POSTAGEM 25: As raízes portuguesas da Literatura Brasileira (Classicismo)

Luís de Camões, o Homero lusitano
Olá internauta. Faltam 75 dias para o ENEM e essa é a nossa postagem de número 25. Hoje e amanhã vamos ter um pouquinho de teoria. Dando continuidade às nossas raízes portuguesas, hoje vamos falar de um período que ficou conhecido como Classicismo. Esse nome se deve ao fato de que nessa época, os ideais da Idade Média estavam caindo por terra e os artistas retomaram os princípios da Antiguidade greco-romana.

Para o artista clássico renascentista, a perfeição estética havia existido na Antigui­dade e, portanto, os artistas greco-romanos deveriam ser tomados como modelos de per­feição estética. Não seria possível superá-los, mas seria possível imitá-los.

A imitação na arte recebe o nome de mi­mésis. A arte mimética é a arte da imitação fiel da natureza; pinta-se o corpo humano de acordo com a anatomia.

A arte clássica não se preocupa com a ori­ginalidade. Mais do que imitação da natureza, a arte clássica imita modelos: devem-se imitar autores considerados perfeitos. A perfeição es­tética havia sido codificada pelos pensadores da Antiguidade, como Platão e Aristóteles na Grécia. A arte para Platão resulta de inspira­ção; para Aristóteles, resulta de um trabalho.

A arte clássica teria uma finalidade? Sim, a arte deveria agradar e educar. A arte era simultaneamente um prazer e uma forma de educar o ser humano para as virtudes.

Quanto à linguagem, o artista deveria pri­meiro pensar para depois escrever. A primeira virtude do estilo de um escritor consistia na correção, de acordo com as leis obrigatórias da gramática. A expressão de um escritor de­veria se adequar ao conteúdo. O escritor não poderia dizer nem mais, nem menos do que o necessário. A clareza de sentido supõe ló­gica e é, por isso, marca essencial do estilo. O escritor teria que ser claro e elegante e, para isso, deveria recorrer às figuras de lin­guagem, mas sem abuso. Deveria empregar as figuras para realizar um texto claro, equili­brado e elegante, que permitisse ao leitor a compreensão do texto, ao mesmo tempo em que lhe fornecesse prazer e o educasse para a prática das virtudes.

Por dentro do Classicismo

Classicismo: É o período literário que se desenvolve na Renascença, nos séculos XV e XVI. Em Portugal, tem início em 1527, com a volta do escritor Sá de Miranda da Itália, que passou a divulgar a “medida nova" (sonetos em versos decassílabos, de dez sílabas poéticas) na literatura.

Contexto histórico: Renascimento cultural e intelectual na Europa. Influência do pensamento humanista e valorização do antropocentrismo (o homem como o centro do universo) e do racionalismo (valorização da razão).

Contexto religioso: Reforma Protestante (movimento de caráter religioso, político e econômico que contestou os dogmas católicos, entre 1517 e 1564) em oposição a Contrarreforma católica (movimento que tinha por objetivo recuperar o espaço perdido para os protestantes) na Europa.

Contexto sociopolítico: Nobreza católica decadente versus burguesia protestante.

Poesia lírica: No gênero em que o poeta expõe suas emoções, o sofrimento amoroso e o questionamento da existência humana são as principais temáticas. A desordem do mundo e as mudanças constantes são dois temas que antecipam, de certa forma, a estética seguinte, o Barroco.

Poesia épica: Nos poemas épicos (narração de episódios históricos ou lendários), predomina a retomada de exaltações de caráter humanista-nacionalista, fortemente inspiradas nos clássicos greco-latinos, principalmente em autores como Virgílio (Eneida) e Homero (A Odisseia).

Características importantes: Tanto nas composições líricas como nas epopeias há um resgate das formas e temas que vigoraram na Antiguidade clássica.

Camões: Em língua portuguesa, o grande nome do período é Luís Vaz de Camões, autor de vasta obra poética lírica, como o soneto Amor é fogo que arde sem se ver, e épica, como Os Lusíadas. Nessa última, os feitos dos navegadores portugueses em direção às Índias são igualados às façanhas de heróis da Antiguidade.

Adaptado de Guia do estudante 2012 (Editora Abril) e Ciências Humanas, Livro 1 (COC Sistema de Ensino).

Abaixo, alguns slides sobre Luís de Camões e o período do Classicismo.



 
l