POSTAGEM 48: "... naquela terra encharcada e fumegante, naquela umidade quente e lodosa"

Olá internauta. Faltam 52 dias para o ENEM e esta é a nossa postagem de número 48. Hoje vamos resolver e comentar alguns exercícios sobre as escolas literárias da semana, o Realismo e o Naturalismo.


EXERCÍCIO 01
(...) havia no Lobo Neves certa dignidade fundamental, uma camada de rocha que resistia ao comércio dos homens. As outras, as camadas de cima, terra solta e areia, levou-lhe a vida, que é enxurro perpétuo. Se o leitor ainda se lembra do capítulo XXIII, observará que é agora a segunda vez que eu comparo a vida e um enxurro; mas também há de reparar que desta vez acrescento-lhe um adjetivo – perpétuo. E deus sabe a força de um adjetivo, principalmente em países novos e cálidos.

Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, obra publicada em 1881, apresenta traços de modernidade, que a fazem antecipadora da narrativa do século XX. Assinale a alternativa em que se enuncia um elemento do texto que não se caracterize como fator gerador dessa modernidade.

a) A reflexão crítica do narrador sobre o seu próprio discurso.
b) A prática da narração com um processo de autorrevisão.
c) O uso constante de comparações.
d) O estímulo à participação do leitor na dinâmica da composição da obra.
e) A paródia, como no último período, aos lugares-comuns da eloquência brasileira.

GABARITO: C
COMENTÁRIO DO LÉS: O exercício trabalha bem com as características de nosso maior escritor, Machado de Assis. No texto, aparece a reflexão crítica do narrador sobre seu próprio discurso e a prática da narração com um processo de autorrevisão ("agora a segunda vez que eu comparo a vida e um enxurro"), a paródia ("E deus sabe a força de um adjetivo, principalmente em países novos e cálidos".) e o estímulo à participação do leitor na dinâmica da composição da obra ("Se o leitor ainda se lembra do capítulo XXIII").


EXERCÍCIO 02
Leia os textos a seguir para responder adequadamente à questão 1.


João Romão não saía nunca a passeio, nem ia à missa aos domingos; tudo que rendia a sua venda e mais a quitanda seguia direitinho para a caixa econômica e daí então para o banco. Tanto assim que (...) tratou, sem perda de tempo, de construir três casinhas de porta e janela. (...)
                
E o fato é que aquelas três casinhas, tão engenhosamente construídas, foram o ponto de partida do grande cortiço de São Romão.
                
Hoje quatro braças de terra, amanhã seis, depois mais outras, ia o vendeiro conquistando todo o terreno que se estendia pelos fundos da sua bodega; e, à proporção que o conquistava, reproduziam-se os quartos e o número de moradores. (...)
                
Noventa e cinco casinhas comportou a imensa estalagem. (...)
                
As casinhas eram alugadas por mês e as tinas por dia; tudo pago adiantado. O preço de cada tina, metendo a água, quinhentos réis; sabão à parte. As moradoras do cortiço tinham preferência e não pagavam nada para lavar. (...)
                
E naquela terra encharcada e fumegante, naquela umidade quente e lodosa, começou a minhocar, a esfervilhar, a crescer, um mundo, uma coisa viva, uma geração, que parecia brotar espontânea, ali mesmo, daquele lameiro, e multiplicar-se como larvas no esterco. 
    
Aluísio Azevedo, O cortiço.

De acordo com Alfredo Bosi, Aluísio Azevedo, em O cortiço, ao falar dos mais humildes, “não [são] raras as comparações [que faz com] com vermes ou com insetos” (BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1997, p. 190). Levando isso em consideração e lembrando que o Naturalismo, do qual Aluísio era um expoente, procurava denunciar os aspectos degradantes da sociedade, assinale a alternativa correta.
 
a) Ao retratar o cortiço como um lugar em que os seres humanos são comparados a larvas no esterco, o autor os reduz ao nível animal, mostrando sua degradação.
b) Ao descrever o caráter recluso de João Romão, o texto apresenta uma característica típica do período em que foi escrito: falta de contato social.
c) Ao mostrar que as moradoras do cortiço pagavam, além do aluguel da casa, o aluguel das tinas para lavar roupa, o texto as mostra como pessoas civilizadas.
d) O nome do cortiço, “São Romão”, confirma a religiosidade de João Romão, que, mesmo trabalhando muito, não deixava nunca de ir à missa dominical.
e) O trecho confirma o caráter caridoso de João Romão, que sempre ajudava os moradores carentes do cortiço, deixando-os morar de graça.

GABARITO: A
COMENTÁRIO DO LÉS: Exercício típico do ENEM. um trecho conhecido de uma obra importante, com comentário crítico, cobrando características presentes no texto. Fique atento a este tipo de exercício.


POSTAGEM 47: O Natualismo





Olá internauta. Faltam 53 dias para o ENEM e essa é a nossa postagem de número 47. Hoje vamos falar um pouquinho da teoria do Naturalismo. Observe:

POR DENTRO DO NATUALISMO

Origens: Pioneiro do movimento na Europa, com o livro Thérèse Raquim (1867), o francês Émile Zola publica a obra-prima do Naturalismo, Germinal, em 1885.

Marco inicial: A primeira obra naturalista brasileira é O Mulato, de Aluísio Azevedo, publicada em 1881. Em Portugal, o movimento não se dissociou do Realismo, podendo ser encontrados aspectos naturalistas em obras realistas.

Contexto histórico: O surgimento do Naturalismo, assim como do Realismo, está condicionado ao amplo desenvolvimento cientifico ocorrido na segunda metade do século XIX, especialmente da biologia e da sociologia.

Importância da ciência: A publicação de diversos relatos de artistas que viajaram em expedições científicas também estimula os naturalistas a retratar suas cenas e personagens com rigor quase científico. Assim, suas obras se transformam em experimentos dos conceitos em voga na época, como o determinismo (o homem ê fruto do meio, da raça e do momento histórico) e a teoria da evolução das espécies, de Charles Darwin.
Aluísio Azevedo
Características importantes: Para criarem obras verossimeis e próximas aos métodos científicos, os escritores naturalistas empregam vocabulário comum à área das ciências. As personagens, sobretudo as que vivem em zonas urbanas, são o objeto de estudo, e seu modo de ser e agir é mostrado como sendo o resultado tanto das condições sociais nas quais elas vivem quanto de fatores morais e éticos. São enfatizados os aspectos mais primitivos do ser humano, que muitas vezes é comparado aos animais, e o escritor se coloca como observador dessa realidade ficticia. Como consequência, as cenas são predominantemente descritivas, com as emoções em segundo plano.
Principais autores: Aluísio Azevedo é o maior nome do Naturalismo no Brasil. Outro autor de destaque é Raul Pompeia, que publica OAteneu, em 1888. Embora marcado por características da estética naturalista, o livro não se limita a seguir os preceitos desse movimento literário.

Adaptado de Guia do estudante (Português), Editora Abril.


POSTAGEM 46: O Realismo

Olá internauta. Faltam 54 dias para o ENEM e esta é a nossa postagem de número 46. Hoje vamos falar um pouquinho sobre a teoria do Realismo no Brasil. Amanhã, falaremos de Naturalismo, que em muitas vezes é confundido com o primeiro. Vamos lá:

Movimento artístico que se manifesta na segunda metade do século XIX. Caracteriza-se pela intenção de uma abordagem objetiva da realidade e pelo interesse por temas sociais. O engajamento ideológico faz com que muitas vezes a forma e as situações descritas sejam exageradas para reforçar a denúncia social. O Realismo representa uma reação ao subjetivismo do Romantismo. Sua radicalização rumo à objetividade sem conteúdo ideológico leva ao Naturalismo. Muitas vezes Realismo e Naturalismo se confundem.

Artes Plásticas - A tendência expressa-se sobretudo na pintura. As obras privilegiam cenas cotidianas de grupos sociais menos favorecidos. O tipo de composição e o uso das cores criam telas pesadas e tristes. O grande expoente é o francês Gustave Courbet (1819-1877). Para ele, a beleza está na verdade. Suas pinturas chocam o público e a crítica, habituados à fantasia romântica. São marcantes suas telas Os Quebradores de Pedra, que mostra operários, e Enterro em Ornans, que retrata o enterro de uma pessoa do povo. Outros dois nomes importantes que seguem a mesma linha são Honoré Daumier (1808-1879) e Jean-François Millet (1814-1875). Também destaca-se Édouard Manet (1832-1883), ligado ao Naturalismo e, mais tarde, ao Iimpressionismo. Sua tela Olympia exibe uma mulher nua que "encara" o espectador.

Literatura - O Realismo na Literatura manifesta-se na prosa. A poesia da época vive o Parnasianismo. O romance - social, psicológico e de tese - é a principal forma de expressão. Deixa de ser apenas distração e torna-se veículo de crítica a instituições, como a Igreja Católica, e à hipocrisia burguesa. A escravidão, os preconceitos raciais e a sexualidade são os principais temas, tratados com linguagem clara e direta.

Na passagem do Romantismo para o Realismo misturam-se aspectos das duas tendências. Um dos representantes dessa transição é o escritor e dramaturgo francês Honoré de Balzac (1799-1850), autor do conjunto de romances Comédia Humana. Outros autores importantes são os franceses Stendhal (1783-1842), que escreve O Vermelho e o Negro , e Prosper Merimée (1803-1870), autor de Carmen, além do russo Nikolay Gogol (1809-1852), autor de Almas Mortas.

ImageO marco inicial do Realismo na Literatura é o romance Madame Bovary, do francês Gustave Flaubert (1821-1880). Outros autores importantes são o russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881), cuja obra-prima é Os Irmãos Karamazov; o português Eça de Queirós (1845-1900), que escreve Os Maias; o russo Leon Tolstói (1828-1910), criador de Anna Karenina e Guerra e Paz; os ingleses Charles Dickens (1812-1870), autor de Oliver Twist, e Thomas Hardy (1840-1928), de Judas, o Obscuro.

A tendência desenvolve-se também no conto. Entre os mais importantes autores destacam-se o russo Tchekhov (1860-1904) e o francês Guy de Maupassant (1850-1893).

Teatro - Com o Realismo, problemas do cotidiano ocupam os palcos. O herói romântico é substituído por personagens do dia-a-dia e a linguagem torna-se coloquial. O primeiro grande dramaturgo realista é o francês Alexandre Dumas Filho (1824-1895), autor da primeira peça realista, A Dama das Camélias (1852), que trata da prostituição.

Fora da França, um dos expoentes é o norueguês Henrik Ibsen (1828-1906). Em Casa de Bonecas, por exemplo, trata da situação social da mulher. São importantes também o dramaturgo e escritor russo Gorki (1868-1936), autor de Ralé e Os Pequenos Burgueses, e o alemão Gerhart Hauptmann (1862-1946), autor de Os Tecelões.

REALISMO NO BRASIL - No Brasil, o realismo marca mais intensamente a literatura e o teatro.
 
Artes plásticas - Entre os artistas brasileiros, tem maior expressão o Realismo burguês, nascido na França. Em vez de trabalhadores, o que se vê nas telas é o cotidiano da burguesia. Dos seguidores dessa linha se destacam Belmiro de Almeida (1858-1935), autor de Arrufos, que retrata a discussão de um casal, e Almeida Júnior (1850-1899), autor de O Descanso do Modelo. Mais tarde, Almeida Júnior aproxima-se de um realismo mais comprometido com as classes populares, como em Caipira Picando Fumo.

Literatura - O Realismo manifesta-se na prosa. A poesia da época viverá o Parnasianismo. O romance é a principal forma de expressão, tornando-se veículo de crítica a instituições e à hipocrisia burguesa. A escravidão, os preconceitos raciais e a sexualidade são os principais temas, tratados com linguagem clara e direta.

O Realismo atrai vários escritores, alguns antes ligados ao Romantismo. O marco é a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, que faz uma análise crítica da sociedade da época. Ligados ao regionalismo destacam-se Manoel de Oliveira Paiva (1861-1892), autor de Dona Guidinha do Poço, e Domingos Olímpio (1860-1906), de Luzia-Homem.

Teatro - Os problemas do cotidiano ocupam os palcos. O herói romântico é substituído por personagens do dia-a-dia e a linguagem passa a ser coloquial.
 
Entre os principais autores estão romancistas realistas, como Machado de Assis, que escreve Quase Ministro, e alguns românticos, como José de Alencar, com O Demônio Familiar, e Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882), com Luxo e Vaidade. Outros nomes de peso são Artur de Azevedo (1855-1908), criador de comédias e operetas como A Capital Federal e O Dote, Quintino Bocaiúva.


Adaptado de Algo Sobre.


POSTAGEM 45: As gerações da poesia romântica

 Olá internauta. Faltam 55 dias para o ENEM e essa é a nossa postagem de número 45. Hoje vamos trazer "algo mais" sobre o Romantismo no Brasil. Atente para as informações:

AS TRÊS GERAÇÕES DA POESIA ROMÂNTICA:
Álvares de Azevedo, ( 2ª geração)

A primeira geração (nacionalista–indianista) era voltada para a natureza, o regresso ao passado histórico e ao medievalismo. Cria um herói nacional na figura do índio, de onde surgiu a denominação de geração indianista. O sentimentalismo e a religiosidade são outras características presentes. Entre os principais autores podemos destacar Gonçalves de Magalhães, Gonçalves Dias e Araújo Porto Alegre. Gonçalves de Magalhães foi o introdutor do Romantismo no Brasil. Obras: Suspiros Poéticos e Saudades. Gonçalves Dias foi o mais significativo poeta romântico brasileiro. Obras: Canção do exílio, I-Juca-Pirama. Araújo Porto Alegre fundou com os outros dois a Revista Niterói-Brasiliense

Entre as principais características da primeira geração romântica no Brasil estão: o nacionalismo ufanista, o indianismo, o subjetivismo, a religiosidade, o brasileirismo (linguagem), a evasão do tempo e espaço, o egocentrismo, o individualismo, o sofrimento amoroso, a exaltação da liberdade, a expressão de estados de alma, emoções e sentimentalismo.

A segunda geração, também conhecida como Byroniana e Ultra-Romantismo, recebeu a denominação de mal-do-século pela sua característica de abordar temas obscuros como a morte, amores impossíveis e a escuridão.

Entre seus principais autores estão Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Fagundes Varela, Junqueira Freire e Pedro de Calasans. Álvares de Azevedo fazia parte da sociedade epicuréia destinada a repetir no Brasil a existência boêmia de Byron. Obras: Pálida à Luz, Soneto, Lembranças de Morrer, Noite na Taverna. Casimiro de Abreu escreveu As Primaveras, Poesia e amor, etc. Fagundes Varela, embora byroniano, já tinha em sua poesia algumas características da terceira geração do romantismo. Junqueira Freire, com estilo dividido entre a homossexualidade e a heterossexualidade, demonstrava as idiossincrasias da religião católica do século XIX.

Já as principais características da segunda geração foram o profundo subjetivismo, o egocentrismo, o individualismo, a evasão na morte, o saudosismo (lamentação) em Casimiro de Abreu, por exemplo, o pessimismo, o sentimento de angústia, o sofrimento amoroso, o desespero, o satanismo e a fuga da realidade.

Por fim há a terceira geração, conhecida também como geração Condoreira, simbolizada pelo Condor, uma ave que costuma construir seu ninho em lugares muito altos e tem visão ampla sobre todas as coisas, ou Hugoniana, referente ao escritor francês Victor Hugo, grande pensador do social e influenciador dessa geração.

Os destaques desta geração foram Castro Alves, Sousândrade e Tobias Barreto. Castro Alves, denominado "Poeta dos Escravos", o mais expressivo representante dessa geração com obras como Espumas Flutuantes e Navio Negreiro. Sousândrade não foi um poeta muito influente, mas tem uma pequena importância pelo descritivismo de suas obras. Tobias Barreto é famoso pelos seus poemas românticos.

As principais características são o erotismo, a mulher vista com virtudes e pecados, o abolicionismo, a visão ampla e conhecimento sobre todas as coisas, a realidade social e a negação do amor platônico, com a mulher podendo ser tocada e amada.

Essas três gerações citadas acima, apenas se aplicam para a poesia romântica, pois a prosa no Brasil, não foi marcada por gerações, e sim por estilos de textos - indianista, urbano, histórico e regional - que aconteceram todos simultaneamente.

No país, entretanto, o Romantismo perdurará até a década de 1880. Com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, por Machado de Assis, em 1881, ocorre formalmente a passagem para o período realista.


POSTAGEM 44: A Bela, a Fera e o Romantismo

Olá internauta. Faltam 56 dias para o ENEM e essa é a nossa postagem de número 44. Hoje vamos trazer uma relação entre "Romantismo" e o filme A bela e a fera. Atente aos slides e às cenas:

A Bela E A Fera










POSTAGEM 43: Romantismo e música

Olá internauta. Faltam 57 dias para o ENEM e essa é a nossa postagem de número 43. Hoje vamos falar de música e relacioná-la ao Romantismo. E como na semana passada, vamos ter menos papo e mais música. Obeserve algumas canções que trazem características importantes deste período literário:



Nacionalismo ufanista (presente no Romantismo brasileiro): 

A idealização, uma das características mais importantes: A idealização do índio (característica principal da 1ª fase da poesia romântica): O individualismo e o mal-do-século, presentes na 2ª fase da poesia romântica: A poesia social da 3ª geração da poesia:

POSTAGEM 42: "A liberdade guiando o povo"

Olá internauta. Faltam 58 dias para o ENEM e esta é a nossa postagem de número 42. Hoje vamos falar de um dos mais importantes quadros relacionados ao Romantismo, A Liberdade Guiando o Povo. Observe:

O Romantismo surge entre os séculos XVIII e XIX associado aos movimentos nacionalistas europeus. Para os românticos, o povo é simples, puro e exalta as tradições de sua região. Além de marcar uma época, foi de suma importância histórica no desenvolvimento da mentalidade europeia em oposição às ideias iluministas. Os românticos consideravam a burguesia o oposto dos ideais humanos que buscavam: honestidade, humildade, repúdio as mentiras de uma sociedade mesquinha e hipócrita.

O pintor francês Eugène Delacroix é considerado um dos mestres do Romantismo. Comovido com os acontecimentos políticos de 1830, Delacroix pinta uma obra que se tornou um marco: A Liberdade Guiando o Povo. O cenário é montado em diversas classes sociais: melancólicos jovens barbudos, operários em mangas de camisa, tribunos do povo com os cabelos esvoaçantes, todos rodeando a Liberdade (representada por uma mulher) com sua bandeira tricolor.

Mais do que um quadro, é um panfleto político que exalta o idealismo democrático da revolução. É o verdadeiro manifesto de propaganda, cujo valor enquanto pintura reside na habilidade do artista no manejo com as cores. Delacroix nela se faz retratar: o jovem de cartola e arma na mão. Nesta obra podemos observar inspiração patriótica (Revolução Francesa) e literária (com a obra Os Miseráveis, de Victor Hugo). 

A Liberdade, única mulher do quadro, usa uma saia bege atada à cintura por duas voltas, um cinto vermelho folgado e uma camisa branca rasgada. Na sua mão esquerda traz um fuzil de infantaria com baioneta no cano. Na mão direita carrega a bandeira nascida com a Revolução Francesa (1789) que une as duas cores de Paris, o azul e o vermelho, e o branco da antiga monarquia, que foi convertendo-se no mundo inteiro no emblema da liberdade. No segundo plano uma barricada pouco elevada com um amontoado de tijolos e pedaços de madeira. Os personagens apresentam-se com forte realismo.

As pinceladas são rápidas e precisas, frequentemente dispostas em curva, reforçam o aspecto sinuoso e turbulento da Liberdade. A certa distância a pincelada se funde no conjunto, mas proporciona ao quadro um toque que o degradê das cores não pode produzir. O modelado se esfuma por trás, para reforçar o efeito de profundidade.

A Liberdade Guiando o Povo foi belamente representada no Carnaval 2009 pela Escola de Samba Grande Rio. Na alegoria percebe-se o bramido da população por uma França mais fraterna. Num primeiro momento foram representados conflitos, guilhotinas e guerras. Após veio a transformação, com a união do povo, num ambiente de paz e alegria, culminando com a declaraçãoo dos direitos do Homem e Cidadão, conquista dos franceses com a Revolução.


Um trecho do desfile da Grande Rio no carnaval de 2009:




POSTAGEM 41: As gerações românticas no ENEM

Olá internauta. Faltam 59 dias para o ENEM e esta é a nossa postagem de número 41. Hoje vamos resolver e comentar dois exercícios sobre o Romantismo. Observe:

QUESTÃO 01 Analise a tira apresentada para responder a questão a seguir.

A referência ao escritor maldito, presente no último quadrinho, pode ser relacionada a um período literário que, da Alemanha e da França, no século XIX, espalhou-se por todo o ocidente, tendo representado no Brasil o fim da literatura colonial e o início do período nacional da nossa literatura. Assinale a alternativa em que se encontram o nome desse estilo de época e o de um de seus mais significativos autores no Brasil.

a) Barroco, levando-se em conta, principalmente, os textos conceptistas do Padre Antonio Vieira.
b) Romantismo, sobretudo se forem considerados os autores da poesia do mal do século, por exemplo, Álvares de Azevedo.
c) Naturalismo, na medida em que se considera o uso, na literatura, do determinismo ambiental para caracterizar ambientes decadentes descritos nas obras de autores como Aluisio Azevedo.
d) Parnasianismo, pois foi um movimento rechaçado pelos modernistas que o consideravam alienado e por demais preso aos rigores técnicos da poesia clássica.
e) Modernismo, movimento que rompia com o passado artístico e pregava a liberdade total de expressão, como se pode observar na obra de Oswald de Andrade.

GABARITO: B
COMENTÁRIO DO LÉS!: O exercício já era fácil. E numa postagem sobre o Romantismo esntão, ele fica óbvio. Mas serve para analisarmos como o assunto pode ser cobrado no ENEM. Algumas expressões da tirinha remontam à 2ª geração da poesia romântica. São elas: "escritor maldito", "escrever para não morrer" e "bílis", que pode ser relacionada ao spleen.

QUESTÃO 02 Os dois fragmentos abaixo foram retirados do poema “Navio negreiro”, de Castro Alves, procure lê-los, para depois marcar o item incorreto :
[...]
Castro Alves
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vos, Senhor Deus!
Se e loucura... se e verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co’a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!
[...]

Existe um povo que a bandeira empresta
P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira e esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silencio. Musa... chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto!...
[...]


a) Na primeira parte acima, o poeta lança mão de um procedimento estilístico, a apóstrofe, com o claro intuito de aumentar o tom retórico (grandioso) desse poema épico.
b) O borrão citado no primeiro trecho, sem sombra de dúvidas, pode ser associado, ao terrível processo da escravidão, isto é, borrão e o navio negreiro deslizando nas águas do mar.
c) No trecho dois, há um sentimento de repúdio (aversão) aos portugueses, principais motivadores da escravidão do negro na plaga brasileira (“Existe um povo que a bandeira empresta”).
d) Ao final do trecho, o poeta evoca a musa (poesia) a “chorar”, isto é, denunciar as mazelas da colonização, com isso o seu pranto (lamento crítico) teria o poder de acordar uma consciência sobre a vergonha da escravidão (“Que o pavilhão se lave no teu pranto”).
e) O tom grandiloquente da poética castroalvina é coerente com a proposta da terceira geração do Romantismo, chamada de condoreira. Tal como Victor Hugo na França, essa geração colocou sua voz a serviço da luta pela liberdade e, portanto, combatendo a opressão.

GABARITO: C
COMENTÁRIO DO LÉS: No referio trecho de seu poema, Castro Alves não critica os portugueses e sim os brasileiros que emprestam seu pendão auriverde (a bandeira brasileira) para cobrir tanta infâmia e covardia trazida pela escravidão. Ou seja: para justificar a grandeza do Brasil, os poderosos encondiam a escravidão atrás do espítito de nacionalidade.

OBSERVAÇÃO: Não perca, na postagem de domingo, dia 28/08, um pouco de teoria sobre essas duas gerações românticas...


POSTAGEM 40: Romantismo no Brasil

Olá internauta. Faltam 60 dias para o ENEM e esta é a nossa postagem de número 40. Ontem vimos como o Romantismo se projetou no cenário mundial. Hoje vamos ver como ele aconteceu em terras brasileiras.

A Vontade de ser Brasileiro. O Romantismo

A partir da primeira metade do século XVIII, na Inglaterra e na Alemanha alguns autores passaram a expressar em suas obras as emoções, falando em sentimentos de amor e saudade num tom pessoal ou de amor à pátria, inspirados nas tradições nacionais. Era o nascimento do Romantismo, movimentos culturais que atingiram a França, onde, em contato com os ideais da Revolução Francesa, ganharam novo impulso espalhando-se por outras nações da Europa e pela América.

Foi graças ao Romantismo que, durante o século XIX, artistas e intelectuais brasileiros começaram a se preocupar em mostrar em suas obras as características de uma nação recém - fundada, distinta de todas as outras nações. Tratava-se de destacar os sentimentos e valores nacionais que nos tornavam diferentes, possibilitando a construção da nossa identidade. Para isso, artistas e intelectuais deveriam buscar nas tradições, religião, costumes, história e natureza, o material que permitisse expressar a nossa nacionalidade. Assim, no Brasil, o Romantismo adquiriu características especiais, defendendo os motivos e temas brasileiros, principalmente indígenas, expressos numa linguagem também nova, mais próxima da fala popular brasileira e mais distante da portuguesa.

Após a Independência começou-se a discutir a questão do "ser brasileiro". Para as elites do Centro-Sul era necessário não só fortalecer o seu poder como também definir a face da nação. Buscava-se a nossa identidade em meio a tantas diferenças e misturas étnicas. 

O patriotismo, o desejo de construção de uma pátria brasileira, deveria ser o estímulo e dever do escritor, a sua contribuição para a grandeza da nação, "um ato de brasilidade", como afirma o crítico literário Antônio Cândido. 

Entre os anos de 1833 e 1836, um grupo de jovens brasileiros que morava em Paris travou contato com as novas idéias dos intelectuais franceses que faziam parte do Institut Historique. Em 1836, ainda em Paris, esse mesmo grupo, conhecido como o Grupo de Paris, lançou o manifesto romântico na revista "Niterói", Revista Brasiliense de Ciências, Letras e Artes, que pode ser considerado um marco do Romantismo brasileiro, uma espécie de porta-voz dos novos ideais românticos. Sob o lema "Tudo pelo Brasil, e para o Brasil", os organizadores da revista buscavam dizer o que significava "ser brasileiro", exaltando a busca de temáticas nacionais, anunciando assim o projeto nativista, no qual o índio seria o elemento básico da brasilidade.

Em 1837, o poeta e dramaturgo Domingos José Gonçalves de Magalhães, um dos fundadores da "Niterói", e outros componentes do Grupo de Paris já estavam no Rio de Janeiro. Ao lado de Joaquim Manuel de Macedo, Gonçalves Dias e Francisco Adolfo Varnhagen, considerado o fundador da historiografia brasileira, passaram a freqüentar o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, em cuja revista divulgavam suas idéias. A proteção de D. Pedro II ao Instituto fortaleceu o grupo de Gonçalves de Magalhães, que ficou conhecido por seu vínculo com o Imperador.


O Indianismo como Projeto de Nacionalidade

A partir do apoio de D. Pedro II aos intelectuais e artistas, o Romantismo brasileiro se transformou em projeto oficial, expressando sua ligação com a política. Para valorizar as origens da nacionalidade escolheu-se o índio, visto como parte integrante e como fundador da nação brasileira. Em 1856, quando Gonçalves de Magalhães publicou o poema épico A Confederação dos Tamoios, obra financiada pelo Imperador, o índio passou a ser considerado o símbolo nacional. Idealizado, corajoso, puro e honrado, transformou-se na própria encarnação da jovem e independente nação brasileira, conduzida agora por D. Pedro II.

Enquanto que, na Europa, os escritores românticos valorizavam os temas heróicos da Idade Média, no Brasil o nacionalismo exaltava o indígena, o "bom selvagem", transformado em herói nas páginas dos romances e nas poesias de nossos escritores. As paisagens da nossa terra, os índios, a vida no campo e na cidade passaram a ser os temas da nossa literatura, teatro, pintura e música. 

Gonçalves Dias, considerado o principal poeta romântico brasileiro, exaltava a natureza e o sentimento de honra e valentia do índio. Graças a seus poemas I-Juca- Pirama, Os Timbiras, Canção do Tamoio, entre muitos outros, o indígena transformou-se em símbolo do nacionalismo romântico brasileiro. 

José de Alencar
Na prosa, José de Alencar aparece como um dos mais importantes escritores desse período. Em sua obra, nota-se a preocupação em expressar uma realidade tipicamente brasileira através de um modo de escrever que procura refletir o espírito do nosso povo, seu vocabulário e sua maneira de falar. Seus romances Iracema e O Guarani mostram a figura do índio idealizado ao extremo. Em O Sertanejo e em O Gaúcho relata a vida e hábitos das populações que viviam longe das cidades. Já em seus romances sociais ou urbanos (Senhora, Lucíola, Diva), José de Alencar traçou uma crítica das relações humanas na sociedade do Rio de Janeiro na época, além de destacar, nos "perfis femininos", a força da mulher.

No Rio de Janeiro e em outras cidades o romance folhetinesco conquistou o público. Na Europa, foi o folhetim que levou o romance a um número cada vez maior de leitores. Publicado nos jornais diários, prendia a atenção sobretudo das leitoras que esperavam a continuação da trama no dia seguinte. Brasileiros e brasileiras passaram a ler traduções de folhetins europeus, principalmente franceses, torcendo e sofrendo por seus heróis e heroínas. Ante o grande interesse que o folhetim despertava, muitos escritores brasileiros começaram também a publicar na imprensa seus romances em folhetins, que só mais tarde eram lançados na forma de livros.

No Brasil, o folhetim e os romances obtiveram grande sucesso entre as mulheres. Os romances urbanos de José de Alencar, destacando as personagens femininas e os de Joaquim Manuel de Macedo revelando os costumes e a vida social do Rio de Janeiro, logo se tornaram os favoritos das brasileiras. 

O Filho do Pescador, de Teixeira e Sousa e A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, marcaram o início do romance romântico no Brasil.


Outras Expressões do Romantismo no Brasil

O sentimento nacionalista expressou-se também no teatro. João Caetano apresentou, com sua companhia, a primeira peça de um autor brasileiro, Antônio José, de Gonçalves de Magalhães. No entanto é Martins Pena, com suas comédias satirizando os costumes do momento, como O Juiz de Paz na Roça, Quem casa, quer casa e As desgraças de uma criança, que pode ser considerado o criador do teatro nacional, explorando as contradições do sistema social em peças que até hoje fazem sucesso.

Na pintura buscava-se igualmente uma temática nacional. Pintores procuraram recriar em seus quadros os grandes acontecimentos da nossa história, a natureza, o indígena e a vida dos brasileiros. A Academia Imperial de Belas-Artes, criada em 1826, cresceu muito a partir do apoio financeiro e oficial que passou a receber. O próprio Imperador fazia questão de proteger os artistas, distribuindo prêmios e bolsas para o exterior, e participando frequentemente das exposições realizadas na Academia. O volume da produção artística dessa época foi muito significativa. A paisagem, a pintura histórica e o indígena idealizado foram transportados para telas, como: A primeira missa no Brasil, de Vítor Meireles, O grito do Ipiranga, de Pedro Américo, Iracema, de José Maria de Medeiros, e O último Tamoio, de Rodolfo Amoedo. 

Nesse período, a música ouvida pela boa sociedade, como as óperas e as valsas, era feita na Europa. A preocupação em buscar uma identidade cultural nacional fez com que alguns compositores brasileiros procurassem criar uma música ligada a temas nacionais.

Carlos Gomes compôs várias óperas exaltando a brasilidade e o romantismo indianista. Apesar da influência claramente italiana, suas óperas foram cantadas em português, com temas bem nacionais. Em 1870, sua ópera O Guarani, inspirada no romance do mesmo nome de José de Alencar, estreou no famoso teatro Scala de Milão, contando com a presença de D. Pedro II, seu protetor e financiador. 

A busca do "ser brasileiro" não ficou restrita às artes. Os historiadores procuravam também criar uma história do Brasil, destacando a nossa identidade cultural, as nossas características - como nos constituímos em brasileiros - enfim, a nossa memória. Nas ciências naturais, pesquisadores percorreram o interior identificando e classificando espécies animais, vegetais e minerais, o que acabou por aumentar as informações sobre a fauna, a flora e o solo brasileiros.

O início do romance romântico no Brasil

Teixeira e Sousa (Cabo Frio-RJ, 1812 — Rio, 1861)

Cronologicamente, o nosso primeiro romancista foi o carpinteiro mulato Antônio Alves Teixeira e Sousa, cuja produção é extremamente volumosa e de péssima qualidade. Seu primeiro romance é de 1843, e se chama O filho do pescador. Trata-se da malfadada história do trágico amor de Augusto e Laura. Neste pequeno livro, encontramos todos os ingredientes do romance folhetinesco da época: amor extremado, traição, envenenamento, ressurgimento de uma personagem supostamente morta e farta intenção moralizante.

Segue a abertura de O filho do pescador. Notar: descrição convencional e a retórica pomposa, com profusão de adjetivos, exclamações e metáforas pictóricas.
           No meio dos imensos encantos de uma risonha prima-vera, ataviada de todas as galas de que é suscetível a mais brilhante de todas as estações, uma aurora verdadeiramente mágica começa de espreguiçar-se sobre um céu puro e se-reno, entre as aurirroxas sanefas de um horizonte adornado de todas as pompas matinais! Vistosos festões de uma alegre púrpura entrelaçavam interessantes rosas de ouro, que recamando um céu a que toldava a mais ligeira nuvem de procela, ofereciam nesse imensurável espaço da sidérea campina o mais agradável contraste da púrpura de Tiro como ouro de Ofir, sobre o belo azul de um céu brasileiro em uma manhã de primavera!
           Uma feiticeira e voluptuosa aragem, respirando mei-gamente da parte do Oeste, fazia correr sobre a líquida face da formosa baía de Niterói uma ligeira ondulação, que sua-vemente empurrava sussurrantes e brincadoras ondas, que molemente se escoavam a saudar a branca praia com um amortecido beijo, cujo murmúrio ia-se enamoradamente que-brar nos bosques e nos mais vizinhos rochedos!

Joaquim Manoel de Macedo (S. João do Itaboraí-RJ, 1820 — Rio de Janeiro-RJ, 1882)

O primeiro romance brasileiro propriamente dito, depois de algumas tentativas malsucedidas no gênero, foi A Moreninha (1844) de J. M. de Macedo. Embora formado em Medicina, Macedo dedicou-se ao jornalismo e à política. A Moreninha conferiu-lhe bastante popularidade, mantida com a publicação de outros romances.

Nesta obra Macedo utilizou os ingredientes necessários para satisfazer o gosto do leitor da época e repetiu-os à exaustão em seus dezessete romances posteriores. De modo geral esses ingredientes são: a comicidade, o namoro difícil ou impossível, a dúvida dentre o dever e o desejo, a revelação surpreendente de uma identidade, as brincadeiras de estudantes e a linguagem inclinada para o tom coloquial.


A linguagem da romântica prosa

O romance romântico foi produzido por cerca de quarenta anos: da década de 40 à década de 80 do século XIX. Nessa trajetória, modificou-se, amadureceu, foi enriquecendo com novas técnicas, que servem de base para o surgimento dos grandes mestres do gênero, como Machado de Assis. Certas características, porém, são comuns a quase todos os romances românticos.


CARACTERÍSTICAS DA PROSA ROMÂNTICA:

1) Flash-back narrativo: é a volta no tempo para que sejam explicadas, por meio do passado, certas atitudes das personagens no presente. Às vezes, o flash-back traz revelações surpreendentes, confundindo-se com a peripécia. Em A Moreninha, por exemplo, ele explica o comportamento indiferente de Augusto em relação às mulheres — ele se devia ao casamento com a menina na infância —, ao mesmo tempo, se prepara para a peripécia. Carolina era a menina;


2) O amor como redenção: o conflito narrativo dos romances românticos normalmente consiste na oposição entre os valores da sociedade e do desejo da realização amorosa dos amantes: ou a família não quer a união do casal, ou um dos dois está impossibilitado (social ou religiosamente) ou não merece (moralmente) o amor do outro. De qualquer forma, o amor é sempre visto como o único meio de o herói ou o vilão romântico se redimirem e se purificarem de seus erros;


3) Herói idealizado, mas decaído: o herói romântico é em geral um ser dotado de idealismos, de honra e coragem e às vezes põe a própria vida em risco para atender os apelos do coração ou da justiça. Em algumas obras de influência medieval, o herói romântico assume feições de cavaleiro medieval como é o caso de Peri da obra O Guarani, de José de Alencar. Por outro lado, o herói romântico não apresenta aspectos de superioridade do ser, como podemos verificar em uma epopéia, por exemplo. O herói clássico, em muitas características, lembrava um deus. Tinha força, distinguia-se do homem comum. O herói (ou heroína) romântico, por sua vez, aproxima-se de um ser humano comum e mostra-se pouco integrado à sociedade a que pertence. Talvez essa sua semelhança maior com as pessoas seja uma das razões para o sucesso junto ao público;


4) Idealização da mulher: normalmente, as heroínas românticas são desprovidas de opinião própria, dominadas pela emoção, obedientes às determinações dos pais e educadas para o casamento. Frágeis, freqüentemente sofrem mal-estar ou desmaios, têm como ocupação principal sonhar com “príncipe encantado” e tramar intrigas sentimentais;


5) Linguagem metafórica: a prosa romântica tende à fantasia e à imaginação; por isso são freqüentes as descrições com adjetivação abundante, as comparações e as metáforas, usadas com a finalidade de idealizar um ambiente ou uma personagem;


6) Personagens planas: embora o Romantismo enquanto estética da emoção valorize o mundo interior das personagens, só raramente essa exploração interior alcança profundidade. Em geral, as personagens são trabalhadas emocionalmente, mas não como um todo, ou seja, não são mostradas suas reflexões existenciais, seus conflitos interiores; além disso, quase sempre são lineares, isto é, não sofrem mudanças e mantêm esse perfil do começo ao fim da obra — por isso são chamadas personagens planas. As poucas personagens esféricas do Romantismo são encontradas em obras de transição para o Realismo;


7) Visão maniqueísta: o mundo romântico das narrativas pode ser dividido entre bons e maus, tanto que podemos falar em mocinho e vilão — e este último sempre tentará impedir as realizações do mocinho;


8) Temática amorosa: nos romances românticos há (quase) sempre um par amoroso que busca a união, mesmo que isso só aconteça após a morte de um ou de ambos;


9) Estrutura narrativa tradicional: há apresentação das personagens, estabelecimento e desenvolvimento da trama, clímax, desfecho.

EM SÍNTESE:

Em síntese, assim podem ser esquematizadas as principais características da prosa romântica:

• Sentimentalismo;
• Impasse amoroso, com final feliz ou trágico;
• Oposição aos valores sociais;
• Peripécia;
• Flash-backs narrativos;
• O amor como redenção;
• Herói idealizado, mas decaído;
• A idealização da mulher;
• Visão maniqueísta;
• Estrutura narrativa tradicional;
• Personagens planas e
• Linguagem metafórica.


POSTAGEM 39: Romantismo (Parte 1)

Goethe
Olá internauta. Faltam 61 dias para o ENEM e esta é a nossa postagem de número 39. Hoje iniciar nossos estudos sobre a chamada era romântica da Literatura brasileira, que corresponde às produções artísticas do século XIX. Vejamos, abaixo, algumas considerações sobre o Romantismo:


POSTAGEM 38: "Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro"

Olá internauta. Faltam 62 dias para o ENEM e essa é a nossa postagem de número 38. Hoje, na sessão “Algo mais”, vamos falar de um poeta do Arcadismo português que tem uma grande influência em nossa Literatura: José Manoel Maria Barbosa du Bocage, ou simplesmente Bocage.

Manuel Maria Barbosa du Bocage foi um poeta árcade precursor do Romantismo . Espírito aventureiro, boêmio, antimonarquista e anticatólico, foi romanticamente dominado pela ideia de sua vocação de poeta e do paralelismo de sua vida com a de Camões.

Alistou-se na marinha real e em 1786 embarcou para a Índia. Esteve em Goa, Damão e Macau. Nessa viagem, aportou no Rio de Janeiro. Em 1790, de volta a Portugal, adere à Nova Arcádia com o nome de Elmano Sadino, mas logo satiriza os companheiros e ocorre o rompimento.

Em 1797, sobretudo devido ao poema "Carta a Marília", cujo verso inicial é "Pavorosa ilusão de eternidade", recebe ordem de prisão. Após a condenação por impiedade e a estada nas masmorras do Limoeiro, nas da Inquisição, no claustro de São Bento e no convento dos oratorianos, Bocage se conforma às convenções morais e religiosas da época e se retrata.

Principais características
Irreverente talvez seja o adjetivo que melhor defina a vida e a obra de Bocage. Com uma visão de mundo e um temperamento românticos, árcade pela forma, explorou tematicamente o sentimento da própria individualidade e o horror ao aniquilamento da morte.

Bocage foi pré-romântico no gosto do mórbido, no uso de palavras altissonantes, no uso das interjeições, reticências e apóstrofes. Em algumas passagens sua linguagem já se aproxima do coloquial.

Bocage notabilizou-se como repentista, poeta satírico, erótico e pornográfico e de verve brilhante, o que ligou seu nome a episódios que enchem seu anedotário popular.

Por outro lado, também cultivou o soneto à maneira camoniana. Foi autor de versos de celebrada harmonia e também de lugares-comuns rimados.

Árcade pelo aparato mitológico e pelo emprego de alegorias abstratas (o Fado, a Desventura, etc.), Bocage escreveu idílios, epístolas, odes, canções, cançonetas e cantatas.

FONTE: Enciclopédia Mirador Internacional

Leia, abaixo, alguns textos de Bocage:

AUTO-RETRATO
Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno;
Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura;
Bebendo em níveas mãos, por taça escura,
De zelos infernais letal veneno;
Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento,
E somente no altar amando os frades,
Eis Bocage, em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades,
Num dia em que se achou mais pachorrento.

CAMÕES, GRANDE CAMÕES, QUÃO SEMELHANTE
Camões, grande Camões, quão semelhante
Acho teu fado ao meu, quando os cotejo!
Igual causa nos fez, perdendo o Tejo,
Arrostar co'o sacrílego gigante;

Como tu, junto ao Ganges sussurrante,
Da penúria cruel no horror me vejo;
Como tu, gostos vãos, que em vão desejo,
Também carpindo estou, saudoso amante.

Ludíbrio, como tu, da Sorte dura
Meu fim demando ao Céu, pela certeza
De que só terei paz na sepultura.

Modelo meu tu és, mas... oh, tristeza!...
Se te imito nos transes da Ventura,
Não te imito nos dons da Natureza.

[SONETO DO EPITÁFIO]
Lá quando em mim perder a humanidade
Mais um daqueles, que não fazem falta,
Verbi-gratia — o teólogo, o peralta,
Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:

Não quero funeral comunidade,
Que engrole "sub-venites" em voz alta;
Pingados gatarrões, gente de malta,
Eu também vos dispenso a caridade:

Mas quando ferrugenta enxada edosa
Sepulcro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitáfio mão piedosa:

"Aqui dorme Bocage, o putanheiro;
Passou vida folgada, e milagrosa;
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro".


POSTAGEM 37: Caramuru — A invenção do Brasil

Olá internauta. Faltam 63 dias para o ENEM e essa é a nossa postagem de número 37. Hoje, sábado, vamos falar de cinema. Nossa sugestão é o filme Caramuru — A invenção do Brasil (2001), do brasileiro Guel Arraes, com Selton Mello, Camila Pitanga, Déborah Secco.

Ele se adéqua ao conteúdo do Arcadismo, justamente por ser baseado no poema épico, Caramuru, de um dos autores árcades, o Frei de Santa Rita Durão, considerado um dos precursores do indianismo no Brasil. Seu poema é a primeira obra narrativa escrita a ter, como tema, o habitante nativo do Brasil; foi escrito ao estilo de Luís de Camões, imitando um poeta clássico, assim como faziam os outros (neo)clássicos.

A adaptação foi muito bem feita e vale a pena ser assistida por infinitas vezes...

FICHA TÉCNICA (ADORO CINEMA)
Título original: (Caramuru - A Invenção do Brasil)
Lançamento: 2001 (Brasil)
Direção: Guel Arraes
Atores: Selton Mello, Camila Pitanga, Déborah Secco, Tonico Pereira.
Duração: 88 min
Gênero: Comédia
Sinopse: Em 1º de janeiro de 1500 um novo mundo é descoberto pelos europeus, graças a grandes avanços técnicos na arte náutica e na elaboração de mapas. É neste contexto que vive em Portugual o jovem Diogo (Selton Mello), pintor que é contratado para ilustrar um mapa e, por ser enganado pela sedutora Isabelle (Débora Bloch), acaba sendo punido com a deportação na caravela comandada por Vasco de Athayde (Luís Mello). Mas a caravela onde Diogo está acaba naufragando ele, por milagre, consegue chegar ao litoral brasileiro. Lá ele conhece a bela índia Paraguaçu (Camila Pitanga) com quem logo inicia um romance temperado posteriormente pela inclusão de uma terceira pessoa: a índia Moema (Déborah Secco), irmã de Paraguaçu.

ABAIXO, UM TRECHO DO FILME:



POSTAGEM 36: "Eu quero uma casa no campo"

Olá internauta. Faltam 64 dias para o ENEM e essa é a nossa postagem de número 36. Na postagem de hoje, teremos muita música e pouco papo. O Arcadismo pode ser divertido, mas fica muito mais interessante com as músicas abaixo sugeridas. Acima dos vídeos, o que cada uma das músicas sugere. Vamos curtir os vídeos e aprender cantando...

VÍDEO 01: JEITO DE MATO (Paula Fernandes)
O QUE VOCÊ PODE ENCONTRAR: Bucolismo
TRECHO MAIS IMPORTANTE: “Sim, dos teus pés na terra nascem flores / A tua voz macia aplaca as dores / E espalha cores vivas pelo ar / Sim, dos teus olhos saem cachoeiras / Sete lagoas, mel e brincadeiras / Espumas ondas, águas do teu mar”.

VÍDEO 02: VIDA BOA (Victor & Leo)
O QUE VOCÊ PODE ENCONTRAR: Aurea mediocritas
TRECHO MAIS IMPORTANTE: “Tenho tudo aqui / Umas “vaquinha” leiteira, um burro “bão” / Uma baixada ribeira, um violão e umas “galinha”. / Tenho no quintal uns “pé” de fruta e de flor / E no meu peito por amor, plantei alguém”.

VÍDEO 03: TEMPOS MODERNOS (Lulu Santos)
O QUE VOCÊ PODE ENCONTRAR: Tempus fugit
TRECHO MAIS IMPORTANTE: “Hoje o tempo voa amor / Escorre pelas mãos / Mesmo sem se sentir / Não há tempo / Que volte amor / Vamos viver tudo / Que há pra viver / Vamos nos permitir...”

VÍDEO 04: VAMOS FUGIR (Skank)
O QUE VOCÊ PODE ENCONTRAR: Fugere urbem
TRECHO MAIS IMPORTANTE: “Vamos fugir! / Deste lugar, / Baby! [...] Prá onde eu só veja você / Você veja a mim só / Marajó, Marajó / Qualquer outro lugar comum / Outro lugar qualquer... / Guaporé, Guaporé / Qualquer outro lugar ao sol / Outro lugar ao sul / Céu azul, Céu azul...”

VÍDEO 05: ALÉM DO HORIZONTE (Jota Quest)
O QUE VOCÊ PODE ENCONTRAR: Carpe diem e locus amoenus
TRECHO MAIS IMPORTANTE: “Onde a gente pode / Se deitar no campo / Se amar na relva / Escutando o canto / Dos pássaros... / Aproveitar a tarde / Sem pensar na vida / Andar despreocupado / Sem saber a hora de voltar...”

VÍDEO 06 CASA NO CAMPO (Elis Regina)
O QUE VOCÊ PODE ENCONTRAR: Locus amoenus
TRECHO MAIS IMPORTANTE: “Eu quero uma casa no campo / Onde eu possa ficar no tamanho da paz / E tenha somente a certeza / Dos limites do corpo e nada mais / Eu quero carneiros e cabras pastando solenes / No meu jardim”.





POSTAGEM 35: "Vaidade das vaidades! Tudo é vaidade."

Olá internauta. Faltam 65 dias para o ENEM e essa é a nossa postagem de número 35. Hoje quero compartilhar com vocês a leitura de um quadro que sempre me chamou a atenção nas minhas aulas sobre Barroco: As vaidades da vida humana, de Harmen Steenwyck.



Um dos ideais do Classicismo era a busca da imortalidade, conforme atesta Camões em Os Lusíadas, ao se propor a elogiar “aqueles que por obras valorosas / se vão da lei da Morte libertando”. No quadro acima, As vaidades da vida humana, pintado pelo barroco Harmen Steenwyck por volta de 1645, vários objetos simbólicos são tachados de “vaidades”, ou seja, coisas insignificantes, fúteis, vazias, que se afirmam sobre uma aparência ilusória, como a flauta e a charamela, instrumentos musicais relacionados ao amor; por sua forma alongada, fálica, são elementos relacionados ao universo masculino. Temos ainda o livro, representando o conhecimento, a sabedoria. A concha vazia, símbolo da riqueza e da perfeição; como está vazia, também sugere a morte. Ainda o jarro de vinho, relacionado aos prazeres materiais, como a bebida; por baixo da alça, porém, pode se notar o perfil de um imperador romano, sugerindo o desejo humano de glória, de poder.

O caráter efêmero da vida é ainda representado no quadro de várias formas: na parte central do quadro, podemos notar uma lâmpada que acabou de se apagar, já que um fio de fumaça ainda pode ser observado. Além dele, o crânio humano, lugar-comum na pintura barroca também passa essa ideia, ao lado da concha vazia, pois já não tem mais a vida que a habitava, e o cronômetro, que indica que o nosso na terra é limitado.

Interessante é observar também o contraste entre claro e escuro, outra característica da pintura barroca. Podemos até afirmar que a presença de uma tonalidade serve para ressaltar a presença da outra. E mais: a luz que contrasta com a escuridão vem do alto, ou seja, pode ser relacionada com o poder divino, e é essa a grande lição que o autor quis passar: a de que devemos buscar as coisas do alto e abandonarmos as coisas da vida. Neste ponto, o quadro faz uma intertextualidade com um dos mais belos trechos do Antigo Testamento, início do livro de Eclesiastes e com um conhecido soneto de Gregório de Matos Guerra (ambos abaixo).

TRECHO DO ECLESIASTES
Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, vaidade das vaidades! Tudo é vaidade. Que proveito tira o homem de todo o trabalho com que se afadiga debaixo do sol? Uma geração passa, outra vem; mas a terra sempre subsiste. O sol se levanta, o sol se põe; apressa-se a voltar a seu lugar; em seguida, se levanta de novo. O vento vai em direção ao sul, vai em direção ao norte, volteia e gira nos mesmos circuitos.  Todos os rios se dirigem para o mar, e o mar não transborda. Em direção ao mar, para onde correm os rios, eles continuam a correr. Todas as coisas se afadigam, mais do que se pode dizer. A vista não se farta de ver, o ouvido nunca se sacia de ouvir. O que foi é o que será: o que acontece é o que há de acontecer. Não há nada de novo debaixo do sol. Se é encontrada alguma coisa da qual se diz: Veja: isto é novo, ela já existia nos tempos passados. Não há memória do que é antigo, e nossos descendentes não deixarão memória junto daqueles que virão depois deles. Eu, o Eclesiastes, fui rei de Israel em Jerusalém. Apliquei meu espírito a um estudo atencioso e à sábia observação de tudo que se passa debaixo dos céus: Deus impôs aos homens esta ocupação ingrata. Vi tudo o que se faz debaixo do sol, e eis: tudo vaidade, e vento que passa. O que está curvado não se pode endireitar, e o que falta não se pode calcular. Eu disse comigo mesmo: Eis que amontoei e acumulei mais sabedoria que todos os que me precederam em Jerusalém. Porque meu espírito estudou muito a sabedoria e a ciência, e apliquei o meu espírito ao discernimento da sabedoria, da loucura e da tolice. Mas cheguei à conclusão de que isso é também vento que passa. Porque no acúmulo de sabedoria, acumula-se tristeza, e que aumenta a ciência, aumenta a dor. (Ecle 1)

DESENGANOS DA VAIDADE HUMANA, METAFORICAMENTE
É a vaidade, Fábio, nesta vida
Rosa, que de manhã lisonjeada,
Púrpuras mil, com ambição dourada,
Airosa rompe, arrasta presumida.

É planta, que de abril favorecida,
Por mares de soberba desatada,
Florida galeota empavesada,
Sulca ufana, navega destemida.

É nau enfim, que em breve ligeireza,
Com presunção de Fênix generosa,
Galhardias apresta, alentos preza:

Mas ser planta, ser rosa, ser nau vistosa
De que importa, se aguarda sem defesa
Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?

Vocabulário:
Lisonjeado: agradado, satisfeito.
Airoso: gracioso, elegante.
Presumido: arrogante, vaidoso.
Soberba: orgulho desmedido.
Galeota empavesada: embarcação enfeitada.
Sulcar: cortar.
Ufano: que se sente orgulhoso, honrado.
Fênix: na mitologia, ave imortal que renasce das cinzas.
Galhardia: elogio, elegância.
Aprestar: preparar.
Alento: ânimo, coragem.
Penha: rocha, pedra.
Desatada: desprendida, solta.
Púrpura: cor vermelha.
Apresta: verbo aprestar, preparar rápido.
Alentos preza: gostar de receber elogios.
Nau: navio.

ANÁLISE ADAPTADA DE:
Caderno 2, 1º ano. Sistema Objetivo de Ensino
CEREJA, W.R. & MAGALHÃES, T. C.Literatura Brasileira, Volume único. Atual Editora.


 
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