POSTAGEM 77: ENEM: comparações entre literatura e artes plásticas


EXERCÍCIO RESOLVIDO



Operários, Tarsila do Amaral

Desiguais na fisionomia, na cor e na raça, o que lhes assegura identidade peculiar, são iguais enquanto frente de trabalho. Num dos cantos, as chaminés das indústrias se alçam verticalmente. No mais, em todo o quadro, rostos colados um ao lado do outro, em pirâmide que tende a se prolongar infinitamente, como mercadoria que se acumula, pelo quadro afora.

Nádia Gotlib. Tarsila do Amaral, a modernista.


O texto aponta no quadro de Tarsila do Amaral um tema que também se encontra nos versos transcritos em:
a) “Pensem nas meninas / Cegas inexatas / Pensem nas mulheres / Rotas alteradas.” (Vinícius de Moraes)
b) “Somos muitos severinos / iguais em tudo e na sina: / a de abrandar estas pedras / suando-se muito em cima.” (João Cabral de Melo Neto)
c) “O funcionário público / não cabe no poema / com seu salário de fome / sua vida fechada em arquivos.” (Ferreira Gullar)
d) “Não sou nada. / Nunca serei nada. / Não posso querer ser nada. / À parte isso, tenho em mim todos os / sonhos do mundo.” (Fernando Pessoa)
e) “Os inocentes do Leblon / Não viram o navio entrar (...) / Os inocentes, definitivamente inocentes tudo ignoravam, / mas a areia é quente, e há um óleo suave / que eles passam pelas costas, e aquecem.” (Carlos Drummond de Andrade)

GABARITO: B
COMENTÁRIO: Assim como a pintora Tarsila do (que NÃO participou da Semana de Arte Moderna, fique atento a isso!), João Cabral de Melo Neto trabalha, em Morte e vida severina, com a temática dos excluídos. Daqueles que oferecem o suor do seu trabalho para o desenvolvimento da nação e, mesmo assim, são postos à margem da sociedade.


 
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