POSTAGEM 32: Barroco, uma pérola imperfeita e disforme

Olá internauta. Faltam 68 dias para o ENEM e essa é a nossa postagem de número 32. Hoje, segunda-feira e amanhã, terça, nosso papo será sobre teoria. Vamos falar, respectivamente, de Barroco e Arcadismo, os dois últimos movimentos da chamada Era Colonial de nossa Literatura.


BARROCO

SEISCENTISMO — BARROCO: Séc. XVII (1601-1768): A cidade de Salva-dor (BA) povoada por aventureiros, índios, negros e mulatos, tornou-se o centro das decisões políticas e do comércio de açúcar. Literatura NO Brasil, há produção propriamente literária, ainda que constituída da simples transposição dos modelos ibéricos.

UMA DEFINIÇÃO

Estilo artístico que marcou o século XVII, nascendo ao final do século XVI, na Itália. Não há como entendê-lo, sem entender a Reforma e a Contrarreforma deste século, já que suas principais características - desequilíbrio, rebuscamento, exagero, fusionismo e religiosidade - devem-se à Contrarreforma da Igreja Católica.

Como se percebe devido às suas características básicas citadas, o Barroco opõe-se ao Classicismo, que era baseado na razão, na harmonia e no equilíbrio.

Em outras palavras, o Barroco era a arte da Contrarreforma. Após o Concílio de Trento, a Igreja reativou a Inquisição, de maneira semelhante à época medieval. Reformistas e cientistas foram perseguidos.

O Homem, e, em consequência, a arte, tendia ao dualismo: ao mesmo tempo em que era pressionado pela Igreja a viver como na era Medieval, já havia passado pela experiência Renascentista. Tentando unificar dois conceitos tão diferentes - o antropocentrismo com o teocentrismo, o espírito com a matéria... - só podia mesmo viver no desequilíbrio que foi a arte barroca, que quase tendeu para o mau gosto.

"Barroco" origina-se de "Broatki", uma província da Índia, descoberta em 1510 pelos portugueses, onde eram encontradas pérolas de formato irregular, ásperas e de coloração claro-escura. Os comerciantes passaram a chamar a região de Baróquia, e o termo "Barrueco", espanhol, designa esse tipo de pérola.

De fato, tem sentido. Na pintura barroca percebe-se o predomínio do "claro-escuro", e a arte, de tão robusta, exagerada, acaba dando a ideia de deformidade.

Este estilo artístico para nós também tem uma maior importância porque inaugura a literatura brasileira, apesar de também considerarmos o Quinhentismo, logo na descoberta do Brasil, século XVI - Carta de Pero Vaz, poesia de Padre Anchieta... - Ainda assim não tratava-se de uma literatura brasileira, e somente uma literatura escrita no Brasil.

O SURGIMENTO
O Barroco procura solucionar os dilemas de um homem que perdeu sua confiança ilimitada na razão e na harmonia, através da volta a uma intensa religiosidade medieval e da eliminação dos conceitos renascentistas de vida e arte. Em parte, isso não é atingido e as contradições prosseguiriam. O esquema abaixo pode esclarecer melhor o fenômeno.

· Arte Medieval: Teocentrismo (Valorização da vida espiritual);
· Renascimento: Humanismo (Valorização da vida corpórea);
· Barroco: Volta à religiosidade( Dilaceramentos: alma x corpo/ vida x morte/ claro x escuro/ céu x terra, etc).

Assim:
· o Renascimento recusa os valores religiosos e artísticos da Idade Média;
· o Barroco tenta inutilmente conciliar a visão medieval da vida e da arte com a visão renascentista.

Cumpre ressaltar a diferença entre o Barroco dos países protestantes e o dos países católicos. O Barroco protestante - que não nos interessa aqui - toma uma direção burguesa e secular. Já o Barroco católico, em sintonia com a Contrarreforma, adquire uma conotação extremamente religiosa, quando não mística.

Como era de praxe na época, os estilos artísticos dominantes nas metrópoles foram copiados nas colônias e assim o Barroco das nações ibéricas irrompe na América Latina como um transplante cultural. A matriz desse movimento radica-se na Espanha, até porque Portugal - entre 1580 a 1640 - está sob o jugo do reino vizinho.

As condições históricas espanholas são excepcionais para o desenvolvimento de um estilo artístico marcado pelo dilaceramento e pelo pessimismo. No início do século XVII, o país vive uma crise terrível: guerras perdidas na Europa, a perseguição à burguesia judaica, a ausência de indústrias, a violência da Inquisição e o colapso da agro-pecuária, dada a expulsão dos mouros que trabalhavam de maneira eficiente no campo.

Gregório de Matos Guerra, o Boca do Inferno
Nem o ouro nem a prata, arrancados das colônias americanas, conseguem amenizar o declínio da outrora grandiosa potência. A pobreza se espalha pela nação e uma profunda religiosidade impregna o cotidiano de todas as classes sociais, da nobreza aos excluídos. Ou seja, a mesma situação de desconforto econômico e de mal-estar cultural que viria ocorrer na Bahia de Gregório de Matos Guerra, algumas décadas depois.

Neste panorama de decadência e fracasso emergem as obras de Góngora, Quevedo, Gracián e Calderón de la Barca que levarão a literatura barroca espanhola a um extraordinário patamar artístico, influenciando decisivamente poetas e prosadores latino-americanos do século XVII.

CULTISMO e CONCEPTISMO
Na Espanha do século XVII, dentro do padrão barroco, aparecem essas duas designações literárias que se tornam símbolos do exagero verbal e de certa obscuridade do pensamento.

Cultismo:
·      Busca da perfeição formal através de um estilo rebuscado.
·      Utilização contínua de neologismos.
·      Metáforas arrojadas e hipérbatos (inversões sintáticas) frequentes.

Conceptismo:
·      Tentativa de dizer o máximo com o mínimo de palavras.
·      Emprego de elipses, duplos sentidos, paradoxos e alegorias.
·      Requinte expressivo e sutileza das ideias.

Os principais representantes dessas duas tendências foram respectivamente Góngora e Quevedo. Na execução poética, contudo, tanto Cultismo quanto Conceptismo apresentam mais pontos de convergência do que de repulsão. Frise-se também que os referidos estilos - apresentados como formalismo desmedido e jogo de ideias labirínticas - possibilitam alguns momentos criativos que se situam entre os mais altos da lírica ocidental.

BARROCO NO BRASIL
O poema épico Prosopopeia, de Bento Teixeira, publicado em 1601, apesar de não ter valor literário, é considerado o início do Barroco na Literatura Brasileira.


AUTORES (Maiores informações sobre os autores nos slides, abaixo)

GREGÓRIO DE MATOS GUERRA:
  • POESIA LÍRICA: Sacra, Amorosa, Reflexixo-filosófica, Encomiástica;
  • POESIA SATÍRICA: Destaque para a Poesia Fescenina.

PADRE ANTÔNIO VIEIRA
  • Sermões
  • Cartas.
 Abaixo, alguns slides relacionados ao assunto:



 
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