POSTAGEM 10: "Não há você sem mim e eu não existo sem você"...

Olá internauta. Faltam 90 dias para o ENEM e esta é a nossa 10ª postagem. Hoje vamos falar do Gênero Lírico.



         ... pertencerá à Lírica todo poema de extensão menor, na medida em que se não cristalizem personagens nítidos e em que, ao contrário, uma voz central — quase sempre um “Eu” — nele exprimir seu próprio estado de alma.
ANATOL ROSENFELD

Érato, a musa da poesia lírica, em tela de J. W. Godward
Na Antiga Grécia, as epopeias cumpriram a importante função de divulgar os ideais e valores que organizavam a vida coletiva. Porém, os poemas épicos não respondiam ao anseio humano de expressão individual e coletiva. A poesia LÍRICA surge como uma forma de atender esse anseio.

A poesia lírica se define pela expressão dos sentimentos e emoções pessoais. Outra marca característica de sua estrutura é o fato de dar voz a um sujeito lírico (chamado de eu lírico ou eu poemático) diferentemente da narração impessoal da poesia épica. O sujeito lírico fala de seus sentimentos, de seu estado anímico.  

No início, os poemas líricos eram cantados, geralmente acompanhados pela lira, um instrumento musical de cordas. Essa união entre música e poesia atravessará os anos e permanecerá até a invenção da imprensa, no século XV, quando a cultura escrita passar a prevalecer sobre a cultura oral.

Embora muitos autores tivessem aderido à lírica, ela era visto como gênero menor em relação aos outros e foi somente no Renascimento que ele ganhou importância, através do escritor italiano Francesco Petrarca e seus seguidores (incluindo Luís de Camões, o maior poeta da língua portuguesa). 

MODALIDADES DO GÊNERO LÍRICO
ACRÓSTICO: Composição poética na qual o conjunto das letras iniciais (e por vezes as mediais ou finais) dos versos compõe verticalmente uma palavra ou frase.
BALADA: 1. Poema de origem francesa, do séc. XIII, formado de três oitavas ou três décimas, que têm as mesmas rimas e terminam pelo mesmo verso, seguidas de uma meia estrofe (quadra ou quintilha), dita oferta ou ofertório, na qual se repetem as rimas e o último verso das oitavas ou das décimas. 2. Poema narrativo de assunto lendário ou fantástico e de caráter simples e melancólico, típico dos povos do Norte da Europa na época do pré-romantismo, e que tem sido livremente adotado em períodos posteriores: as baladas de Schiller; “a Balada das Duas Mocinhas de Botafogo", de Vinícius de Morais. 
BARCAROLA: Canção romântica dos gondoleiros de Veneza. Tipo de cantiga trovadoresca de influência italiana, que se referia a assuntos marítimos. 
CANTIGA: Poesia cantada, em redondilha ou versos menores, dividida em estrofes iguais.
:DÉCIMA: Estrofe de 10 versos de sete sílabas, cujo esquema rimático é, mais comumente, ABBAACCDDC, empregada sobretudo na glosa dos motes, conquanto se use igualmente nas pelejas e, com menos freqüência, no corpo dos romances.
ÉCLOGA: Poesia pastoril, em geral dialogada; bucólica, pastoral.
ELEGIA: Poema lírico, cujo tom é quase sempre terno e triste.
GAZAL OU GAZEL: Poesia amorosa ou báquica (relativa a Baco, deus do vinho e das orgias), espécie de ode, dos persas e dos árabes, que se compõe de vários dísticos, 15 no máximo, rimando os versos do primeiro dístico entre si e com o segundo verso de cada um dos outros: São famosos os gazéis de Hafiz, poeta persa do séc. XIV.  O poeta Manuel Bandeira utilizou esta modalidade lírica em alguNs de seus poemas.
GLOSA: Composição poética, ordinariamente formada de quatro décimas, às quais servem de mote os quatro versos de uma quadra. Comum em Gregório de Matos Guerra.
HAICAI: Poema de origem japonesa constituído de três versos, dos quais dois são pentassílabos e um, o segundo, heptassílabo.
IDÍLIO: Pequena composição poética de caráter campestre ou pastoril que retrata um amor poético e suave.
MOTE: Conceito, ordinariamente expresso num dístico ou numa quadra, para ser glosado.
ODE: Entre os antigos gregos, composição em verso que se destina a ser cantada. Composição poética de caráter lírico, composta de estrofes simétricas.
PARLENDA: Rimas infantis, em versos de cinco ou seis sílabas, para divertir, ajudar a memorizar, ou escolher quem fará tal ou qual brinquedo. Ex.: "Amanhã é domingo / pé de cachimbo"; "Um, dois, / feijão com arroz".
RONDÓ: Composição poética com estribilho (REFRÃO) constante.
RONDÓ DOBRADO:  que é formado de seis quadras sobre apenas duas rimas.
RONDÓ SIMPLES: Rondó também apenas com duas rimas, e formado de três estâncias (a primeira de cinco versos, a segunda de três e a terceira de cinco), repetindo-se a primeira ou as primeiras palavras dela com o último verso, sem rima, da segunda e da terceira estâncias, o que dá ao poema um total de 15 versos. 
SEXTINA: Poema de forma fixa, por via de regra em versos decassílabos, composto de seis sextilhas e, quase invariavelmente, um terceto (denominado tornada, envio ou remate), e no qual cada uma das últimas palavras dos versos da 1ª sextilha (não rimados, bem como os demais) se repete no fim dos versos das estrofes seguintes, mudando, porém, de posição, dentro de um mesmo processo: a 1ª, 2ª, 3ª, 4ª, 5ª e 6ª palavras finais, da 2ª estrofe em diante, devem corresponder à 6ª, 1ª, 5ª, 2ª, 4ª e 3ªda estrofe anterior; no terceto, as seis palavras repetem-se, duas em cada verso, na ordem em que se acham na 1ª sextilha. COMPARE COM SEXTILHA (GRUPO 03).
SONETO: Composição poética de 14 versos, dispostos ou em dois quartetos e dois tercetos (soneto italiano, o mais cultivado) ou em três quartetos e um dístico (soneto inglês).
TROVA: Composição lírica ligeira e mais ou menos popular. Composição literária formada de quatro versos setissílabos rimados, e com sentido completo. Canção, cantiga. Quadra popular. 


Abaixo, um vídeo com a canção "Eu não existo sem você", de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, que pode ser classificada dentro do gênero lírico.



 
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