminha, é o documento no qual Pero Vaz de Caminha registrou as suas impressões sobre a terra que posteriormente viria a ser chamada de Brasil. É o primeiro documento escrito da história do Brasil sendo, portanto, considerado o marco inicial da obra literária no país.

Escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral, Caminha redigiu a carta para o rei D. Manuel I (1495-1521) para comunicar-lhe o descobrimento das novas terras. Datada de Porto Seguro, no dia 1 de Maio de 1500, foi levada a Lisboa por Gaspar de Lemos, comandante do navio de mantimentos da frota.

A carta conservou-se inédita por mais de dois séculos no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa. Foi descoberta em 1773 por José de Seabra da Silva, noticiada pelo historiador espanhol Juan Bautista Muñoz e publicada, pela primeira vez no Brasil, pelo padre Manuel Aires de Casal na sua Corografia Brasílica (1817).

Em 2005 este documento foi inscrito no Programa Memória do Mundo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

A Carta é exemplo do deslumbramento do europeu diante do Novo Mundo. Contudo, apresenta informações equivocadas. Em princípio, Caminha se desculpa pela Carta, a qual considera "inferior". O escrivão documenta os traços de terra e o momento de vista da terra (quando se avistou o Monte Pascoal, a que deu-se o nome de Terra de Vera Cruz).

Os portugueses seguem até à praia, onde acontece o primeiro contato com os índios, quando os portugueses praticam o primeiro escambo com os índios brasileiros. Menciona-se também o pau-brasil e é narrada a Primeira Missa na nova terra.

Trecho da Carta
"Ali veríeis galantes, pintados de preto e vermelho, e quartejados, assim pelos corpos como pelas pernas, que, certo, assim pareciam bem. Também andavam entre eles quatro ou cinco mulheres, novas, que assim nuas, não pareciam mal. Entre elas andava uma, com uma coxa, do joelho até o quadril e a nádega, toda tingida daquela tintura preta; e todo o resto da sua cor natural. Outra trazia ambos os joelhos com as curvas assim tintas, e também os colos dos pés; e suas vergonhas tão nuas, e com tanta inocência assim descobertas, que não havia nisso desvergonha nenhuma. Todos andam rapados até por cima das orelhas; assim mesmo de sobrancelhas e pestanas. Trazem todos as testas, de fonte a fonte, tintas de tintura preta, que parece uma fita preta da largura de dois dedos. Mostraram-lhes um papagaio pardo que o Capitão traz consigo; tomaram-no logo na mão e acenaram para a terra, como se os houvesse ali. Mostraram-lhes um carneiro; não fizeram caso dele. Mostraram-lhes uma galinha; quase tiveram medo dela, e não lhe queriam pôr a mão. Depois lhe pegaram, mas como espantados. Deram-lhes ali de comer: pão e peixe cozido, confeitos, fartéis, mel, figos passados. Não quiseram comer daquilo quase nada; e se provavam alguma coisa, logo a lançavam fora. Trouxeram-lhes vinho em uma taça; mal lhe puseram a boca; não gostaram dele nada, nem quiseram mais. Trouxeram-lhes água em uma albarrada, provaram cada um o seu bochecho, mas não beberam; apenas lavaram as bocas e lançaram-na fora. Viu um deles umas contas de rosário, brancas; fez sinal que lhas dessem, e folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço; e depois tirou-as e meteu-as em volta do braço, e acenava para a terra e novamente para as contas e para o colar do Capitão, como se dariam ouro por aquilo." (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Carta_de_Pero_Vaz_de_Caminha)

Abaixo, você tem um LivroClip sobre A Carta:



A seguir, uma atividade que mistura diversão e aprendizado: um Caça-Palavras Literário com exercícios sobre trechos da Carta a Dom Manoel:




Para ler toda a carta de Pero Vaz de Caminha, clique aqui.


Chico Pinheiro, Arthur Nestrovski, Zé Miguel Wisnik, música, literatura e futebol...

Arthur Nestrovski e Zé Miguel Wisnik se encontram com Chico Pinheiro para mostrar que o clássico e o popular caminham juntos na música brasileira. Um papo animado sobre música, literatura e futebol. Assista ao programa Sarau, da Globo News, exibido em 20/06/09.



A timbalada do Arcadismo

Cante com o Professor Fábio Moraes e aprenda sobre o Arcadismo Brasileiro...

Prof Fabio Moraes - A timbalada do Arcadismo - Literatura - Musica Vestibular


Eh, Minas Gerais, o Arcadismo é simples demais
Uai, uai, uai, o Arcadismo deixa o exagero pra trás

Escute o que eu vou falar
Pra você não ficar na mão
A fonte de sabedoria do Arcadismo é a razão

Volta à natureza
Com o bucolismo e o pastoralismo
Imitando os clássicos
E também seus princípios latinos
Carpe diem

Eh, Minas Gerais, o Arcadismo é simples demais
Uai, uai, uai, o Arcadismo deixa o exagero pra trás

Seu início com Obras Poéticas
Não esqueça disso não
De Cláudio Manuel da Costa
Poeta de transição
Cláudio era Glauceste
Tomás Antônio, Dirceu
Escreveu pra pastora Marília
Participou da Inconfidência e morreu

Eh, Minas Gerais, o Arcadismo é simples demais
Uai, uai, uai, o Arcadismo deixa o exagero pra trás


Um pequeno conto do escritor argentino Jorge Luis Borges

Tradução: Flávio José Cardozo

Contam os homens dignos de fé (porém Alá sabe mais) que nos primeiros dias houve um rei das ilhas da Babilônia que reuniu os seus arquitetos e magos e lhes mandou construir um labirinto tão complexo e sutil que os varões mais prudentes não se aventuravam a entrar nele, e os que nele entravam se perdiam. Essa obra era um escândalo, pois a confusão e a maravilha são atitudes próprias de Deus e não dos homens. Com o correr do tempo, chegou à corte um rei dos Árabes, e o rei da Babilônia (para zombar da simplicidade do seu hóspede) fez com que ele penetrasse no labirinto, onde vagueou humilhado e confuso até ao fim da tarde. Implorou então o socorro divino e encontrou a saída. Os seus lábios não pronunciaram queixa alguma, mas disse ao rei da Babilônia que tinha na Arábia um labirinto melhor e que, se Deus quisesse, lho daria a conhecer algum dia. Depois regressou à Arábia, juntou os seus capitães e alcaides e arrasou os reinos da Babilônia com tão venturosa fortuna que derrubou os seus castelos, dizimou os seus homens e fez cativo o próprio rei. Amarrou-o sobre um camelo veloz e levou-o para o deserto. Cavalgaram três dias, e disse-lhe: "Oh, rei do tempo e substância e símbolo do século, na Babilônia quiseste-me perder num labirinto de bronze com muitas escadas, portas e muros; agora o Poderoso achou por bem que eu te mostre o meu, onde não há escadas a subir, nem portas a forçar, nem cansativas galerias a percorrer, nem muros que te impeçam os passos".
.
Depois, desatou-lhe as cordas e abandonou-o no meio do deserto, onde morreu de fome e de sede. A glória esteja com Aquele que não morre.


O Teatro Mágico: circo, teatro, literatura popular, poesia e música...

O Teatro Mágico é um grupo musical brasileiro formado em 2003 na cidade de Osasco, São Paulo. O TM é um projeto que reúne elementos do circo, do teatro, da poesia, da música, da literatura e do cancioneiro popular tornando possível a junção de diferentes segmentos artísticos num mesmo espetáculo.

O Teatro Mágico foi criado por Fernando Anitelli, ator, músico e compositor das canções do show. A trupe que o acompanha, foi formada em dezembro de 2003 por amigos e artistas que acreditaram no projeto. De forma independente, sem apoio de gravadora ou campanhas midiáticas, já alcançaram números que muitas bandas "consagradas" não conseguiram ainda. O boca a boca e a Internet foram fundamentais na divulgação do trabalho, cada vez mais conhecido e respeitado, se consolidando como uma das bandas mais importantes da cena independente do Brasil.

Em 6 anos de história, foram mais de 500 shows realizados, média de 1.000 pessoas por apresentação, dois álbuns de estúdio lançados, Entrada para Raros e O Segundo Ato, com mais de 26.000 discos vendidos e um DVD Entrada para Raros - Ao Vivo.

Inspiradas nas obras de Hermann Hesse, escritor alemão ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, as composições tratam dos personagens que as pessoas precisam assumir nas diversas situações do cotidiano. As canções vão sendo intercaladas pelo traçado tecnológico de ruídos telefônicos, sinais de rádio e mensagens de voz. Os integrantes da trupe se apresentam maquiados e vestidos de palhaço, que trazem a idéia do "personagem interno" escondido em cada um de nós.

Apesar de envolver várias expressões artísticas, a linguagem musical e cênica é popular e acessível para todo tipo de público, independente de idade e classe social.

Embalando todas as canções, destacam-se: violões, violino, guitarra, baixo, percussão, flauta, DJs, gaita, xilofone, bateria, bandolim e sonoplastia. São 10 músicos e 3 artistas circenses, e algumas participações esporádicas como a da percussionista Simone Soul (Funk Como Le Gusta) e de alguns músicos do grupo pernambucano Cordel do Fogo Encantado, que também participaram da gravação do CD.

Em 19 de abril de 2008, o grupo se apresentou no programa Altas Horas, da Rede Globo, com uma apresentação circense, o grupo cantou "Camarada d’água" no programa. Em 18 de Junho de 2008, três anos depois do lançamento de seu primeiro álbum, O Teatro Mágico fez o lançamento de seu segundo álbum de estúdio, intitulado O Teatro Mágico: Segundo Ato.

No dia 28 de março de 2009, voltaram a se apresentar no programa Altas Horas, cantando duas canções do novo álbum, "Pena" e "Mérito e o Monstro". O programa contou também com a presença da apresentadora Xuxa Meneguel e da cantora Ivete Sangalo, que também se embalaram ao som da trupe.
Fonte: pt.wikipedia.org/wiki/O_Teatro_Mágico
Para conhecer mais sobre O Teatro Mágico, acesse o site do grupo clicando aqui.


De quando Peter Pan descobriu o novo da Literatura





Esse artigo é de minha autoria... Foi escrito como avaliação final da disciplina Literatura Brasileira 4, ministrada no segundo semestre de 2000, pelo Prof. Pós-Dr. Eduardo José Tollendal. Como foi pensado "para ser uma prova", não existem referências bibliográficas, pois as mesmas se perderam com o tempo. Coloco aqui, porque acho a discussão interessante, já que nos dias de hoje, inúmeras pessoas não se permitem crescer enquanto leitores.






De quando Peter Pan descobriu o novo da Literatura
José Ricardo Lima



É inegável o fato de que o conhecimento humano evoluiu de maneira assombrosa nos últimos tempos, a ponto de alguns espíritos com pendor à estagnação serem surpreendidos por esse desenvolvimento e chegarem a temer modernidades obsoletas como o fax, o microondas, o computador, entre outros, simplesmente por se negarem a conhecê-las com mais profundidade. Esse medo inexplicável do novo, conhecido desde Platão e sua “Alegoria da Caverna”, aplica-se também à Literatura, já que ela é parte importante desse conhecimento.

Diante disso, o presente texto tem como objetivo apontar momentos distintos da evolução, não somente da Literatura, mas principalmente de quem dela se alimenta: o leitor; tendo como exemplo de literatura “evoluída”, contos de alguns autores da segunda metade do século XX como João Guimarães Rosa, Dalton Trevisan e Rubem Fonseca e como exemplo de escritores que “estancaram” no tempo, um momento da literatura folhetinesca moderna, de Ely Arruda, publicado na revista feminina Capricho, na década de 1970. Assim, se questionará o porquê de alguns leitores preferirem um lado em detrimento do outro, partindo da hipótese de que a Literatura “evoluiu” de uma maneira tal, que parte do público não quis ou não pôde acompanhar essa evolução.

Para tornar factível tal proposta, pensar-se-á na “idade” da Literatura comparada à idade do ser humano. Ela nasce com as tradições orais e vai evoluindo ao longo do tempo, firmando-se como registro dessas tradições e continuando seu percurso até atingir a “maioridade” com o Renascimento, os “30 anos” com o Romantismo, os “50 anos” com o Realismo e evolui mais ainda, sempre fazendo uso de uma língua. Quando a Literatura supera a língua materna do escritor e este, para continuar seu trabalho tem que recriar tal idioma ou se apropriar de estruturas de uma língua estrangeira, a Literatura atinge sua velhice. Uma velhice lúcida e consciente. De acordo com tal conceito, Ely Arruda se classifica como um escritor de “30 anos”, pois seu texto é semelhante aos folhetins do Romantismo do século XIX. Rubem Fonseca e Dalton Trevisan estão próximos dos “75” e Guimarães Rosa perto dos “90”, quem sabe “100”.

No que se refere ao leitor, podemos dizer que ele “nasce” de uma forma passiva, quando ouve de outrem os famosos contos maravilhosos, presentes na infância de quase todas as pessoas. Com a alfabetização, começa a trilhar sozinho o caminho da leitura. Se ele for “destemido” certamente crescerá a cada dia e chegará à sua velhice como leitor, superando as barreiras trazidas pelo novo da Literatura. Mas ele pode se “negar a crescer”, dando origem ao que chamo de “leitor Peter Pan”, que por temer o desconhecido continuará a habitar sua “Never Land” literária.

Mas o que é o novo? Ora, o novo pode ser simplesmente a quebra de linearidade do enredo, o não existir de um happy ending, a opção pelo tempo psicológico, uma maior profundidade na estruturação das personagens et coetera.

No caso de Rubem Fonseca, este novo se constituirá na narrativa em primeira pessoa, utilizando a linguagem do narrador, como no conto “Desempenho”, onde são empregados termos chulos como: “Tento ver as pessoas na arquibancada, filhos das putas, cornos, viados, marafonas, cagões, covardes, chupadores – me dá vontade de tirar o pau pra fora e sacudir na cara deles”. Esses termos causam estranhamento em quem lê, mas se justificam por fazerem parte do vocabulário do narrador, um lutador de luta livre. Tem-se algo semelhante em “Lúcia McCartney”, onde o vocabulário de uma garota de programa se faz presente: "Eu também tiro a roupa e nos deitamos, ele dizendo que não me quer, mas me papando assim mesmo.” O novo será também a proximidade com o texto jornalístico, como vemos em “Relato de uma ocorrência em que qualquer semelhança não é mera coincidência”, onde são retratadas a fome e a miséria humanas, superando o sentimento de solidariedade para com as vítimas de um acidente de automóvel. Será também a proximidade com a estrutura de um poema e a zoomorfização de um corpo de mulher expelido pelo mar, que é tratado como um simples objeto como em “Os inocentes”. Será ainda em “Lúcia McCartney”, a presença de cenas subjetivas, diálogos inventados, falas dentro de chaves, que ampliam as possibilidades de entendimento. Tudo isso contribuirá para que o “leitor Peter Pan” feche seu livro e não queira sair de sua inércia.

Em relação a Dalton Trevisan, o novo se dará com a perversão da sexualidade humana retratada em “Idílio campestre”, onde nos é narrado um estupro seguido, provavelmente, da morte da personagem ou a crítica à instituição do casamento através da carnavalização do mesmo, como acontece em “Paixão de corneteiro” e em “Ismênia, moça donzela”. O novo será a abertura de enredo, uma indefinição no desfecho da narrativa, presente tanto em “Idílio...” como em “Eis a primavera” e nesse segundo conto, a exposição da mesquinhez humana representada por uma mulher que não oferece uma morte digna ao marido. É novo também a narrativa fragmentada, epistolar presente em “Ismênia...”, onde fazendo uso de vários bilhetes, a protagonista mendiga pelo “amor” de seu suposto amante. Como esse “amor” não é correspondido, são revelados os verdadeiros objetivos dos curtos bilhetes: “Te peço por esmola, já que você não quer o meu amor, que me mande qualquer importância para eu dar por uma prestação (...) não quero que você me dê nada de roupa nem comida, só o aluguel da casa, eu já fico satisfeita.” Além disso, a própria temática de Trevisan como o último dia na vida de um doente com câncer, um estupro, as relações amorosas e financeiras de um casal, já constituem, para muitos, um novo. Tecendo-se uma análise onomástica nos contos de Trevisan, pode-se afirmar que nomes como João, Maria e Antonio, servem para acentuar o anonimato e nunca a individualidade de suas personagens, que são apenas tipos, representações de classes específicas. Neste caso, mesmo que vença o “leitor Peter Pan” todas as barreira impostas pelo texto, ao se identificar com tais personagens, ele foge, se esconde, volta para sua “Never Land”, pois em sua opinião, um indivíduo como ele não pode ser retratado pela Literatura. Apenas os grandes heróis é que merecem tal “homenagem”.

Mas este novo está presente com mais intensidade em Guimarães Rosa, que representa a velhice da Literatura, o momento em que a língua tornou-se pequena demais para expressá-la. O novo se dá com o travessão colocado no início do conto “Meu tio o Iauaretê” e do romance “Grande Sertão: Veredas”, que serve para “indicar o monólogo isolado do diálogo que o narrador sustenta com alguém”, nas palavras da professora Walnice Galvão. Está, como também em Rubem Fonseca, na narrativa em primeira pessoa que ressalta a linguagem de quem narra. Está na apropriação da sintaxe de línguas estrangeiras presente em seus textos, na criação de substantivos através da aglutinação de vocábulos pertencentes a vários idiomas, na recriação de termos do Português, na mudança de classe gramatical de certas palavras, num amálgama entre regionalismo e universalismo, na união de línguas para retornar, segundo o próprio Rosa, a uma língua pré-babélica. O novo está na temática, voltada para a “desumanização”, o repúdio à vida social, que pode ser vislumbrado em “A terceira margem do rio” e “Meu tio, o Iauaretê”. O novo em Rosa, está na densidade psicológica de um enredo aparentemente simples como em “Famigerado”, na quantidade exagerada de reticências, que poderiam ser substituídas pela fala de Mecê em “Meu tio...” ou ainda no final surpreendente de “Os irmãos Dagobé”, onde há presença de um anticlímax, que frustra o leitor viciado à narrativa de moldes românticos.

Mas onde está o novo em Ely Arruda? Praticamente não existe. Seu texto é a mímese de uma literatura romanesca, apresentada em jornais, no século XIX e em revistas teens neste limiar de milênio. O enredo “água com açúcar” poderia ser aceito na época do Romantismo, que ao contrário do que afirmaram os precursores do movimento modernista de 1922, teve seu valor, pois contribuiu para que nossa Literatura pudesse crescer enquanto arte. Mas quando é encontrado esse enredo em textos que datam do último quartel do século XX, pode-se afirmar que, quem o escreveu recusou-se a crescer enquanto escritor, assumindo também a personalidade “Peter Pan”.

Quando se encontram o escritor e o leitor que assumiram para si essa identidade, ocorre uma perfeita união e ambos trilham, de mãos dadas, o que a professora Libia Beider chamou, numa análise ao romance que se aplica também a qualquer texto narrativo, de “a narrativa da aventura”, ou seja, um texto que tem como objetivo “fascinar o leitor pelas paixões, idéias, acontecimentos, ações, peripécias da própria vida ou uma vida fantástica que comove e emociona, enquanto que o texto, em sua transparência, tende a desaparecer.” Diante disso, surgem o enredo previsível, as coincidências absurdas, a falta de necessidade de se explicar os acontecimentos, atribuindo-os simplesmente à Providência Divina, em suma, uma inverossimilhança que pode ser constatada no conto “Alô ? Quem fala?”.

Quando o “leitor Peter Pan” se encontra com tal literatura e dela vai se alimentando, passa a não querer um algo mais, satisfazendo-se com aquele texto. E quanto mais isso acontecer, mais dificultoso será para ele um crescimento como leitor, pois “o processo de compreensão de um texto se dá mediante o conhecimento lingüístico, o textual, o conhecimento de mundo. Assim, o leitor consegue construir o sentido do texto”, como coloca a lingüista Ângela Kleimam. E em complemento a ela, Eli Paucinelli Orlandi, da UNICAMP , nos lembra que “leituras já feitas configuram , dirigem (...) a compreensão do leitor, tanto a sedimentação de sentidos como a intertextualidade, como fatores constitutivos de sua produção.” Com isso, é perceptível que para alguém desabituado à leitura, compreender um texto como os contos aqui comentados, ele tem que tomar para si o exercício da leitura, (o que constitui um círculo vicioso, já que ele não lê) para que conheça com mais profundidade os percursos da arte literária.

Entretanto, é justamente aqui que o leitor se atrapalha. Pois o exercício da leitura implica em ação, em tomada de consciência e o homem moderno, cada vez mais mecanizado, robotizado, não tem em sua “programação” o hábito de “pensar”. E mais que isso: ele não quer sair de seu estado inerte.

Enquanto o leitor não se desvencilhar desse estado, vai continuar sem conhecer o mundo que a Literatura nos traz. De nada adianta as pessoas tentarem convencê-lo. Como no “Mito da Caverna”, ele não vai acreditar na existência de um mundo diferente de seu mundo de sombras. E vai continuar ali, preso, acorrentado pelo medo do novo. Um novo que é infinito, enquanto é infinita a Literatura. A única (?) coisa que podemos fazer, é libertá-lo, oferecendo a ele textos que quebrem essas correntes. Mas a palavra final não cabe a nós. É ele quem deve usar seu livre arbítrio para quebrar as correntes que o impedem de conhecer o desconhecido.


Chico Buarque: música, literatura, teatro e cinema. Um artista completo!

Francisco Buarque de Hollanda, conhecido como Chico Buarque (Rio de Janeiro, 19 de junho de 1944) é um músico, dramaturgo e escritor brasileiro. Filho do historiador Sérgio Buarque de Holanda, iniciou sua carreira na década de 1960, destacando-se em 1966, quando venceu, com a canção A Banda, o Festival de Música Popular Brasileira. Em 1969, com a crescente repressão da Ditadura Militar no Brasil, se auto-exilou na Itália, tornando-se, ao retornar, um dos artistas mais ativos na crítica política e na luta pela democratização do Brasil. Na carreira literária, foi ganhador do Prêmio Jabuti, pelo livro Budapeste, lançado em 2004.

Casou-se com e separou-se da atriz Marieta Severo, com quem teve três filhas: Sílvia, que é atriz e casada com Chico Diaz, Helena, casada com o percussionista Carlinhos Brown e Luísa. É irmão das cantoras Miúcha, Ana de Hollanda e Cristina. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Chico_Buarque)

É assim que a Wikipedia nos apresenta esse que é, incontestavelmente, um dos maiores nomes da nossa cultura. Além de uma extensa discografia, que começa no ano de 1966, Chico se destaca também pelos livros, peças e filmes que escreveu. São eles:

Livros:
·
Fazenda Modelo
·
Chapeuzinho Amarelo
·
A bordo do Rui Barbosa (ilustrações de Vallandro Keating)
·
Estorvo (primeiro romance)
·
Benjamim
·
Budapeste
·
Leite Derramado


Peças
• 1967/8: Roda Viva
• 1973: Calabar (co-escrita com Ruy Guerra)
• 1975: Gota d'água
• 1978: Ópera do Malandro
• 1983: O Grande Circo Místico

Filmes
• 1972: Quando o carnaval chegar (co-autor)
• 1983: Para viver um grande amor (co-autor)
• 1985: Ópera do Malandro


Abaixo, você encontra um LivroClip sobre um dos assuntos mais explorados na obra de Chico Buarque: a mulher. E ainda um vídeo de uma de suas mais belas canções: Joana Francesa, com trechos em Português e Francês... Vale a pena conferir. Para conhecer melhor a obra de Chico Buarque, visite seu site do portal UOL , clicando aqui.








SLIDES: Arcadismo Brasileiro

Abaixo, os slides sobre o Arcadismo Brasileiro:



Milk Shakespeare: a mistura de Shakespeare com grafite

Esse aqui é em homenagem ao grande amigo-irmão Prof. Aluísio Brandão...

“Júlio César” é uma tragédia de 1599 e retrata a conspiração contra o imperador romano que culminou com o seu assassinato. Júlio César, no entanto, não é o protagonista da história e aparece apenas três vezes na peça, pois é morto no começo do terceiro ato. O personagem principal é Brutus, que debate com temas como honra, patriotismo e amizade. A peça reflete a inquietação popular com relação à sucessão do poder na Inglaterra, durante o reinado de Elisabeth.

Vale a pena ler...



DICA DE CINEMA: Sociedade dos poetas mortos

Sociedade dos poetas Mortos

O filme "Sociedade dos Poetas Mortos" mostra as relações de um professor e ex-aluno da Welton Academy, vivido por Robin Williams, com uma turma de adolescentes cheios de sonhos e vontade de viver intensamente. Entretanto, encontram-se inseridos em um sistema acadêmico rígido e autoritário, não permitindo-os, com o pleno auxílio de suas famílias, buscarem outras oportunidades externas às impostas pela instituição de ensino preparatória para a universidade, referíndo-se a atualidade brasileira, seria uma escola secundarista técnica.

A quebra dos estereótipos educacionais proposta pelo professor em questão, John Keating, remete os alunos a novas possibilidades e visualizações acerca do mundo em que vivem, ou que deveriam viver. Isso faz brotar nos jovens novos sentimentos, sempre com o insistente auxílio de John Keating pela quebra de barreiras impostas pela sociedade, família e instituição, o que fica bem claro com a morte da personagem Neil Perry, que se remete à vida enquanto ela ainda lhe oferece possibilidades de proveito a cada momento, relação direta com uma frase muito usual na trama: Carpe Diem (aproveite o dia). Ela é sacrificada em suicídio pela causa mais justa relatada no filme, a truculência contra os anseios pessoais e imposições profissionalizantes, educacionais, capitalistas, enfim, que são expoentes da sociedade global mundial. Nos 129 minutos de filme, são mostrados a importância dos sentimentos humanos que superam quaisquer imposições sociais, é o íntimo de cada pessoa sendo mais valorizado que as regras impostas pelo coletivo, é a quebra para a renovação. Entretanto, a aparente quebra de regras, mostradas como sendo o eixo central da trama, se contradiz com a própria formação da Sociedade dos Poetas Mortos, onde todos têm que ler poemas, produzir versos, reunir-se em horários definidos, entre outras, para se tornarem membros efetivos. A Sociedade referencia poemas de autores renomados e dos próprio personagens, como sendo renovadores e estimuladores de ações e pensamentos.



O drama é muito bem construído, com imagens fortes que retiram dos atores os sentimentos que precisavam se mostrar encobertos. Robin Williams, como é de praxe, submete os pensamentos dos espectadores a uma introspecção e auto valorização humana. A escolha de uma instituição preparatória ortodoxa foi muito bem explorada, já que, tradicionalmente, os pensamentos acerca de um local como este remete a todos a um ambiente fechado, com regimentos fortes e invioláveis, truculento e altamente insensível com o ser humano. Todos estão ali pela instituição, que dá em troca a sustentação necessária para sobreviver no mundo cada vez mais individualista.

Fonte: http://pt.shvoong.com/books/1669332-sociedade-dos-poetas-mortos/

Leia um artigo sobre esse filme clicando aqui.



PARA SABER MAIS: Concretismo

Concretismo foi um movimento vanguardista surgido em 1950, inicialmente na música e depois na poesia e nas artes plásticas.

Defendia a racionalidade e rejeitava o Expressionismo, o acaso, a abstração lírica e aleatória. Nas obras surgidas no movimento, não há intimismo nem preocupação com o tema, seu intuito era acabar com a distinção entre forma e conteúdo e criar uma nova linguagem.

Durante a década de 1960, poetas e músicos do movimento passaram a se envolver em temas sociais, geralmente sem influência na obra, sendo somente uma ligação pessoal. As obras passaram a ser mais preocupadas com a inovação da linguagem. A poesia concreta tem em Vladimir Mayakovsky um grande expoente. O poeta russo afirmava que não há arte revolucionária sem forma revolucionária.

Mais alguns nomes do Concretismo:
Augusto de Campos
Décio Pignatari
Haroldo de Campos
Luiz Sacilotto
Emanuel Félix

Fonte: pt.wikipedia.org/wiki/Concretismo

Para saber mais sobre o assunto, clique:
AUGUSTO DE CAMPOS NO UOL
JORNAL DE POESIA
CONCRETISMO.ZIP.NET

Abaixo, um curta-metragem de animação elaborado a partir de cinco poemas concretos:



JOGO: Encontre uma pedra no caminho de Drummond



Vamos ajudar Carlos Drummond de Andrade a achar a sua tão famosa pedra. Apenas 80 segundos...


VÍDEO: Acervo da biblioteca britânica está disponível na internet

Segunda-feira, 13/07/2009
A biblioteca britânica disponibilizou na web um acervo gigante de livros, jornais, artigos. São aproximadamente 150 milhões de fontes de informação. Tudo ao alcance em qualquer lugar do mundo.



Vídeo sobre Machado de Assis

Abaixo, um interessante vídeo sobre a vida de nosso maior escritor, Machado de Assis...



Orkut e Twitter ecoam opiniões na internet

As redes sociais dão mais poder de voz ao consumidor e influenciam na escolha de marcas, produtos e serviços



Quer comprar alguma coisa através da internet e não está seguro sobre a confiabilidade do site de comércio eletrônico ou do produto desejado? Experimente acessar o Orkut. Este site de relacionamento tem sido o meio preferido dos brasileiros para ‘‘botar a boca no trombone’’ e manifestar suas opiniões sobre suas experiências de consumidor.

As comunidades do Orkut abrigam 45,9% dos depoimentos dos internautas brasileiros sobre marcas e produtos. O dado é uma das constatações da pesquisa realizada pela empresa E.Life, especializada na monitoração e análise da comunicação ‘‘boca a boca’’ online sobre marcas, produtos e serviços a partir de comunidades, blogs, sites pessoais e fóruns, entre outros meios na web. Em seu estudo, a E.Life comparou o comportamento da blogosfera no Brasil entre janeiro e abril de 2008 em relação ao mesmo período desse ano.

Segundo a E.Life, o site de microblogs Twitter (www.twitter.com) vem crescendo entre as redes sociais, mas ainda não desbanca o Orkut na blogosfera brasileira quando utilizado para publicação de depoimentos sobre a experiência de compra com produtos e serviços. Em 2008, o Orkut possuía 61,1% da fatia de depoimentos online dos internautas, enquanto o Twitter respondia por 3,8% dessas manifestações envolvendo experiências de compra.

A partir de 2009, houve uma mudança: o Twitter pulou da sexta para a segunda colocação como o serviço mais utilizado nas postagens na internet de depoimentos sobre marcas e produtos, com 23%. Mesmo conquistando espaço, o microblog Twitter não ultrapassou a marca de 45,9% do Orkut, que continua líder no ranking.

A faixa etária do usuário das redes sociais no Brasil é outro dado interessante levantado pelo estudo da E.Life. Grande parte desses usuários são os jovens entre 19 e 25 anos, seguidos pela faixa etária de 26 a 30 anos, que publicam depoimentos nos serviços de mídia gerada pelo consumidor. “Isso nos permite prever que o hábito de leitura e utilização das mídias sociais para decisão de compra de produtos e serviços irá se consolidar nos próximos anos, juntamente com o envelhecimento da população jovem, pioneira no uso das redes sociais”, diz Alessandro Barbosa, principal executivo da E.Life.

Marcas mais citadas

A Microsoft foi a marca mais citada pelos usuários de Twitter no Brasil, de acordo com levantamento realizado pela E.Life no último mês de maio. Nesse período, a empresa foi citada 4.500 vezes, liderando o ranking com 12% dos comentários. O assunto principal em relação à companhia de software foi o Windows Vista. Depois da Microsoft, o Linux, com 3.915 citações, e a Nokia, com 3.253, foram os nomes que mais motivaram comentários dos usuários da rede Twitter.

MERCADO DA OPINIÃO

Orkut: 45,9%
Twitter: 23,0%
Blogspot: 12,5%
ReclameAqui: 8,9%
Yahoo Resp: 4,2%
Wordpress: 3,0%
YouTube: 1,9%
Flickr: 0,4%
Spaces.live: 0,1%
Fotolog: 0,1%
Fonte: Tecnoguia


E AÍ SEU MACHADO... TRAIU OU NÃO TRAIU???

O livro “Dom Casmurro” (1899), de Machado de Assis, conta a história de Bento Santiago, mais conhecido como Dom Casmurro. Para preencher a vida pacata, Dom Casmurro resolve contar suas lembranças, isto é, atar as duas pontas da vida, a adolescência e a maturidade.

Adolescente, Bentinho descobre-se apaixonado por Capitu. Inteligente, Capitu convence Bentinho a não concordar com o projeto de sua mãe, Dona Glória, que queria fazê-lo padre. A vida toma o rumo que desejam os apaixonados e eles se casam. Tudo corre bem, até o dia em que brota o ciúme e a história de amor transforma-se em suspeita de traição.

Mordido pela dúvida de que o pequeno Ezequiel não seja seu filho, mas de seu amigo Escobar, com que aparenta visível semelhança, impõe a separação à Capitu. Os três partem para a Europa e Bentinho volta logo depois sozinho.

Capitu morre alguns anos mais tarde no continente europeu e Ezequiel tem o mesmo destino no Oriente onde foi estudar.


Abaixo, o LivroClip desta que é considerada a MAIOR obra da Literatura Brasileira...



Livros ganham suas próprias redes sociais no Brasil

Retirado do site http://www.g1.com.br/
05/07/09 - 09h35 - Atualizado em 05/07/09 - 14h14
Sites Skoob e O Livreiro têm foco nos fãs de literatura e leitores em geral. Usuários podem montar perfis e trocar informações sobre obras.

Duas redes sociais brasileiras lançadas neste ano querem, cada uma a seu modo, juntar fãs de livros na internet e funcionar como uma versão voltada ao universo literário do Orkut ou Facebook. O Skoob estreou em janeiro e O Livreiro entrou no ar na quarta-feira (1), para coincidir com a abertura da Festa Literária Internacional de Paraty.

Basicamente os inscritos nas duas redes sociais podem montar perfis em que mostram a outros usuários as obras que formam seu gosto literário, as leituras atuais e podem participar de discussões em fóruns.

Viviane Lordello, uma das responsáveis pelo Skoob, explica: "O usuário monta a sua estante virtual, catalogando os livros como lido, lendo, vou ler, abandonei e relendo. O usuário também poder marcá-los como: emprestei, troco, desejado e favoritos. Durante a leitura possvel criar um histórico de leitura e avaliar os livros. Após a leitura o usurio poder criar resenhas e estas poderão ser opinadas por outros usuários".

Segundo a coordenadora de O Livreiro (projeto de uma das ramificações das Organizações Globo), Joyce Jane B. Meyer, a ideia também é de uma estante virtual. "Temos uma base bastante robusta, com 2,2 milhões de títulos, que é fruto de uma parceria com a Livraria Cultura. Em uma segunda fase, nos próximos meses, será possível o match de pessoas, para aproximar usuários de perfis semelhantes".

No Skoob, conta Viviane Lordello, os próprios usuários cadastram os livros. "Não existe um tipo, mas sim todos os tipos literários. Há desde gibis, como 'A turma da Mônica', a obras como 'Ensaio sobre a cegueira', de José Saramago".

Joyce Meyer conta que uma das bandeiras em O Livreiro será a de incentivar que os próprios usuários coloquem seus trabalhos na rede social sob os termos da licença Creative Commons. "A gente não quer ser proprietário dos textos. Na verdade o que queremos é ver outros usuários interagindo e trabalhando em cima dos textos, em uma ideia de recombinação. É atrair, juntar e resultar em um bolo maior".

O Livreiro terá também uma seção periódica em que pessoas de destaque das diversas áreas recomendam títulos e fazem comentários sobre a escolha. A coordenadora Joyce Meyer diz que espera tambm que os próprios usuários possam indicar quais funcionalidades poderão servir melhor para o desenvolvimento do site.
....................
CLIQUE PARA CONHECER OS SITES E CONSTRUIR O SEU PERFIL: SKOOB, O LIVREIRO


Lira dos vinte anos (Álvares de Azevedo)



LIRA DOS VINTE ANOS

A obra de Álvares de Azevedo é toda de divulgação póstuma. Maneco mal teve tempo de escrevê-la, quanto mais de organizá-la para publicação. Em 1853, o seu amigo Domingos Jacy Monteiro, seguindo as intenções do autor, que deixara anotações para a publicação em alguns cadernos, organiza o primeiro volume das “Obras de Manuel Antônio Álvares de Azevedo”. Com o título de Poesias, o livro traz a primeira versão de Lira dos Vinte Anos, dividido em duas partes, mas sem os seus respectivos prefácios, e incluindo apenas os poemas até “É Ela! É Ela! É Ela! É Ela!”. A partir da edição organizada por Joaquim Norberto de Sousa e Silva, em 1873, foi acrescida uma terceira parte ao livro. E assim, a cada edição a obra se modificava.


A versão do livro que hoje temos como definitiva foi organizada por Homero Pires para a edição da Obras Completas de Álvares de Azevedo da Companhia Editora Nacional, em 1942. Ela é composta por um “Prefácio” geral à obra (Texto 1); uma “Dedicatória” à mãe do poeta; a Primeira Parte, composta por 33 poemas que vão de “No Mar” a “Lembrança de Morrer” (Texto 4); a Segunda Parte, com o seu “Prefácio” (Texto 5) e se compõe de 19 poemas que vão de “Um Cadáver de Poeta” a “Minha Desgraça” (Texto 9) - incluindo-se aqui, na contagem, os 6 da série “Spleen e Charutos”; e de uma Terceira Parte que vai de “Meu Desejo” a “Página Rota” e que, nas palavras do próprio Homero Pires, “não é senão uma continuação da primeira parte”.


Para melhor entendermos as partes em que a obra se compõe, precisamos, antes, investigar um pouco as influências que o jovem Maneco recebeu dos autores mais importantes de seu tempo.

Para saber mais sobre o livro, clique aqui.

Para ler Lira dos vinte anos, clique aqui.



Cantando e aprendendo: Além do horizonte


Jota Quest - ALÉM DO HORIZONTE


Aproveitando os 50 anos de carreira de Roberto Carlos, vamos ouvir e cantar a música “Além do horizonte”, aqui interpretada pelo grupo Jota Quest. Através dela, podemos entender algumas características do Arcadismo brasileiro (1768-1836) como o bucolismo, o ideal de vida mediana e, é claro, o amor!!! Vamos cantar?

ALÉM DO HORIZONTE

(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)


Além do Horizonte
Existe um lugar
Bonito e tranqüilo
Pra gente se amar...

Além do horizonte deve ter
Algum lugar bonito
Pra viver em paz
Onde eu possa encontrar
A natureza
Alegria e felicidade
Com certeza...

Lá nesse lugar
O amanhecer é lindo
Com flores festejando
Mais um dia que vem vindo...

Onde a gente pode
Se deitar no campo
Se amar na relva
Escutando o canto
Dos pássaros...

Aproveitar a tarde
Sem pensar na vida
Andar despreocupado
Sem saber a hora
De voltar...

Bronzear o corpo
Todo sem censura
Gozar a liberdade
De uma vida
Sem frescura...

Se você não vem comigo
Nada disso tem valor
De que vale
O paraíso sem o amor...

Se você não vem comigo
Tudo isso vai ficar
No horizonte esperando
Por nós dois...



Música pra seus ouvidos (I)





Você tem duas opções: ou começar a ouvir boas canções, crescer enquanto consumidor de música ou ficar a vida inteira na sua Neverland, onde só toca lixo cultural. Que tal começar por Ode descontínua e remota para flauta e oboé de Ariana para Dionisio? Leia mais sobre o disco:





Zeca Baleiro - Ode descontínua e remota para flauta e oboé de Ariana para Dionisio é um dos mais belos projetos musicais destes últimos anos, idealizado, produzido e realizado por Zeca Baleiro para a sua nova gravadora, a Saravá Discos.

Imagine uma das obras mais importantes de Hilda Hilst" Jubilo Memória Noviciado da Paixão", extraia o capítulo chamado " Ode descontínua..."(um conjunto de 10 poemas profundamente líricos e femininos sobre o amor impossível de Ariana e Dionísio) chame dez entre as melhores vozes da MPB e o resultado é esta pequena jóia, retocada por estupendos arranjos de Swami Jr.

Os nomes dos intérpretes: Rita Ribeiro, Verônica Sabino, Maria Bethânia, Jussara Silveira, Ângela Ro Ro, Na´Ozzetti, Zélia Duncan, Olívia Byinton, mônica Salmaso, Ângela Maria.

Para baixar o CD e conferir, é só clicar aqui ou na capa do disco, acima...


Literatura de cordel e Literatura Oral

O que é e origem
A literatura de cordel é uma espécie de poesia popular que é impressa e divulgada em folhetos ilustrados com o processo de xilogravura. Também são utilizadas desenhos e clichês zincografados. Ganhou este nome, pois, em Portugal, eram expostos ao povo amarrados em cordões, estendidos em pequenas lojas de mercados populares ou até mesmo nas ruas.

Chegada ao Brasil
A literatura de cordel chegou ao Brasil no século XVIII, através dos portugueses. Aos poucos, foi se tornando cada vez mais popular. Nos dias de hoje, podemos encontrar este tipo de literatura, principalmente na região Nordeste do Brasil. Ainda são vendidos em lonas ou malas estendidas em feiras populares.

De custo baixo, geralmente estes pequenos livros são vendidos pelos próprios autores. Fazem grande sucesso em estados como Pernambuco, Ceará, Alagoas, Paraíba e Bahia. Este sucesso ocorre em função do preço baixo, do tom humorístico de muitos deles e também por retratarem fatos da vida cotidiana da cidade ou da região. Os principais assuntos retratados nos livretos são: festas, política, secas, disputas, brigas, milagres, vida dos cangaceiros, atos de heroísmo, milagres, morte de personalidades etc.


Em algumas situações, estes poemas são acompanhados de violas e recitados em praças com a presença do público.

Um dos poetas da literatura de cordel que fez mais sucesso até hoje foi Leandro Gomes de Barros (1865-1918). Acredita-se que ele tenha escrito mais de mil folhetos. Mais recentes, podemos citar os poetas José Alves Sobrinho, Homero do Rego Barros, Patativa do Assaré (Antônio Gonçalves da Silva), Téo Azevedo. Zé Melancia, Zé Vicente, José Pacheco da Rosa, Gonçalo Ferreira da Silva, Chico Traíra, João de Cristo Rei e Ignácio da Catingueira.Vários escritores nordestinos foram influenciados pela literatura de cordel. Dentre eles podemos citar: João Cabral de Melo, Ariano Suassuna, José Lins do Rego e Guimarães Rosa.

Literatura Oral
Faz parte da literatura oral os mitos, lendas, contos e provérbios que são transmitidos oralmente de geração para geração. Geralmente, não se conhece os autores reais deste tipo de literatura e, acredita-se, que muitas destas estórias são modificadas com o passar do tempo. Muitas vezes, encontramos o mesmo conto ou lenda com características diferentes em regiões diferentes do Brasil. A literatura oral é considerada uma importante fonte de memória popular e revela o imaginário do tempo e espaço onde foi criada.


Muitos historiadores e antropólogos estudam este tipo de literatura com o objetivo de buscarem informações preciosas sobre a cultura e a história de uma época. Em meio a ficção, resgata-se dados sobre vestimentas, crenças, comportamentos, objetos, linguagem, arquitetura etc.
Podemos considerar como sendo literatura oral os cantos, encenações e textos populares que são representados nos folguedos.


Exemplos de mitos, lendas e folclore brasileiro: saci-pererê, curupira, boto cor de rosa, caipora, Iara, boitatá,lobisomem, mula-sem-cabeça, negrinho do pastoreio.

Fonte: http://www.suapesquisa.com/cordel/


Capitu, na voz de Ná Ozzeti


Ná Ozzetti - CAPITU

A principal personagem feminina da literatura brasileira, através da poesia de Luiz Tatit. Ná Ozzeti canta Capitu. Cante com ela:


Capitu
Composição: Luiz Tatit


De um lado vem você com seu jeitinho
Hábil, hábil, hábil
E pronto!
Me conquista com seu dom

De outro esse seu site petulante
WWW
Ponto
Poderosa ponto com

É esse o seu modo de ser ambíguo
Sábio, sábio
E todo encanto
Canto, canto
Raposa e sereia da terra e do mar
Na tela e no ar

Você é virtualmente amada amante
Você real é ainda mais tocante
Não há quem não se encante

Um método de agir que é tão astuto
Com jeitinho alcança tudo, tudo, tudo
É só se entregar, é não resistir, é capitular

Capitu
A ressaca dos mares
A sereia do sul
Captando os olhares
Nosso totem tabu
A mulher em milhares
Capitu

No site o seu poder provoca o ócio, o ócio
Um passo para o vício, o vício
É só navegar, é só te seguir, e então naufragar

Capitu
Feminino com arte
A traição atraente
Um capítulo à parte
Quase vírus ardente
Imperando no site
Capitu



O TEU RISO (Pablo Neruda)

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

Pablo Neruda

LivroQuiz: Divirta-se e apenda sobre Machado de Assis...

Você conhece a vida e a obra de Machado de Assis? Então, clique no vídeo abaixo e responda ao LivroQuiz. Divirta-se e apenda!!!




INTERESSANTE: O CONCEITO DE LITERATURA (Gustavo Bernardo)

Sempe utilizo esse texto nas minhas aulas de introdução à Literatura. Acho que Gustavo Bernardo foi extremamente feliz ao escrevê-lo... No final, você terá um link para o texto completo. Boa leitura!!!

O CONCEITO DE LITERATURA (Gustavo Bernardo) (TRECHO)

… podemos começar a nos apresentar a literatura pelo que ela é (ou parece ser), recorrendo às duas primeiras estrofes de um dos poemas mais famosos de toda a literatura mundial.

O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que ele escreve
Na dor lida sentem bem
Não as duas que ele teve
Mas só a que eles não têm.

O poema, de Fernando Pessoa, se chama "Autopsicografia". Não define a literatura, exatamente, mas o literato — ou, mais propriamente, o poeta (portanto, a si mesmo). Naquele caminho do dragão, o faz de maneira circular, sem, entretanto, retornar ao mesmo ponto. Afirma, primeiro, que o poeta é um fingidor, portanto, parente muito próximo do mentiroso. Afirma, a seguir, que o seu fingimento é completo, vale dizer, radical, chegando a fingir que é dor uma dor verdadeira. A dor, verdadeira, pode até ser a motivação inicial do poeta: uma dor-de-cotovelo, por exemplo. Ao representá-la, porém, pela radicalidade da poesia, ela se transforma em outra coisa: a dor (sensação e emoção indizíveis) vira "palavra" e, portanto, se torna dizível. A emoção primeira se transforma em uma emoção nova, superando aquela emoção que dera partida aos versos.

Nesta primeira estrofe do poema de Pessoa (que, como sabemos, transformou-se ele mesmo em várias "pessoas"…), temos sintetizado um dos mais difíceis e controvertidos conceitos da teoria da literatura: o conceito de mímese. Assim como o mimetismo do camaleão o faz confundir-se com a casca da árvore em que se encontra, sem, no entanto, ser a árvore, de maneira equivalente a dor representada alude à dor original, sem, no entanto, ser esta dor. Todavia, a segunda dor, digamos, artificial, propriamente, ficcional, ajuda o poeta a lidar com as suas dores primeiras. É como se desta forma o poeta pudesse controlar o incontrolável e interferir no acaso, tomando, pela imaginação, o seu destino na mão.

Por isto, a segunda estrofe prossegue no caminho em espiral, trazendo junto, agora, os leitores — que, ao lerem o que o poeta escreve, sentem, na dor lida, não exatamente a dor que eles originalmente teriam, mas ainda uma outra, diferente, de certo modo, talvez, até mesmo mais intensa. Corresponde, para lembrarmos experiência comum, àquela sensação que temos quando assistimos a um filme lacrimejante e, então, choramos copiosamente. Ao sairmos do cinema, entretanto, não nos encontramos tristes, ao contrário: sentimo-nos algo aliviados. A segunda estrofe sintetiza, portanto, outro conceito capital da teoria da literatura: o conceito de catarse. A catarse, que Aristóteles compreendia como uma espécie de "purgação" (porque realiza um efeito purgante sobre as emoções reprimidas dos espectadores), permite nos identificarmos com o sofrimento dos personagens, ou dos poetas, sentindo temor e piedade. Ao sairmos do teatro (ou do cinema, ou das páginas do livro), retomamos a nossa própria identidade — mas enriquecida pela experiência ficcional, que nos ajuda a conviver com as nossas dores e com os nossos dramas.

Esta difícil convivência, porém (de nós conosco mesmos), não se dá num plano exclusivamente racional. Não basta, de modo algum, a compreensão da causa dos nossos dramas para nos sentirmos tranqüilos. Como também se sabe, em termos de alma e de existência, saber não implica, necessariamente, poder. Às vezes, sucede mesmo o contrário: saber a razão do sofrimento somente intensifica o sofrimento. Há, portanto, um outro saber, que a literatura e a poesia admitem, mobilizando razão e emoção nas voltas daquela espiral. É um saber dinâmico, cujas respostas são móveis, metamorfas, de certo modo, brincalhonas, irônicas (ou, para usar termo mais acadêmico, lúdicas), como conclui a terceira e última estrofe do poema de Fernando Pessoa:

E assim, nas calhas de roda,
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.

Assim, nas calhas de roda (como em um moinho que transforma o trigo em pão), o coração, miticamente o centro da alma, gira, entretendo e enganando a razão, para moer a dor transformando-a em verso — para fazer com que a dor faça sentido.
Quando percebemos a enorme facilidade com que as crianças são iludidas (comendo espinafre com prazer, só porque é comida do Popeye ou do monstro), não dizemos: "me engana que eu gosto"? Mas, quando lemos um romance policial típico, não percebemos que o narrador está nos enganando, plantando pistas falsas no enredo, retardando a solução do mistério, e não gostamos exatamente disto? A criança também poderia brincar conosco, dizendo: me engana que eu gosto, hein? Na verdade, crianças, leitores, jogadores, amantes, políticos, eleitores, enfim, todo mundo necessita de ilusão. Esta ilusão ora tem a forma da mentira que não pode se assumir como mentira, como, por exemplo, no discurso de um político em ano eleitoral, ora tem a forma da mentira que avisa que é mentira. A este segundo tipo de "mentira", mentira honesta, na verdade, chamamos, com mais propriedade, de ficção.

BERNARDO, Gustavo. IN: JOBIM, José Luís (org). Introdução aos termos literários. Rio de Janeiro: Ed. UERJ, 1999.

O TEXTO COMPLETO PODE SER ENCONTRADO EM:


 
l