POSTAGEM 5: "Adriano, tá me ouvindo?"

 Olá internauta. Faltam 95 dias para o ENEM e esta é a nossa 5ª postagem. Se você não leu nosso texto de ontem, sugiro que o faça antes de continuar por aqui. Hoje vamos falar das Funções da Linguagem e a base para entendê-las são os Elementos de comunicação humana, assunto do tópico anterior. Em primeiro lugar uma super dica: ESSE ASSUNTO "DESPENCA" NO ENEM. Por isso, vamos lá:

Como vimos ontem, todo processo de comunicação se dá a partir de seis elementos essenciais: EMISSOR, DESTINATÁRIO, CÓDIGO, CANAL, REFERENTE E MENSAGEM. E como também já vimos, podemos representá-los da seguinte forma:




Pois bem. Agora, vamos aprofundar um pouquinho. Em 1970, o linguista russo Roman Jakobson (1896 – 1982), em seu livro Linguística e Comunicação, propôs uma teoria interessante sobre a Linguagem. Ela teria algumas Funções, ou seja, seria utilizada das mais variadas formas, de acordo com as mais variadas intenções. E usou os Elementos de comunicação humana para isso, associando, a cada um deles, uma determinada função da linguagem. Veja:

Função emotiva ou expressiva - a mensagem é centrada nas opiniões e emoções do EMISSOR. Geralmente usa-se a 1ª pessoa do singular, interjeições e exclamações. O texto é pessoal, subjetivo. Exemplos: biografias, memórias, poesias líricas e cartas de amor.


No vídeo acima, temos um exemplo da Função expessiva da linguagem, pois no poema "Soneto do amor total", o eu-lírico declara os seus sentimentos à mulher amada.  

Função referencial - a mensagem é centrada no REFERENTE, o objetivo é informar. O emissor procura fornecer informações da realidade, sem a opinião pessoal, de forma objetiva, direta, denotativa. A ênfase é dada ao conteúdo, às informações. Geralmente usa-se a 3ª pessoa do singular. Exemplos: textos jornalísticos e científicos;

    Certamente você já tinha visto este vídeo, pois essas imagens se espalharam pelo mundo no começo deste ano. E veja bem: para que a linguagem seja utilizada na sua Função Referencial, é preciso que o conteúdo seja verdadeiro. Não dá pra dar uma notícia e desmentir depois. 

    Função apelativa ou conativa - a mensagem é centrada no RECEPTOR e organiza-se de forma a influenciá-lo. Geralmente usa-se a 2ª e 3ª pessoa, vocativos e imperativo. Exemplos: discursos, sermões, textos de publicidade e propaganda. 

      Este comercial é um clássico da publicidade brasileira. Nele, o texto se refere diretamente ao receptor. É assim nas campanhas publicitárias, nos discursos políticos, sermões etc. 

      Função fática - o CANAL é posto em destaque. O interesse do emissor é emitir e simplesmente testar ou chamar a atenção para o canal. Exemplos típicos da função fática são: "alô", "pronto", "oi", "tudo bem?" "boa tarde", "sentem-se", etc. Ou na propaganda, de forma a chamar a atenção, a tipografia, layout, etc.

        Olha outro "clássico" do YouTube. No vídeo, o "carinha do Pânico na TV" testa o canal, perguntando: "Adriano, tá me ouvindo?". Toda vez que fazemos isso, estamos utilizando a linguagem na sua função fática. Ela testa o CANAL.

        Função metalinguística - o CÓDIGO linguístico é posto em destaque. Usa-se o código para falar dele mesmo. Exemplos: dicionários, gramáticas, textos que analisam textos, poesias que abordam o assunto poesia, filmes que falam de cinema.


          Na cena final do filme Lisbela e o prisioneiro, os protagonistas Lisbela (Débora Falabella) e Leléu (Selton Melo) utilizam a Função Metalinguística da linguagem, pois dão a entender que aquilo se trata de um filme, discutem o fazer cinematográfico. 

          Função poética - é aquela que põe em evidência a forma da MENSAGEM, ou seja, que se preocupa mais em "como dizer" do que com "o que dizer". A mensagem é posta em destaque, chamando atenção para o modo como foi organizada. É afetiva, sugestiva, conotativa, metafórica. Valorizam-se as palavras e suas combinações. Exemplos: linguagem figurada apresentada em obras literárias, letras de música, em algumas propagandas. Características: -Subjetividade; -Figuras de linguagem; -Brincadeiras com o código. 
            No texto do vídeo, existe uma brincadeira com as palavras. Trata-se de um poema concretista, que vamos estudar nas nossas últimas postagens. 

            IMPORTANTE:
            Na prática, existem textos  em que duas ou mais funções da linguagem se misturam. Na maioria das vezes, uma delas aparece de forma predominante, mas pode ser que, em alguns casos, não consigamos inferir qual função aparece mais em determinados textos. Observe os slides abaixo e entenda!

            AMANHÃ
            Na postagem de amanhã vamos conhecer melhor vários pontos da teoria literária, como "denotação e conotação", "texto literário e não-literário", "prosa, verso e poesia", entre outros.


             
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