Espaço Aberto: poesia marginal na Globo News

Salgado Maranhão e Tanussi Cardoso surgem no fim dos anos 70 e se destacam logo de outros poetas da chamada 'geração marginal', ao mesclarem a linguagem coloquial com elementos da tradição poética.

Assista ao programa Espaço Aberto, da Globo News, veiculado em 23/04/10.

Para saber mais sobre poesia marginal, clique aqui.


Rita Baiana: um sapoti mais doce que o mel

EXERCÍCIO RESOLVIDO

Leia, prazerosamente, o texto abaixo. O nome da personagem foi omitido, sendo substituído por uma lacuna:

“E viu a __________, que fora trocar o vestido por uma saia, surgir de ombros e braços nus, para dançar. A lua destoldara-se nesse momento, envolvendo-a na sua coma de prata, a cujo refulgir os meneios da mestiça melhor se acentuavam, cheios de uma graça irresistível, simples, primitiva, feita toda de pecado, toda de paraíso, com muito de serpente e muito de mulher.

Ela saltou em meio da roda, com os braços na cintura, rebolando as ilhargas e bamboleando a cabeça, ora para a esquerda, ora para a direita, como numa sofreguidão de gozo carnal, num requebrado luxurioso que a punha ofegante; já correndo de barriga empinada; já recuando de braços estendidos, a tremer toda, como se fosse afundando num prazer grosso que nem azeite, em que se não toma pé e nunca se encontra fundo. Depois, como se voltasse à vida, soltava um gemido prolongado, estalando os dedos no ar e vergando as pernas, descendo, subindo, sem nunca parar com os quadris, e em seguida sapateava, miúdo e cerrado, freneticamente, erguendo e abaixando os braços, que dobrava, ora um, ora outro, sobre a nuca, enquanto a carne lhe fervia toda, fibra por fibra, tirilando… […]

…Naquela mulata estava o grande mistério, a síntese das impressões que ele recebeu chegando aqui: ela era a luz ardente do meio-dia; ela era o calor vermelho das sestas da fazenda; era o aroma quente dos trevos e das baunilhas, que o atordoara nas matas brasileiras; era a palmeira virginal e esquiva que se não torce a nenhuma outra planta; era o veneno e era o açúcar gostoso; era o sapoti mais doce que o mel e era a castanha do caju, que abre feridas com o seu azeite de fogo; ela era a cobra verde e traiçoeira, a lagarta viscosa, a muriçoca doida, que esvoaçava havia muito tempo em torno do corpo dele, assanhando-lhe os desejos, acordando-lhe as fibras embambecidas pela saudade da terra, picando-lhe as artérias, para lhe cuspir dentro do sangue uma centelha daquele amor setentrional, uma nota daquela música feita de gemidos de prazer, uma larva daquela nuvem de cantáridas que zumbiam em torno da ___________ e espalhavam-se pelo ar numa fosforescência afrodisíaca.
AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. São Paulo: Ática, 1999.

O texto acima, retirado da obra de Aluísio Azevedo, apresenta uma das mais conhecidas personagens da nossa Literatura. Escreva um único parágrafo dissertativo em que você responda todas as questões a seguir: qual o nome da personagem apresentada no texto? Que substantivos referem-se ao seu corpo? Qual a parte do corpo que o narrador mais destaca? Por que?

RESPOSTA POSSÍVEL:
A personagem retratada no texto acima é Rita Baiana, um dos personagens mais notáveis da literatura brasileira. Filha do realismo naturalista, é escrita com uma riqueza de detalhes visuais e sensoriais incríveis. Forte, apaixonada e politicamente incorreta. Sedutora e consciente de seus encantos, é maliciosa e faminta de vida, um diabo de saias. É sem dúvidas, a alma de O Cortiço, de Aluísio de Azevedo, embora não seja a protagonista. No texto acima, os substantivos que se referem ao corpo de Rita são braços, ilhargas, cabeça, barriga, dedos, pernas, quadris, nuca. A parte mais destacada pelo narrados são os quadris, já que a dança sensual de Rita é um convite ao sexo.


Literatura e História em uma cena de "Sinhá Moça"




A cena da novela Sinhá Moça, produzida pela Rede Globo em 2006 (De Benedito Ruy Barbosa, baseada no romance homônimo de Maria Dezonne Pacheco Fernandes. Com direção-geral de Rogério Gomes) serve de inspiração para que reflitamos sobre duas coisas: em primeiro lugar, o embate entre escravocratas e abolicionistas, que marcou a penúltima década do século XIX e, em segundo, sobre as duas vertentes da obra do poeta Castro Alves (a condoreira e a lírico-amorosa).
Obervação: a tarja azul tem o intuito de esconder as legendas em sueco. Assim que eu conseguir a cena sem legendas, coloco-a aqui.
Para conhecer mais sobre o poeta Castro Alves e ler uma interpretação do poema "Laço de fita" (do livro Espumas flutuantes), clique aqui.


"Vozes", por Marcelo Noah


Creio que o vídeo seja autoexplicativo. Portanto, só nos resta apreciar!... E é claro, conhecer o blog do cara...


Vozes from Marcelo Noah on Vimeo.

Cleonice Berardinelli: uma Professora com "pê maiúsculo" toma posse na ABL

A professora universitária e escritora Cleonice Berardinelli tomará posse na Academia Brasileira de Letras (ABL) na segunda-feira, dia 5 de abril, às 21h, no Salão Nobre do Petit Trianon, na sede da Academia (Avenida Presidente Wilson, 203).

Eleita no dia 16 de dezembro de 2009, ela sucederá o escritor Antonio Olinto, falecido no dia 17 de setembro do mesmo ano, e será a sexta ocupante da cadeira nº 8. Cleonice nasceu no dia 28 de agosto de 1916 no Rio e será recebida pelo Acadêmico Affonso Arinos de Mello Franco. A imposição do colar caberá ao Acadêmico Antonio Carlos Secchin e a entrega do diploma ao Acadêmico Domício Proença Filho.

Especialista em Luís de Camões e Fernando Pessoa, dois dos mais importantes poetas da língua portuguesa, Cleonice é também professora emérita da UFRJ e da Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ). Desde 27 de novembro de 1975, é Acadêmica correspondente da Academia de Ciências de Lisboa, classe de Letras. Exerce ainda a atividade de pesquisadora do Conselho de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e consultora ad hoc da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.

Entre as suas principais obras estão Estudos camonianos, de 1973 e ampliada em 2000; Obras em prosa: Fernando Pessoa, de 1986; A passagem das horas de Álvaro Campos; de 1988; Poemas de Álvaro Campos, impressa em Lisboa em 1990; e Fernando Pessoa: outra vez te revejo..., de 2004.

Fonte: Jornal "O Dia On Line", acessado em 02 de abril de 2010.

Para saber mais sobre Cleonice Berardinelli e ter uma verdadeira aula sobre Literatura, assista ao vídeo a seguir:




Essas mulheres de José de Alencar

No ano de 2005, a Rede Record levou ao ar a novela “Essas mulheres”, de autoria de Marcílio Moraes e Rosane Lima. O texto era uma muito bem costurada adaptação de três romances do memorável José de Alencar: Senhora, Lucíola e Diva. Nosso exercício será sobre o primeiro, considerado pela crítica uma obra de transição para o Realismo.

CENA 1: Noite de núpcias de Aurélia Camargo (Christine Fernandes) e Fernando Seixas (Gabriel Braga Nunes)


CENA 2: a primeira noite de amor do casal, onze meses depois


Exercício resolvido
(Unicamp-SP)


"A moça trazia nessa ocasião um roupão de cetim verde cerrado à cintura por um cordão de fios de ouro. Era o mesmo da noite do casamento, e que desde então ela nunca mais usara. Por uma espécie de superstição lembrara-se de vesti-lo de novo, nessa hora na qual, a crer em seus pressentimentos, iam decidir-se afinal o seu destino e a sua vida. [...]

Ergueu-se então, e tirou da gaveta uma chave; atravessou a câmara nupcial [...] e abriu afoitamente aquela porta que havia fechado onze meses antes, num ímpeto de indignação e horror."


No trecho citado, extraído do capítulo final do romance Senhora, de José de Alencar, o narrador faz referência a uma outra cena, passada no mesmo lugar, muito importante para o desenrolar do enredo. Pergunta-se:

a) Que personagens protagonizam as duas cenas e qual a relação entre essas personagens no romance?
RESPOSTA: Aurélia Camargo e Fernando Seixas, que são casados.

b) O que ocorreu na primeira vez em que essas personagens se encontraram na câmara nupcial?
RESPOSTA:
Ela revelou o fato de tê-lo "comprado" e determina as regras do casamento, ou seja, seriam marido e mulher apenas aparentemente, dormiriam em quartos separados e representariam para a sociedade o papel de casal feliz.

c) Como a cena descrita no trecho citado relaciona-se com a outra, referida pelo narrador, no interior do romance?
RESPOSTA: É o momento em que Seixas vai revelar ter conseguido, com seu trabalho, a quantia necesária para pagar o resgate da sua dignidade.
COMENTÁRIO: Excelente exercício da Unicamp. Cobra elementos simples, mas muito importantes para o real entendimento do livro de José de Alencar. O livro é considerado como de transição para o Realismo justamente por apresentar, pela primeira vez, uma tentativa de que a vingança, o dinheiro, os interesses sociais suplante o amor. Mas no final da história, o r(R)omantismo ainda vence.


Comunidade "Poema Virtual": fonte de boas leituras

Uma das coisas que mais me chama atenção no ato de ensinar é a paixão que alguns de nós, professores, temos pelo nosso ofício. E hoje eu quero usar um pouco mais a primeira pessoa para divulgar o trabalho de um grande colega e estender essa pequena homenagem a toda uma equipe de profissionais. Equipe da qual faço parte, com muita honra, desde 2006. A equipe de Língua Portuguesa do Colégio Objetivo de Catalão.

Desde 2007, a comunidade (Orkut) “Poema Virtual”, criada pelo Professor Wendel Borges recebe textos de alunos catalanos e ipamerinos. Ali, adolescentes dos ensinos Fundamental e Médio postam suas criações, algumas delas utilizando o “dialeto” mais abominado por muitos pseudoeducadores: o internetês.

Antes de julgar e condenar a linguagem da internet, o professor Wendel preferiu abrir concessões. Ele sabe que dessa forma, aceitando parte do universo dos seus jovens alunos, pode se aproximar mais deles e assim conseguir trazê-los para “dentro” da chamada Norma Culta. E mais que isso, o professor se mostra confiante em sua “missão” de ensinar a eles a variante linguística mais apropriada para cada ocasião.

Usar a internet como ferramenta de ensino é algo que eu, evidentemente, aprecio demais. E como aqui no blog eu tento colocar tudo o que existe de melhor sobre Literatura na grande rede, não poderia deixar de convidar meus leitores para visitarem a comunidade e se deliciarem com os textos que lá estão… E mais que isso, a valorizarem o trabalho de um educador, que como tantos, vence todas as dificuldades e leva às suas turmas o que ele tem de melhor. Apenas clique na foto acima (Fonte, Marcel Duchamp)… O seu navegador fará o resto.

E com essa deferência ao Professor Wendel, homenageio também o restante da nossa equipe, em especial aqueles que atuam no Ensino Fundamental e vão, ao longo do tempo, dando condições para que nossos alunos cheguem ao Ensino Médio com todas as informações necessárias para continuar aprendendo. Sei que isso não é muito, mas num país que valoriza tão pouco a Educação, qualquer gesto já basta pra que continuemos lutando.


 
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