DIA D: "No meio do caminho" em vários idiomas

Leitura em vários idiomas do poema "No meio do caminho", de Carlos Drummond de Andrade. Um vídeo do Instituto Moreira Salles.


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DIA D: Chico lê Drummond

No aniversário de 109 anos de Carlos Drummond de Andrade, Chico recita 'Inocentes do Leblon'. Trecho do filme "Consideração do poema", produzido pelo Instituto Moreira Salles. 




 Valeu pela dica, Cassiano Vaz de Melo. Mais uma vez, agradeço...

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DIA D: Homenagem do les! a Drummond

Em homenagem ao Dia D, o blog Literatura éshow! lança hoje a série Carlos Drummond de Andrade, com trechos da obra do poeta. Divulgue as imagens, comente os trechos, sugira outros, critique, interaja... 
















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DIA D: Vídeos sobre Drummond


Em homenagem ao Dia D, o blog Literatura éshow fez uma compilação dos melhores vídeos sobre Carlos Drummond de Andrade. Divulgue as os vídeos, comente, sugira outros, critique, interaja...

VÍDEO 01

VÍDEO 02

VÍDEO 03

VÍDEO 04

VÍDEO 05



DIA D: Carlos Drummond de Andrade ganha dia comemorativo




São Paulo – Nada de Dia das Bruxas. 31 de outubro deve ser, a partir de hoje, o Dia D, ou o Dia de Drummond. Nesta data, o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade completaria 109 anos de idade e o Instituto Moreira Salles organizou uma vasta programação em várias cidades brasileiras (e até em Lisboa, Portugal) para homenagear o escritor.

A inspiração veio do Bloomsday, efeméride celebrada todo 16 de junho na Irlanda (e em várias partes do mundo), para homenagear o livro Ulisses, de James Joyce. A versão brasileira dedicada a Drummond inclui a exibição de filmes, declamações, leituras, teatros e debates, que têm acontecido desde a semana passada, em algumas cidades, e termina hoje.

Um dos destaques da programação de várias cidades é o filme “Consideração do poema” (2011), produzido pelo Instituto Moreira Salles. O longa-metragem mostra uma visão geral da obra poética de Drummond, por meio de leituras de importantes artistas brasileiros, como Chico Buarque, Caetano Veloso, Adriana Calcanhotto Fernanda Torres e Marília Pêra.

No site oficial, está disponível o vídeo “No Meio do Caminho” (2010), produzido pelo instituto para comemorar o lançamento da nova edição do livro “Uma pedra no meio do caminho – Biografia de um poema”, que reúne o que foi dito sobre o tão conhecido poema de Drummond. No vídeo, os versos são recitados em 11 versões em língua estrangeira, declamados por personalidades como David Arrigucci Jr., Matthew Shirts e Jean-Claude Bernardet.

Além de assistir, o público também tem a chance de participar dessa festa. Qualquer pessoa pode enviar um vídeo para o site do evento com a declamação de um dos poemas do escritor. Esse material vai servir de inspiração para outro filme, produzido pelo instituto.

Ainda não há como saber se o Dia D terá a mesma força nos próximos anos, mas, em 2012, pelo menos um tributo estará garantido: Carlos Drummond de Andrade será o homenageado da próxima edição da Festa Literária Internacional de Paraty. Em 2011, quem recebeu as honras foi o modernista Oswald de Andrade.

FONTE: Exame.com


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CHICOLATRIA: Eu te amo

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CANTAR DE AMIGOS: "Ela reza" (Suellen Nara)


ELA REZA
  Suellen Nara (do blog Equilíbrio bambo)


É um perigo quando ela reza.

Sem choro nem vela. Ela reza para dentro lutando contra Deus e o diabo dentro dela. E isso doía. Morria tantas vezes, envelhecia dez anos em um dia. Depois era como se tivesse nascido de novo. E era tão estranho. As pessoas tentavam correr na direção dela, mas não havia mais direção, queriam sentir seu cheiro, mas o perfume era outro. E na hora do amém, só restava as palavras não ditas, os abraços não dados, os desejos não realizados. O nome dela? Para quê você quer saber? Ela vai abrir a porta da tua vida, entrar e sair. Não há tempo para se conhecer, e ela nunca vai ser a tua meio amiga nem o teu quase amor. Dê-lhe o nome que quiser. Ela vai sentar e conversar, vai falar alto se pisarem no seu calo, vai se comportar quando achar que deve e se entregar quando estiver a fim. É assim que funciona, ninguém ensinou a fazer diferente. Os anjos não existem e ela não é um deles. Ela não vai ficar abraçada contigo até que você pegue no sono, porque depois não terá ninguém para fazer o mesmo por ela. Você pode até gostar dela, mas não se apegue, porque daqui a alguns meses ela vai querer ser igual a todas as mulheres que você já conheceu: os mesmos defeitos, as mesmas necessidades de se sentir superior. Seu coração vai durar só uma noite, depois disso ele está proibido de se envolver. E você? Você não vai ter paciência, você vai abandoná-la no primeiro “ai” e nem sequer vai querer saber sobre o que tanto ela reza.

Apague a luz que ainda é cedo, vai ficar tudo bem.

Suellen Nara (Brasília - DF) é autora do blog Equilíbrio bambo. Gostou do texto dela? Deixe um comentário abaixo e, é claro, faça uma visita para a Suellen clicando aqui.

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PELA INTERNET: "Conheça Lana Del Rey, fenômeno nascido na Internet"

Ontem encontrei uma matéria interessante no Portal Mundo Pop e hoje a compartilho com vocês. Sobre Lana Del Rey, o novo "fenômeno" da Internet. Vamos Lá:

Conheça Lana Del Rey, fenômeno nascido na Internet

Não são poucos os artistas que viraram fenômenos na internet. (...) Justin Bieber, Stefhany (absoluta), Ciara… Uns foram melhores sucedidos, outros nem tanto. Agora, chegou a vez de Lana Del Rey ter seu lugar ao sol.

Nascida em Nova York, Lizzy Grant surgiu para o estrelato após publicar em sua conta no YouTube o vídeo viral “Video Games”, que mistura imagens de filmes clássicos, desenhos animados e takes próprios gravados de sua webcam. Tudo, claro, ao som de sua voz, um capítulo à parte nessa história. Publicado em agosto desse ano, o clipe já possui mais de 2 milhões de visualizações. Bastante, para uma ilustre desconhecida. Veja o vídeo:




Antes de era digital, seus inícios foram nos corais de igrejas, que viraram celeiro de novos talentos. E se na internet ela surgiu para o público, na internet seguiu sua divulgação. Com o nome artístico de Lana Del Rey, Lizzy Grant é a artista mais comentada em blogs no momento e já recebeu diversos convites para tocar em diferentes locais, incluindo o Brasil, mas recusou. Porém, a moça de pouco mais de 20 anos fará seu primeiro show em sua cidade natal, com todos os ingressos esgotados em uma hora. Ela seguirá para Escócia, França, Holanda, Alemanha, Inglaterra, Canadá e volta novamente para os Estados Unidos. Seu primeiro EP foi lançado esta semana no iTunes e um álbum chegou às lojas no início do ano, sob a produção de David Kahne, que já trabalhou com Paul McCartney, Regina Spektor, Sublime, The Strokes, Sugar Ray, The Bangles, Stevie Nicks, entre muitos outros. Recentemente, Lana se apresentou em um programa de televisão. Veja a sensação do momento no show de Jools Holland:



Ouça sua mais nova música, “Blue Jeans”:



E você? O que acha de Lana Del Rey? Não deixe de comentar e avaliar esta postagem. Precisamos SEMPRE do seu retorno. Desde já agradecemos.


CANTAR DE AMIGOS: "Pois então" (Marla de Queiroz)

POIS ENTÃO
Marla de Queiroz (do blog "transFLORmar-la")

Pois então. Estamos todos na mesma encruzilhada e chove em todos os cantos da estrada, mesmo que se mude a direção. Pois então, eu quero que você me deixe só, só sendo. Não tenho energia agora para dar respiração a qualquer frase. Não é que eu esteja numa má fase, mas me veio um choro antigo, mal digerido, uma lembrança sem cor. Estava guardado, eu sei, num pedaço qualquer de um restinho desbotado de amor. Deixa só eu limpar essas lágrimas, clarear minhas retinas, desengasgar essa bolha de águas salgadas. Só estou desembaraçando os sentimentos que ficaram órfãos de mim. Preciso explicar a eles que não sou mais parceira_sou agora herdeira da sorte, achei o meu norte, os pontos dos sins. E por mais que eu amoleça não se aproxime: eu não quero abraços, eu não quero conselhos. Engatinhei demais em cima da brita durante os meus aprendizados, só eu consigo enxergar as feridas e o cuidado que preciso dar para curar os meus dois joelhos. Vá cuidar das suas coisas, embeleze sua rotina_ há tempos eu te digo que estar sozinha, às vezes, é minha necessidade e minha sina. Guarde seu colo, seu consolo, suas palavras bonitas. Me deixe só, com o meu choro.Não estou triste nem aflita. Mas preciso descobrir como desatar isto que surgiu sem motivo,desatar este nó. Não há “nós dois” agora, neste fim de dia. Amanhã, quem sabe, eu precise ou queira sua companhia. E te trago de volta, te abro a porta, te abraço pra sempre, assim,de repente. Mas hoje meu corpo clama somente por mim mesma:quero apenas o meu copo em cima da mesa, quero somente meu fiapo de domingo adormecendo aqui.

Quero a minha cama larga só pra mim.

Marla de Queiroz (Rio de Janeiro - RJ) é escritora e autora do blog "transFLORmar-la". Gostou do texto dela? Deixe um comentário abaixo e, é claro, faça uma visita para a Marla clicando aqui

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CURTA ESSA FRASE: Caio Fernando Abreu




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HISTÓRIAS DO BELELÉU: O toco de Cidoca do Toco


O TOCO DE CIDOCA DO TOCO

     Antes de desvendarmos o mistério de Sacatrapo, vamos conhecer melhor os habitantes de Beleléu. E se conhecermos Cidoca do Toco, a fofoqueira-mor da cidade, conheceremos os outros de lambujem.
Não tinha santo dia que Cidoca não se assentasse no toco que existia debaixo de sua janela para dali vigiar a vida alheia. Nem bem o cunhado seu Neca abria a venda, lá já estava ela.
Antes, Cidoca cuidava da casa, das sobrinhas e de Neca, mas agora que Maria Luisa e Maria Célia já estavam mocinhas, elas mesmas atentavam para a arrumação de tudo, cada qual do seu jeito. E a titia, do toco, tratava do que não deveria lhe dizer respeito.
Do lado de dentro da casa, bem debaixo da janela — e, portanto, ao alcance das mãos de fada e da língua de trapo da Cidoca — estava o telefone que ela utilizava para passar adiante o que havia visto acontecer.
Na verdade, existia uma verdadeira rede de fofocas no Beleléu — da qual Cidoca era a coordenadora — que era mais nociva à privacidade dos habitantes que as malditas câmeras de TV que o prefeito havia mandado instalar na praça só porque vira nos jornais e achara chique, um sinal de progresso.
O telefone de Cidoca era uma festa. De modelo antigo, ainda era de “discar”, com aquela roleta imensa de enfiar os dedos. Tirando o museu da cidade, a casa de seu Neca era a única que ainda tinha uma peça como aquela. Isso tudo porque Cidoca não deixava o cunhado trocar o aparelho.
Seu Neca ficara viúvo muito jovem. Perdeu a esposa, mas ganhou a sorte de virem morar em sua casa a sogra (que Deus a tenha!) e a cunhada Maria Aparecida Olegário, a nossa Cidoca. Elas criaram as duas meninas e infernizaram a vida de Neca. Com a morte de dona Lalinha, a sogra, sobrara a fofoqueira beatona.
Gorda, imensamente gorda, roliça, obesa mesmo. Assim era nossa protagonista de hoje. Tinha um vestido estampado, desses “capa de colchão”, mas gostava mesmo era do amarelo-ovo. As duas vestimentas eram as únicas que cabiam nela. Era um no varal, outro no corpo de Cidoca. Tinha também uma peça de gala, para as missas natalinas e os casamentos. Basicamente, só essas três mudas de roupa. Numa cidade pequena como o Beleléu, era praxe as roupas usadas irem passando de pessoa a pessoa, de menino-homem pra menino-homem, de menina-mulher pra menina-mulher, de comadre para comadre. Mas ninguém usava o manequim de Cidoca.
Ela havida desenvolvido uma super técnica para segurar o telefone com a cabeça e descascar laranja ao mesmo tempo. Sim, a fofoqueira ficava horas e horas chupando laranja. Quase o dia todo. Duas latas: na da esquerda, o fruto inteiro. Na da direita, as cascas e a parte branca da fruta. Semente e bagaço ela engolia e processava em sua indústria estomacal.
Cidoca já havia fechado o jornalzinho da igreja e do colégio estadual, pois quando as edições saíam, as notícias já estavam velhas. Restava ainda a Gazeta do Beleléu, que ia de mal a pior.
— A dona Cidoca do Toco acaba com a imprensa belelense, padre. Vai falir meu jornal. As notícias já são velhas quando o jornal sai.
— Pois se não pode vencer o inimigo, doutor Toledo, junte-se a ele. Contrate Cidoca como sua repórter especial. Se eu tivesse feito isso, nosso jornalzinho seria maior que o seu.
— Mas será que dá certo, seu padre?
— Pois que tente.
Estava oficializado. Cidoca seria repórter da Gazeta do Beleléu.
Doutor Toledo saiu da igreja e se dirigiu em direção à casa de seu Neca. Mal sabia ele as confusões que aquele convite causaria ao povo de Beleléu. Mas isso é papo pra outra história.


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Poema diMinuto: Renato Russo


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CANTAR DE AMIGOS: "A gravidade das coisas" (Vinícius Rodovalho)

A GRAVIDADE DAS COISAS
(Vínícius Rodovalho, do blog Rebuscando a consciência)

O copo caiu. Espatifou-se em incontáveis pedaços e inutilizou o precioso líquido que a fizera suportar tudo aquilo. Seu corpo espalhava-se pelo sofá demasiadamente grande, confortável, elegante e caro. O vestido de festa restringia sua exuberância impactante aos móveis da casa e aos retratos dos antepassados. E o copo caíra devido à súbita fraqueza que sentira nas mãos. Faltava alimento – do almoço e da alma.

O rádio cantava músicas calmas, na voz de um roqueiro que abandonara a revolução. Ao invés de debater as ideologias, agora repassava lições de vida. “Em breve não serás mais o que és.”

O telefone tocou. Não iria atender. Chegara a tomar banho, colocou o vestido, o perfume e a máscara, mas aquele era o seu limite. Agora, não podia nem mais atender ao telefone e inventar uma desculpa qualquer. Não podia sequer falar. Estava de mãos atadas. Eis a ditadura da alma.

E a chuva caía, lá fora. A janela estava aberta e a cama se molharia. Mas não podia levantar. Estava imobilizada. Seu banheiro estava imundo. A pia da cozinha já abrigava uma vasta fauna. E os alimentos se perderam. Tudo ali exalava perdição, desrespeito.

Sentia dores por todo o corpo. Das mãos à cabeça. Ansiava há muito por um banho quente e a liberdade de correr entre as árvores, sob a chuva. Mas não podia se levantar.

Havia sede. E havia um copo com água na mesa, próximo à porta, quase caindo. Mas não podia se levantar. Era a sede, a tortura, a ditadura, a sede, a alma, o alimento, a água, a chuva, o rádio, a confusão.

“Vai reduzir as ilusões a pó. Presta atenção, querida: de cada amor, tu herdarás só o cinismo. Quando notares estás à beira do abismo. Abismo que cavastes com teus pés.”

De repente, a umidade da chuva invadiu o ambiente. A porta se abriu. Ele chegou. Sem querer, o ditador esbarrou na mesa. E o copo caiu.


Vinícius Rodovalho (Catalão-GO) é graduando em Biotecnologia pela UFU e autor do blog Rebuscando a consciência. Gostou do texto dele? Deixe um comentário abaixo e, é claro, faça uma visita para o Vinícius clicando aqui.


CURTA ESSA FRASE: Seu Madruga

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FOLHETEEN: Mais um dia que morre (I)

Olá internauta. Hoje teremos duas estreias no Literatura éshow!: a seção Folheteen, onde acompanharemos Mais um dia que morre, a instigante história dos jovens Gustavo e Izabella, que aparecerá por aqui todas as quintas-feiras e a coluna anna f!, assinada por nossa colaboradora freelancer Anna Flávia Monteiro, que tem a liberdade de escrever sobre o que quiser e quando lhe der na telha. E em todas as postagens, ao final, você nunca deve deixar de escrever seu comentário, para que cada vez mais o les! tenha a cara de quem o lê. Deixo vocês com o primeiro capítulo de nosso Folheteen:

MAIS UM DIA QUE MORRE
por Renes Ramsés

L’amour est un oiseau rebelle. Que niu ne peaut apprivoiser. (O amor é um pássaro rebelde que ninguém pode aprisionar), Bizet.


• Os capítulos postados com tinta azul mostram o di-a-dia de Gustavo e sua família.
• Os capítulos postados com tinta vermelha mostram o dia-a-dia de Izabella e sua família, assim como as anotações que ela faz em seu diário.


Capítulo 01

     ... e nasce o dia!
     — Filho, acorda! Você não tinha que estudar praquela prova?
     — Já vou, mãe. Tô indo.
     Os olhos fundos, ainda com sono, boca amarga, corpo doendo, cansado. Assim acordou Gustavo naquela manhã de dezembro. Ergueu o corpo, sentando-se na cama. Fechou os olhos. Apertou com força as mãos e num triste sorriso, sussurrou, para que o vento ouvisse:
     — Bom dia, Bella!
     Saiu do quarto, passando pela sala, depois pela cozinha. O banheiro ficava fora da casa. Entrou. Abriu a torneira. Juntou as mãos em concha e apanhou a água fria. E era como se aquele líquido gelado lavasse seus pensamentos. Lavasse as lembranças da última noite. Escovou os dentes e saiu do banheiro.
     Na cozinha, a mãe despejava o café na garrafa térmica. Em cima da pequena mesa, uma velha cesta. Dentro, cinco pães.
     — Sua tia Lia mandou pra vocês.
     — Pra gente.
     — A mãe não quer não, filho. Guarde alguns pra você e a Marcela comerem de tarde.
     — Um pão dá pra mim, mãe. Como o meu agora. Depois eu almoço e não preciso de mais nada. A senhora come dois e dá dois pra Marcela.
     — Não, Gustavo. Eu não estou com fome. Tomei café na casa da Lia.
     — A senhora jura?
     — E é preciso jurar, Gustavo? Você não acredita em mim?
     — Acredito, mãe.
     — Você dormiu bem?
     — Pessimamente péssimo. Aliás, eu não dormi. Perdi o sono. Preguei o olho naquela horinha que a senhora me acordou.
     — Desculpa, filho. Se eu soubesse!
     — Não precisa pedir desculpa, mãe. Eu tinha mesmo que estudar pra aquela prova...
     — Mas no domingo, Guto?
     — O que importa, mãe. Melhor do que perder o ano. A senhora se lembra na 7ª série? Tanto sacrifício por nada?
     — E o pior foi que seu pai comprou todos aqueles livros no começo do ano, filho. Comprou sem poder.
     — Me lembro. E olha que eu nem bombei, pra dizer a verdade. Saí da escola antes que o ano terminasse. Não dava mais. Pior mesmo foi chegar pra ele e dizer...
     — Ele quase te bateu.
     — E com razão, né, mãe?
     — Vou falar com a Lia pra ver se ela consegue marcar uma consulta no posto de saúde, filho. Sem que ninguém precise dormir na fila.
     — Pra quê, mãe? Quem tá doente?
     — Uê, você tá, meu filho! Essa sua insônia... Deve ter um motivo...
     — Esquenta, não, mãe! Isso passa. E o pai?
     — Na feira.
     — Fazendo?
     — E desde quando seu pai me dá satisfação, Gustavo?!
     — Pois devia dar! A senhora é a esposa dele!
     — Existe um abismo em ser esposa e ser mulher, meu filho. Eu sou a mulher, ou menos que isso. Eu sou aquela que lava e passa. Que limpa o chão...
     — Até quando, mãe? Até que a morte os separe?
     — Quem sabe? Vai ver que eu tenho que passar por isso. É minha sina. Meu destino.
     — A senhora ainda ama ele?
     Silêncio. Lídia não diz nada.
     — Ama ou não ama?
     — Amo... quer dizer... é claro que eu amo, Guto! Que pergunta!
     — Mas a senhora pensou um pouco antes de responder... Vai, deixa pra lá.
     — Seu pão... Do jeito que você gosta. — e entregou o pão ao filho.
Gustavo saiu pela porta da cozinha com o pão numa mão e o copo de café na outra. Foi até os fundos da casa onde uma mangueira majestosa balançava os seus galhos.
Enquanto a bebida empurrava os pedaços de pão, ele se lembrava da única coisa que fazia ainda tentar sorrir aquele jovem de dezessete anos: Izabella.
Lembrava dos cabelos longos e ondulados caindo pelos ombros. Os olhos negros, tão suaves, tão brilhantes. Lembrava da boca rosada e úmida, que tantas vezes em sonho beijara.
Amava Izabella à distância, sabendo que era amado assim também. Amor platônico que explodia em verdade quando os olhares se encontravam.  Conheciam-se fazia um ano, mas era como se este tempo simplesmente não existisse.
Conheceram-se numa manhã fria de sábado, na biblioteca da escola que, por causa do tempo, estava vazia. De início, um nem notara a presença do outro, mas o barulho de alguns livros caindo no chão foi o suficiente para que Izabella desviasse a atenção de seus estudos e para que a luz dos olhos dela encontrasse a luz dos olhos de Gustavo. E ali nasceu. Nasceu aquele amor de anjos que mesmo existindo no peito de pessoas tão jovens, poderia ser chamado de amor. Daí em diante, eles passaram a se preocupar com o outro e a admirar as qualidades que o outro tinha. Começaram a sentir aquele friozinho esquisito, aquelas borboletas voando no estômago e querendo sair pela boca.
Mas o destino quis brincar com aqueles jovens, pois existia entre eles algo que não deveria fazer com que se separassem, ou melhor, que nem ao menos  se unissem. Algo que era pequeno diante daquele todo sentimento, mas que, de certa forma, impediu que eles começassem a fazer-se um. Esse algo era a tristeza que cada um sentia dentro de si e que mesmo menor, foi o suficiente para suplantar o amor. É claro que a alegria venceria toda a tristeza e um namoro poderia alegrá-los. Mas não pensaram assim Gustavo e Izabella. Eles não pensaram em se alegrar com o outro. Preocuparam-se tão somente em não fazer o outro mais triste. Se agiram bem ou mal, é à vida que cabe uma resposta. Ela dirá se estão certos ou errados esses nossos heróis.
Para Gustavo, a tristeza vinha, também, de uma espécie de trauma que sofrera há quatro anos e que deixara marcas doídas naquele coração. Foi na 7ª série.
Ele estudava em outra escola. Conheceu Yara. Encantado por ela, começou a sondá-la, dando sinais de seu interesse. Um dia, ele criou coragem e chegou numa roda de colegas onde ela estava e disse: “Yara, eu te amo. Namorara comigo?” e turma toda caiu na gargalhada. Guto nem sabia porque, mas eles riam convulsivamente. A garota não gostava dele coisa nenhuma e o humilhou diante da turma, o chamou de feio, insosso e idiota. Disse que havia apostado com os amigos que em três dias ele estaria caidinho por ela. Ganhara a aposta. Disse que ele teria que nascer de novo para ter alguma coisa com ela e por aí vai.
Gustavo virou motivo de chacotas em todo o colégio e isso fez com que ele, no ano seguinte, se mudasse de escola. Mas agora até agradecia Yara, pois se não fosse por ela, ele nunca teria conhecido Iza.
Gustavo se desinteressou pelos estudos, faltava demais às aulas, perdia trabalhos e provas. Ficou triste, como que deprimido, até que um  dia chamou seus pais para um papo e, com muito custo, os convenceu que era melhor abandonar a 7ª série e se matricular em outra escola no ano seguinte. 
Disse que não daria mais, que seria impossível passar de ano, que tudo já estava perdido. Gustavo mentiu naquela tarde. Mas conseguiu o que queria. Nunca mais voltou àquela escola. Nem passou perto. Nunca mais viu Yara. E agora aquele fantasma o rondava, deixando-o atordoado. E se com Izabella acontecesse da mesma forma? E se ela fizesse como a outra? Eram essas, entre outras tantas, as incertezas de Gustavo naquele fim de ano.
Como ele estava enganado! Como Izabella era diferente! Ela era realmente apaixonante. Gustavo não contou sobre seus sentimentos a ninguém. Guardou para si. Acreditava que, já que não tinha dito nada a ela, não deveria contar pra mais ninguém. E Gustavo se fez silêncio. Izabella contou para as amigas Laiz e Érica. Segredo de quatro pessoas. Amor a quatro paredes, paredes do coração. Amor trancado, fechado lá dentro, doidinho pra sair.
O último pedaço de pão e o último gole de café. Gustavo retomava a realidade. No mesmo instante, rompia novamente o tênue véu da fantasia. Voltava ao devaneio ali mesmo, debaixo daquela mangueira, "O meu pé de manga-comum", como ele dizia, plagiando O meu pé de laranja-lima, um livro que lera na escola. Viajava no mundo de Izabella. Lídia o trouxe de volta.
— Você não tinha que estudar, Guto?
— Já vou, mãe.
— Pensando na namorada?
— Que isso, mãe... eu não tenho tempo pra essas coisas.
— Sei! Não tem tempo, né?
— Não, mãe. Eu estou muito ocupado com os meus estudos. E além do mais, ano que vem eu tenho que procurar um emprego.
— Difícil arranjar emprego na época do quartel, meu filho... Mas vá, a mãe já arrumou a mesa pra você estudar.
— Já vou, mãe. Tô indo.   







ANNA F!: Sobre ouvir

Olá internauta. Hoje teremos duas estreias no Literatura éshow!: a seção Folheteen, onde acompanharemos Mais um dia que morre, a instigante história dos jovens Gustavo e Izabella, que aparecerá por aqui todas as quintas-feiras e a coluna anna f!, assinada por nossa colaboradora freelancer Anna Flávia Monteiro, que tem a liberdade de escrever sobre o que quiser e quando lhe der na telha. E em todas as postagens, ao final, você nunca deve deixar de escrever seu comentário, para que cada vez mais o les! tenha a cara de quem o lê. Deixo vocês com a primeira coluna de anna f!:


SOBRE OUVIR

“Não é preciso ficar atento ou alerta para notar que há sempre uma música que toca do lado de dentro. Sempre. É um dos poucos casos em que ser extremista ao fazer uso de um termo tão forte não soa astuto demais, mas sensato, verdadeiro.

Foi pensando assim que entendi que há uma linha frágil, delicada, separando a paixão por música e a necessidade involuntária dela. De um lado, o gosto, o “fazer questão de”. Do outro, a forma inata dos sons dentro da sua alma, equilibrando-o num acorde e outro para derrubá-la no canto mais inóspito e denso do que és. Não se pode separar o que ouve do que és a essa altura, eu lhe digo. Não se é capaz, não há coragem o bastante para fazê-lo, não há como. Simplesmente não pode.

A parte interessante da fraqueza talvez esteja aí: escolher ser fraca; aceitar a condição e saber que, a qualquer segundo ou o tempo todo, há música dentro de mim. De algum modo, permanente e insistente. Obscura e intensa. Aterrorizante e derradeira. Risonha e empática. Eterna e linda. Tudo isso, mas nunca, nunca sozinha. 

E então a entrega acontece, como se deve ser. ’’

“- Não precisa ser tão rude, eu sei como é querer encontrar sem saber o que buscas.”


Para os que buscam, para os que encontram: Postcards from Italy, do tão bem-vindo Beirut, e Trouble don’t rhyme, da agraciada voz de Oren Lavie.

VÍDEO 01

VÍDEO 02 


anna f! é colaboradora freelancer do les! e escreve nesse espaço todas as quintas-feiras sempre que lhe der na telha.

CANTAR DE AMIGOS: "Sobre o cuidado" (Priscila Rôde)

SOBRE O CUIDADO
Priscila Rôde (do blog Mar - íntimo)


Eu vi: cuidado é um presente. Dádiva. Zelo. O encontro de duas almas, uma disposta e uma outra nem tão entregue, nem tão liberta, mas muito precisa. Cuidado é um alongar de brechas, um olhar que repousa, um abraço que descansa, uma noite mal dormida. Uma palavra muda que esgarça o seu bordado de silêncio mais compreensivo e revelador. Um nó na garganta caindo por terra. Uma mão aniquilando ansiedades. 

Não estou falando daquele cuidado enfeitado, planejado, cheio de compromissos. Não estou falando daquele cuidado matemático que calcula os nossos pontos fracos, que nos conta a demora desse estar-dentro-do-outro. Estou falando do cuidado que é próprio, sem tantas ideias, que corre à frente dos relógios, daquele que rompe a nossa preguiça. Estou falando de um cuidado que não anuncia a sua valentia e busca  - e que não é menos forte por isso.

E penso, no cuidado que não nasce com algumas gentes. No cuidado que em muitos, é lacuna. Penso no cuidado estreitado, raro, nunca vivenciado. No cuidado que não se mostra, tampouco se despe para os seus escolhidos. É que, assim como o amor, o cuidado só corre bem quando é entrega, quando é o outro dentro da gente, quando é a possibilidade de uma calmaria, uma intuição bem resolvida, um esclarecimento. 

Cuidado não é uma tentativa. Não é uma válvula de escape. Cuidado é poesia pronta que nos conta novas saídas. É inaugurar sóis dentro do outro em dias feitos de chuva. Dispensando a avareza no partilhar dos naufrágios já acalmados, cuidar é ofertar ao outro um barco nunca antes usado, um abraço nunca antes pertencido.


Cuidado é recomeço para dois ou mais sorrisos.


Priscila Rôde (Salvador-BA) é autora do blog Mar - íntimo.


CURTA ESSA FRASE: Bob Marley

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DRICA BITARELLO: Literatura não tem dono

Hoje eu quero compartilhar com vocês um texto que li há algum tempo no blog da escritora Drica Bitarello. Nossos leitores mais antigos já conhecem a Drica, que nos concedeu uma entrevista ano passado. Desde essa época, mantemos contato através das redes sociais, sempre trocando ideias, rindo um pouco da vida, compartilhando o fascínio que temos pela Literatura. Ontem ela me prometeu que vai aparecer mais por aqui através de seus textos, e eu fico satisfeitíssimo com isso, pois para mim ela tem o mesmo espírito que tento dar a esse blog: um espírito jovem, descolado, e ao mesmo tempo arguto, sagaz.

No texto, Drica faz uma verdadeira apologia à Literatura de nosso país, comprando briga com a Revista Época que defendeu a ideia de que os livros de ficção escritos em Portugal são melhores que os daqui. E faz isso sem apelar para o xenofobismo, enaltecendo TAMBÉM  a literatura dos nossos colonizadores.

Esquenta a cabeça não, Drica... Desde a época de Gonçalves Dias os portugueses já sabem que as aves portuguesas não gorgeiam como as aves brasileiras. E assim se dá também com os nossos escritores.

Opinião: Literatura não tem dono

A revista Época publicou um artigo em 18/06/2011, na seção "Mente Aberta" intituado "Os Donos do Português". A frase de abertura do artigo já deu o tom: "Por que a nova geração de autores de Portugal faz livros de ficção tão melhores que os brasileiro". Inicialmente, isso me fez pensar se a Época estaria precisando aumentar suas vendas no mercado português. (será???)

Concordo que há excelentes autores por lá (e também há péssimos por aqui). Mas, para fazer valer esta afirmativa, não haveria necessidade de desmerecer os autores nacionais. A luta para publicar no Brasil já é insana. Levamos anos para conseguir fincar o pé no mercado editorial, e só nós sabemos o quanto de tempo e investimento os autores tem que fazer para competir com a massificação das grandes. A maior parte dos representantes da Nova Literatura ralou (e ainda rala um bocado), e tirou muito dinheiro do próprio bolso para investir em suas obras. Isso depois de terem muitas portas batidas na cara e de terem ouvido muitos "nãos" de agentes e editoras que se consideram os supra-sumos no assunto. E que, naturalmente, não leram uma linha do que esses autores escreveram. Isso é FATO. Estou mentindo?

E sim, é óbvio que a Literatura produzida aqui é totalmente diferente da que é produzida por lá. Países, realidades, cultura, contextos, formações, indivíduos... são todos completamente diferentes! E se as obras que produzimos são fruto exatamente dessa amálgama, como comparar aquilo que é incomparável, único?  E se mesmo com todos os problemas e defeitos daqui, ainda conseguimos dar o tom de leveza, ou de elogio, como foi dito no artigo, ao nosso país, é porque talvez nós tenhamos um tantinho mais de senso de humor do que nossos colegas portugueses. Ou será que toda "boa literatura" é só aquela em que o autor acha o mundo um lixo, o sistema uma bosta e faz o protagonista depressivo cortar os pulsos antes da página 10? 

Além disso, não vejo qual o problema de os autores brasileiros se ajudarem mutuamente. O articulista - bem como seus "entrevistados" - deveria ter refletido sobre as razões desta união. É dela que surgiram movimentos como o Novas Letras e o Autoras Brasileiras. É através desta união e do incentivo mútuo que a Nova Literatura Brasileira vem ampliando seu território, independente dos grandes e tradicionais selos. (que só se interessam, na maioria das vezes, em replicar aqui o que já é sucesso lá fora). E se o "panorama português" é "mais ácido", isso não significa que o daqui seja menos crítico. No entanto, entre os grupos de escritores da nova geração, existe o hábito da crítica construtiva, da discussão das obras e da melhoria constante do padrão de cada uma delas. Partimos do pressuposto que, melhorando a qualidade global da Literatura Nacional, melhoramos o NOSSO mercado, o NOSSO espaço. A diferença maior entre o lá e o cá é que, enquanto lá o foco é a competição, aqui é a cooperação. 

No final do artigo fui entendendo que, o ponto crucial da discussão não é exatamente a qualidade da literatura portuguesa. Trata-se, simplesmente, de uma corrida para saber quem vai ocupar o vácuo deixado por Saramago, quem será o seu "sucessor". Quer saber? Acho que o melhor é cada um ocupar o seu espaço, o seu próprio lugar. Saramago teve o dele, e vai ser sempre dele. Quanto ao vácuo, ele tende a engolir tudo ao seu redor. E depois não sobra nada.


E aí? Você concorda com a Drica? Deixe seu comentário, participe! Como diz a sábia moça do telemarketing, "sua opinião é muito importante para nós". E depois que comentar, clique aqui e comente no blog dela também.


Poema diMinuto: Metades (Oswaldo Montenegro)


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CANTAR DE AMIGOS: "Compartilhando amarguras" (Rhayanne Mendes)

"A vida é mesmo assim/Dia e noite, não e sim".
Outra novidade que o Literatura éshow! traz para seus leitores é a seção Cantar de amigos, com textos originalmente publicados em outros blogs. São trechos inspiradores, ficcionais ou não, para que você conheça o trabalho de outras pessoas que tentam, cada uma a seu jeito, dar vazão ao seus sentimentos, anseios, frustrações, através da palavra escrita. 
Para começar, um texto de Rhayanne Mendes. Boa leitura!
COMPARTILHANDO AMARGURAS, 
Rhayanne Mendes (do blog Instigando a imaginação)

"Quanto vale a vida perdida e sem razão / Num beco sem saída, quanto vale a vida".
Uma vez disseram-me que o pior de todos os cansaços era o severo cansaço existencial. Hoje compreendo melhor essas palavras. Qualquer tese deixa de ser abstrata e é melhor apreendida quando se vivencia a mesma, quando o que antes parecia longínquo passa a fazer parte do nosso cotidiano, como o tal cansaço existencial passou a fazer parte do meu.
Quando crianças, nossas frustrações se limitam a um brinquedo que nos é negado, ou a um castigo que nos é imposto. Crescemos e nos deparamos com desapontamentos cada vez mais agudos, e infinitamente piores que nossas frustrações pueris.
Sucessivos tropeços nos deixam perenes cicatrizes. Decepções mortificam nosso âmago. E, como se não bastasse, o mundo nos penaliza dia após dia com uma desigualdade sem fim... Vivendo em tais condições, molestados pelas circunstâncias, não é espantoso que cansemos de existir.
Nas noites frias e solitárias, chego a conversar com o vento. Peço que me leve consigo para onde eu possa sentir um prazer existencial que me faça esquecer o cansaço de outrora, e me possibilite desfrutar da felicidade pura que buscamos incessantemente nesse mundo atroz.
Quero um dia poder olhar para trás e rir de tudo o que me faz padecer: desse universo corrompido, dessa humanidade mesquinha, dessa vida sem sentido.
Rhayanne Mendes (Catalão - GO) é pré-vestibulanda e autora do blog Instigando a imaginação.


Participe da seção CANTAR DE AMIGOS

A partir de hoje, 15 de outubro, o Literatura éshow! publicará, periodicamente, produções de outros blogueiros na nossa seção CANTAR DE AMIGOS. Caso você tenha interesse em ver o seu texto por aqui, envie-o para o email blog@literaturaeshow.com.br. Não deixe de colocar também a cidade em que você mora e o link para seu blog, a fim de que os nossos leitores também frequentem sua página. Ah! Anexe uma foto (sua ou não) para ilustrar a postagem.

O material será avaliado e, caso esteja de acordo com a linha editorial da seção, teremos um enorme prazer em publicá-lo. Daremos preferência para textos ficcionais e nunca aceitaremos páginas com conteúdo impróprio para menores de 18 anos.

Em contrapartida, você deverá divulgar o les! de alguma forma, através de suas redes sociais ou na própria página de seu blog. Venha conosco! Participe!

Você pode conhecer os textos já publicados clicando aqui.

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CURTA ESSA FRASE: Albert Einstein





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Poema diMinuto: Soneto de fidelidade (Vinícius de Moraes)



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HISTÓRIAS DO BELELÉU: A chegada do Sacatrapo

A partir de hoje o blog Literatura éshow! lançará, periodicamente, historinhas que seu autor, Prof. José Ricardo Lima, escrevia na sua adolescência. Trata-se da série "Histórias do Beleléu". Com essas pequenas crônicas você ficará conhecendo o cotidiano de uma inusitada cidade, perdida por esse mundão que é Minas Gerais. Boa leitura!



A CHEGADA DO SACATRAPO

Tudo começou quando Marcelino Sacatrapo deu as caras aqui no Beleléu. Foi numa noite fria, armava chuva de toró e o ronco da motoca soou como um trovão pela cidade. Divininha Papa-Hóstia, como sempre, achou que era coisa do capeta, do tinhoso, do fute, do não-sei-quem-diga. Divininha sabia todos os nomes do diabo e às vezes parecia que inventava mais um a cada dia. Cidoca do Toco pediu perdão a Deus por tudo o que tinha falado da vida dos outros e até pelo que não tinha. Correu para a janela e não viu nada, a não ser o vento. Acordou Zé Perereca morrendo de medo, pois aqui no Beleléu ninguém tinha uma lambreta com um ronco desses.
— Vamo... Acorda, Zé! Escuta esse baruio aqui. Só pode ser a primera trombeta do apocalipse.
— Que mané trombeta, Cidoca. Vem dem deitar.

A lambreta, com um ronco envenenado, parou em frente à Pensão Canarinho, que na época nem nome tinha, e Marcelino, molhado de chuva da estrada, foi logo dando oh-de-casa. Dona Maria Matreira, a moradora de frente, desconfiada como sempre, abriu um pedacinho da janela e ficou olhando a Aninha Duberrô, empregada da pensão, acolher o tal rapaz.
— Noite! Tem vaga pra um?
— Uai... Então não havera de ter se isso aqui é uma pensão? Entra pra dentro aqui que já já eu chamo dona Zuleica, a dona.

No outro dia, todos queriam saber do forasteiro. A mais empolgada era Silvinha, filha do João Sovina da venda, que estava sonhando com um príncipe num cavalo branco na exata horinha em que o lambreteiro passou por sua janela. Quando Marcelino saiu na porta da pensão pela manhã, logo depois do café, já tinha rodinha de gente na praça olhando pros lados de lá.
— Que será que ele veio fazer no Beleléu? — perguntava dona Joaninha do Pedro Fanho.
— Diz que foi enviado a mando do deputado... — divagava Amélia Potó.
— A lambreta dele é tão linda! Parece até aquelas de filme. E ele então... Ah!!! — suspirava Silvinha.
— Comporte-se, Maria Sílvia! — repreendia dona Coló, a mãe.
— Eu bem que sei, mas não posso é contar... — blefava Aninha Duberrô que o tinha recepcionado na pensão.
— Deve de ser é terrorista. Terrorista ou matador.
— Cruz em credo, dona Maria Matreira. Um rapaz tão bem apanhado... — novamente Silvinha.
— Aposto que é coisa do capiroto. Não me engano nunca...
— Sempre é, né dona Divininha...

Marcelino nem estranhou a mulherada espiando com rabo de olho. Na verdade, já esperava por isso. E se soubessem o que realmente ele queria ali em Beleléu, talvez nem o deixassem ficar. Mas com o tempo, se enturmaria, iria ficando amigo de todos e ganhando a confiança do povo. Foi até o telefone público da praça, que na época ainda era de ficha, discou o número e esperou. Antes que a pessoa do outro lado se identificasse, foi logo dizendo, sem pestanejar:
— Já tô aqui em Beleléu... Tá dando certo... Amanhã mando mais notícias.


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