POSTAGEM 85: Literatura pra "quebrada": Ferréz e o povo da periferia

Hoje o Literatura éshow! traz até você um dos grandes poetas da do nosso tempo: Ferréz. Talvez muitos já o conheçam da época em que ele era colunista da revista Caros Amigos, mas outros tantos descobrirão aqui a acidez desse escritor incrível e atual. Leia esta pequena apresentação, retirada do site do próprio Ferréz:

Ferréz é um híbrido de Virgulino Ferreira (Ferre) e Zumbi dos Palmares (Z) e uma homenagem a heróis populares brasileiros.

Ferréz começou a escrever aos sete anos de idade, acumulando contos, versos, poesias e letras de música. Antes de se dedicar exclusivamente à escrita, trabalhou como balconista, vendedor de vassouras, auxiliar-geral e arquivista. Seu primeiro livro, Fortaleza da Desilusão, foi lançado em 1997, com patrocínio da empresa onde trabalhava.

A notoriedade veio com o lançamento de Capão Pecado que está na terceira edição, lançado em 2000, romance sobre o cotidiano violento do bairro do Capão Redondo, na periferia de São Paulo, onde vive o escritor.

Ligado ao movimento
hip hop e fundador da 1DASUL (marca de roupa totalmente feita no bairro).

Ferréz atuou como cronista na revista
Caros Amigos. Em sua prosa ágil e seca, composta com doses igualmente fortes de revolta, perplexidade e esperança, Ferréz reivindica voz própria e dignidade para os habitantes das periferias das grandes cidades brasileiras.

Feitas as deveidas apresentações, vamos ao que mais nos interessa: a Literatura de Ferréz. O texto foi retirado do blog do poeta:

G.U.E.R.R.A
datilógrafo
escritor do gueto
plantador de ódio,
injetor do kaos moderno

terrorista literário
de fuzil bic na mão
arma nuclear
a informação

conseguiram do povo
a desunião
50 cents de pistola na mão
Luter king morreu em vão

se for falar o que penso
tem coisa que não compreendo

Pornô mundo
Mundo pornô
Me mostra
A nudez da sua cor

amor pela quebrada
virou frase de para-choque
a ideologia tá em crise
pra quem tá em choque

o povo chora a dor, chora dor
mensageiro da mentira para senador

mas no meu peito zumbi
na mente mariguela
no punho Solano
quebrada favela

são anos de rancor em vão
chega de tiração
Deus perdoa
eu não

o pavio é fácil de acender
no clip tem tudo
que você quer ser

na rua tanta solidão
verdades são mentiras jão

anota 10 a minha nota
pro sistema hipócrita
todo mundo é fantoche,
mas eu vejo as cordas.


Entrevista com o escritor Ferréz para o Antídoto - Seminário Internacional de Ações Culturais em Zonas de Conflito, evento ocorrido em junho de 2009 no Itaú Cultural.


Ferréz canta a música Periferia Lado Bom que compos para a revista Nova Escola, num clip muito positivo, produzido para o DVD Literatura e Resistência


 
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