POSTAGEM 76: A pá virada de Pagu

Quem foi Pagu?

Pagu, cujo nome verdadeiro era Patrícia Galvão, foi jornalista, escritora, animadora cultural e militante política. Viveu de 1910 a 1962. Como jornalista, trabalhou em vários veículos como "A Noite", "Diário de São Paulo", "O Jornal", "A Tribuna", de Santos, "Fanfulla", "Correio da Manhã" e na agência noticiosa France-Presse. Como escritora, publicou os romances "Parque Industrial" (1933), o primeiro romance proletário do Brasil e "A Famosa Revista" (1945), em colaboração com Geraldo Ferraz. Seus contos policiais, originalmente publicados na revista "Detective" foram recolhidos em "Safra Macabra" (1998).
Teve uma grande atividade como animadora cultural, revelando e traduzindo autores contemporâneos até então inéditos no Brasil, como James Joyce, Arrabal, Eugène Ionesco e Octavio Paz. Foi marcante seu trabalho como promotora do teatro amador brasileiro e é notável seu trabalho como divulgadora e crítica da literatura brasileira e mundial na sua época. Finalmente, seu ativismo político tornou-a uma figura importante no combate à ditadura de Getúlio Vargas, o que lhe valeu nada menos que 23 prisões.

Como surgiu o nome Pagu?O nome Pagu foi dado pelo poeta modernista Raul Bopp ("Cobra Norato"), que achou que seu nome fosse Patrícia Goulart, em 1928. Ela usou vários outros pseudônimos como Mara Lobo, Pt. Patsy, Pat, Ariel, Solange Sohl, Léonie.

Onde e quando Pagu nasceu e morreu?
Patrícia Rehder Galvão — seu nome completo —nasceu em São João da Boa Vista a 9 de junho de 1910 e morreu em Santos a 12 de dezembro de 1962.

Pagu se casou?
Sim. Primeiro, casou-se pró-forma com o pintor Waldemar Belisário, a 28 de setembro de 1929. Depois da cerimônia civil, o escritor Oswald de Andrade encontrou-se com ela no alto da serra de Santos. Conforme o combinado, Belisário voltou para São Paulo e Oswald e Pagu foram para a praia. O casamento foi anulado em 1930. Oswald e Pagu casam-se no mesmo ano e têm um filho, Rudá de Andrade. Separada de Oswald em 1934, Patrícia casa-se com o jornalista Geraldo Ferraz em 1940. Têm um filho, Geraldo Galvão Ferraz.

Pagu foi a musa da Semana de Arte Moderna?
Não. Quando aconteceu a Semana, ela tinha apenas 12 anos. Pagu participou do Movimento Antropofágico modernista, mais especificamente da Revista de Antropofagia, em 1929.

Qual o papel de Pagu na introdução da soja no Brasil?
Pagu tornou-se amiga do imperador Pu-Yi (retratado no filme "O Último Imperador") da Mandchúria. Dele, recebeu as sementes de soja que, após passar para o cônsul brasileiro em Cobe, no Japão, iniciaram a cultura em nosso país.

FAQ sobre Pagu, retirado do site da escritora (link abaixo).

Um poema sobre Pagu:

Coco de Pagu (Raul Bopp - 27/10/1928)


Pagu tem os olhos moles
uns olhos de fazer doer.
Bate-côco quando passa.
Coração pega a bater.

Eh Pagu eh!
Dói porque é bom de fazer doer.

Passa e me puxa com os olhos
provocantissimamente.
Mexe-mexe bamboleia
pra mexer com toda a gente.

Eli Pagu eh!
Dói porque é bom de fazer doer.

Toda a gente fica olhando
o seu corpinho de vai-e-vem
umbilical e molengo
de não-sei-o-que-é-que-tem.

Eh Pagu eh!
Dói porque é bom de fazer doer.

Quero porque te quero
Nas formas do bem-querer.
Querzinho de ficar junto
que é bom de fazer doer.

Eh Pagu eh!
Dói porque é bom de fazer doer.


Um poema de Pagu:

UM PEIXE


Um pedaço de trapo que fosse
Atirado numa estrada
Em que todos pisam
Um pouco de brisa
Uma gota de chuva
Uma lágrima
Um pedaço de livro
Uma letra ou um número
Um nada, pelo menos
Desesperadamente nada.




Excelente vídeo para a música “Pagu” (Rita Lee), interpretada por Maria Rita:




Slides sobre Pagu, retirados de seu site oficial:



Para conhecer mais sobre a vida e obra de Pagu, visite os seguintes endereços:
Site oficial
Pagu - livre no espaço e no tempo


 
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