POSTAGEM 27: "A feição deles é serem pardos, maneira d'avermelhados"

Olá internauta. Faltam 73 dias para o ENEM e essa é a nossa postagem de número 27. Hoje, quarta-feira, vamos trazer dois exercícios no exame nacional para que os candidatos saibam como a teoria é cobrada na avaliação. Vejamos:


QUESTÃO 01
Com base nos estudos realizados até então sobre o Classicismo Português (1527-1580), julgue as asserções abaixo e faça o que se pede:
I. O novo estilo de época que caracteriza o Renascimento recebeu diferentes denominações na Europa, conforme suas manifestações. Em Portugal, costuma-se chamá-lo de Quinhentismo ou Classicismo, e abrange o período de 1527 a 1580.
II. Em 1526, retorna a Portugal, o poeta Sá de Miranda, trazendo novas ideias a respeito de arte. Lá esse autor recebera diversas influências artísticas inovadoras.
III- A redescoberta do mundo greco-latino não significa que durante a Idade Média escritores gregos tivessem sido esquecidos. Eles eram lidos, mas apenas para servirem de fundamento a teologia vigente. Platão e Aristóteles, por exemplo, foram estudados na Idade Média.
IV. O clima de euforia, confiança e otimismo que marcou o Renascimento permitiu uma nova leitura das obras clássicas. Sendo assim, como o tema e a visão de mundo das obras da Antiguidade refletiam muitas preocupações do homem da Renascença, os clássicos passaram a ser considerados modelos de perfeição estética.
A alternativa correta é:
a) Apenas I e III        
b) Apenas I, II e III      
c) Apenas Somente III
d) Todas                   
e) nenhuma

GABARITO: D
COMENTÁRIO DO LÉS: O exercício retoma um pouco da teoria do Classicismo e cobra do aluno alguns pontos-chave para que ele resolva a questão. Na assertiva I, o candidato teria apenas que se lembrar de conceitos básicos sobre o assunto: as denominações (Classicismo, que filia o movimento em questão aos princípios da Antiguidade Clássica; e Quinhentismo, devido à escola ter ocorrido no século XVI). Ainda dentro da primeira afirmação, temos a questão das datas, que quase nunca invalidam o que foi dito e, neste caso, o candidato poderia confirmá-las no enunciado. A assertiva II fala sobre o chamado dolce stil nuovo, levado da Itália para Portugal pelo poeta Sá de Miranda. A assertiva III cobra um pequeno conhecimento do candidato sobre a história da filosofia, mas nada que pudesse deixá-lo em dúvida. Veja bem: olhando as alternativas, veríamos que a única em que a assertiva III não estava contemplada era a letra E, que não poderia ser assinalada, pois já havíamos marcado duas assertivas como corretas. E finalmente, na assertiva IV, interdisciplinaridade com a História que poderia deixar o candidato confuso, embora que no estudo da Literatura, quase sempre começamos pelo contexto histórico.

QUESTÃO 02




ECKHOUT, A. “Índio Tapuia” (1610-1666). Disponível em: http://www.diaadia.pr.gov.br Acesso em: 9 jul. 2009.

A feição deles é serem pardos, maneira d'avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura, nem estimam nenhuma cousa cobrir nem mostrar suas vergonhas. E estão acerca disso com tanta inocência como têm em mostrar o rosto.

CAMINHA, P. V. A carta. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 12 ago. 2009.

Ao se estabelecer uma relação entre a obra de Eckhout e o trecho do texto de Caminha, conclui-se que:

a) ambos se identificam pelas características estéticas marcantes, como tristeza e melancolia, do movimento romântico das artes plásticas.
b) o artista, na pintura, foi fiel ao seu objeto, representando-o de maneira realista, ao passo que o texto e apenas fantasioso.
c) a pintura e o texto têm uma característica em comum, que e representar o habitante das terras que sofreriam processo colonizador.
d) o texto e a pintura são baseados no contraste entre a cultura europeia e a cultura indígena.
e) há forte direcionamento religioso no texto e na pintura, uma vez que o índio representado e objeto da catequização jesuítica.

GABARITO: C
COMENTÁRIO DO LÉS: Tanto a pintura de Eckhout quanto o texto de Pero Vaz de Caminha tratam do índio americano, o qual sofreria processo de colonização imposto pelos povos europeus. A pintura parece ilustrar exatamente o que diz o texto, apresentando o índio completamente despido, em posição de extrema naturalidade, como se estivesse contemplando o espectador.


 
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