Ana Carolina lê o "Poema sujo", de Ferreira Gullar

O Grupo Editorial Record lançará, nesta quarta-feira (18/09/2013), um vídeo em que a cantora e compositora Ana Carolina fará a leitura do Poema Sujo, obra-prima de Ferreira Gullar, o maior poeta vivo de nossa Literatura.

Você poderá acompanhar tudo pelo YouTube, a partir das 15h, horário de Brasilia.

Tão logo tenhamos o link, o divulgaremos aqui (e também em nossa fanpage no Facebook), para os leitores do Literatura éshow!

Abaixo, um vídeo caseiro, gravado na FLIP de 2006, onde o poeta fala um pouco das circunstâncias em que a obra foi escrita.




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Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore

Vencedor do Oscar 2012 de melhor curta animado, “The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore” é uma homenagem às comédias de Buster Keaton, O Mágico de Oz, e o prazer de ler livros.

Mesclando diversas técnicas de animação o premiado ilustrador/autor William Joyce e o co-diretor Brandon Oldenburg criaram uma história que combina com o espírito nostálgico do Oscar desse ano, que celebrou “O Artista” e “A Invenção de Hugo Cabret”, duas cartas de amor aos pioneiros do cinema.

Confira o filme abaixo:


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Slides sobre o "conceito" de Arte e as Funções da Literatura

Abaixo, alguns slides que discutem o "conceito" de Arte e as chamadas Funções da Literatura. Aproveite! Bons estudos...





Entrevista à Revista "Espinho D'água"

Abaixo você confere a entrevista concedida pelo Professor José Ricardo Lima (editor do Literatura éshow!) à revista eletrônica "Espinho D'água". Nela, você encontra informações sobre o blogue e discussões sobre Literatura, Internet e Redes sociais.

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Slides sobre "Relações Intertextuais"

Abaixo, novos slides sobre "Relações Intertextuais". Aproveitem!




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Que período literário estamos vivendo hoje?

Algumas pessoas se perguntam, ao estudarem a história da literatura, qual é a “escola” literária que estamos vivendo nesse início de milênio. Uns pensam que ainda estamos no Modernismo, outros pensam que ele já acabou e há também aqueles que não pensam nada, pois não entendem bem essas divisões e subdivisões. Por mais problemática que seja a periodização, pivô de uma verdadeira celeuma entre os literatos, vezes ou outras recorremos a ela e até inventarem algo melhor, esta será sempre uma referência possível para estudarmos a arte da palavra.

Atentos para as constantes mudanças no contexto artístico, os historiadores preferem denominar os períodos uns trinta ou quarenta anos depois da época em que os textos foram escritos. Assim, apurado o caldo literário, pode-se diferenciar melhor o que era estilo individual (típico de cada autor) daquilo que é realmente o estilo de uma época, e ainda, definir a média literária e separá-la daqueles que servirão como ícones para os altares acadêmicos. Assim, as últimas manifestações “canonizadas” em nossa literatura foram os movimentos vanguardistas das décadas de 1950 e 1960 (Concretismo, Neoconcretismo, Poesia Práxis, Poema Processo) e a chamada Poesia Marginal dos anos 70 do século XX.  Alguns autores até fizeram investidas na produção dos anos 80, mas até agora, nada de substancial foi escrito em termos de historiografia. Muitos estudiosos preferem chamar as produções pós-1964 de “Tendências contemporâneas” e neste ambiente democrático, dão lugar a tudo e a todos. De uns tempos pra cá, começou-se utilizar também um termo escorregadio pra designar as produções de nosso tempo: a pós-modernidade.

Ainda existe muito a se falar sobre esse conceito, que como todos os outros, é superficial. Sabe-se que a expressão nasceu nos Estados Unidos, dentro da sociologia, e ganhou força, se espalhando por todo o mundo. A professora Leyla Perrone-Moisés afirma que a definição da pós-modernidade oscila, de autor a autor, entre o estabelecimento de uma periodização histórica, uma descrição de traços de estilo, ou uma enumeração de posturas filosóficas e existenciais. Além disso, os teóricos identificam frequentemente modernidade social com modernidade artística, estabelecendo uma relação direta e especular que nem sempre existiu. O que mais tem sido discutido, no pós-moderno, é o prefixo pós. Vista historicamente, a pós-modernidade, como parece indicar a partícula pós, seria o movimento estético que veio depois da modernidade e a ela se opõe. Começam aí as contradições e dificuldades conceituais. Como uma das posturas filosóficas pós-modernas consiste em negar o tempo sucessivo, progressivo e teológico, […] essa concepção histórica e dialética dos movimentos estéticos não deveria ser assumida pelos pensadores pós-modernos. (PERRONE-MOISÉS, 1998: 179-180).

Se o conceito de pós-modernidade é problemático, uma coisa é certa: o homem pós-moderno é alguém sozinho, cindido, rachado em incontáveis pedaços, multifacetado, inserido num processo amplo de mudança, que está deslocando as estruturas e processos centrais das sociedades modernas e abalando os quadros de referência que davam aos indivíduos uma ancoragem estável no mundo social. (HALL, 2002: 7).

Com o tempo, teremos essas definições. À próxima geração de críticos literários — que já está nas academias, nos cursos de (pós-) graduação — caberá cumprir a missão de selecionar os autores, colocá-los nas “prateleiras” e escolher os “rótulos” que cada um terá. Mas quem sabe, até lá, as mudanças que estão se avizinhando no ensino da Literatura — a classificação por temas, e não por períodos é uma delas — realmente ganhem corpo, prevaleçam, e já não seja tão importante assim a utilização dos famigerados “ismos”, que tanto confundem a cabeça dos estudiosos dessa arte.

BIBLIOGRAFIA
HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Tradução de Tomaz Tadeu da Silva e Guaraciara Lopes Louro. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.
PERRONE-MOISÉS, Leyla. Altas literaturas: escolha e valor na obra crítica de escritores modernos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

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Palavra e Utopia

Abaixo, você tem o filme "Palavra e utopia" (2000), uma produção portuguesa na qual o Padre Antônio Vieira é interpretado por Lima Duarte.


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Padre Antônio Vieira, o mestre das palavras

Abaixo, você tem um documentário da TV Senado sobre o Padre Antônio Vieira, um dos expoentes do nosso Barroco:



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“Índio Tapuia”, de Albert Eckhout


Para saber mais sobre o pintor holandês Albert Eckhout, clique aqui.

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Análise do "Auto da barca do inferno"

Abaixo, uma análise da peça "Auto da barca inferno", de Gil Vicente:



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Mulher Indigesta (Noel Rosa)


MULHER INDIGESTA (Noel Rosa)

Mas que mulher indigesta!(Indigesta!)
Merece um tijolo na testa

Essa mulher não namora
Também não deixa mais ninguém namorar
É um bom center-half pra marcar
Pois não deixa a linha chutar

E quando se manifesta
O que merece é entrar no açoite
Ela é mais indigesta do que prato
De salada de pepino à meia-noite

Essa mulher é ladina
Toma dinheiro, é até chantagista
Arrancou-me três dentes de platina
E foi logo vender no dentista

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Iluminura francesa do torneio dos cavaleiros da Távola Redonda (séc. XV) do Romance de Tristão





Iluminura francesa do torneio dos cavaleiros da Távola Redonda (séc. XV) do Romance de Tristão.

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Joana, de Ana Carolina

JOANA
Ana Carolina

Eu não gosto de Joana
Joana tem uma cara esquisita
Joana tem uma risada careta e maldita

Eu não gosto das suas unhas e seu jeitinho de ainda vencerei
Joana é meio problemática
Perde tempo estudando física, matemática
Joana lá com seus cadernos

Olha eu detesto Joana
Seu rosto pálido de batom rosa
Joana nem gosta de prosa (2x)

Joana implica quando eu ponho Billy Holiday na vitrola
Joana não gosta quando eu escuto Billy Holiday na vitrola
Joana emburra quando eu escuto Billy Holiday na vitrola
Joana lá com seus cadernos

Eu não gosto das suas unhas e seu jeitinho de ainda vencerei (2x)
Essa é a canção que eu fiz no dia que eu tirei
Pra falar mal de Joana
Dedico também minha implicância
A esta canção sem importância
Mas sei que seremos eternos
Eu, Billy Holiday e Joana lá com seu cadernos.



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Candidato caô caô

CANDIDATO CAÔ CAÔ

Caô Caô Caô Caô..
A justiça chegou!


Ele subiu o morro sem gravata
Dizendo que gostava da raça
Foi lá na tendinha
Bebeu cachaça
E até bagulho fumou
Foi no meu barracão
E lá usou
Lata de goiabada como prato
Eu logo percebi
É mais um candidato
Às próximas eleições (3x)

Fez questão de beber água da chuva
Foi lá na macumba pediu ajuda
E bateu cabeça no congá
Deu azar..
A entidade que estava incorporada
Disse esse político é safado
Cuidado na hora de votar

Também disse:

Meu irmão se liga
No que eu vou lhe dizer
Hoje ele pede seu voto
Amanhã manda a polícia lhe bater

Meu irmão se liga
No que eu vou lhe dizer
Hoje ele pede seu voto
Amanhã manda a polícia lhe prender

Hoje ele pede o seu voto
Amanhã manda a polícia lhe bater.

Nesse país que se divide em quem tem e quem não tem,
Sinto o sacrifício que há no braço operário
Eu olho para um lado
Eu olho para o outro
Vejo o desemprego
Vejo quem manda no jogo
E você vem, vem
Pede mais de mim
Diz que tudo mudou
E que agora vai ter fim
Mas eu sei quem você é
Ainda confia em mim?


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Rosa (Pixinguinha / Otávio de Sousa)

Rosa
Pixinguinha / Otávio de Souza

Tu és, divina e graciosa
Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor

Se Deus me fora tão clemente
Aqui nesse ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
Teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rose a cruz
Do arpante peito seu
Tu és a forma ideal
Estátua magistral oh! Alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor

Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas um amor
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo o resplendor da santa natureza

Perdão, se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh! Flor meu peito não resiste
Oh! Meu Deus o quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar em  esperar
Em conduzir-te um dia
Ao pé do altar

Jurar, aos pés do onipotente
Em preces comoventes de dor
E receber a unção de tua gratidão
Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
Hei de envolver-te até meu padecer

De todo fenecer




Abaixo, um vídeo com a interpretação de Marisa Monte para a canção:



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Promoção "Deserto"

Olá leitores do Literatura éshow!

O mês de junho começa com tudo no nosso blog. Afinal, o inverno  vem aí... E com ele, muitas leituras, cafés, chazinhos, caldos e... PROMOÇÕES

Sim! Estamos organizando nosso primeiro SORTEIO. E começamos bem, com nada mais, nada menos, que o vencedor do 2º PRÊMIO BENVIRÁ DE LITERATURA, o livro “Deserto”, do escritor Luis S. Krausz

Em breve escreveremos uma resenha para abrir o apetite literário dos participantes. Mas só pelo fato do livro ter sido premiado em um concurso nacional, organizado por um selo da Editora Saraiva (com Anna Maria Martins, José Luiz Goldfarb e Luiz Bras na comissão julgadora) já podemos ter certeza absoluta que se trata de coisa boa.

Para participar, você deverá:

1- Curtir as páginas “Literatura éshow!” e “Lendo de verdade”;
2- Seguir publicamente o blogLiteratura éshow!” clicando em "Participar deste site", no gadget "Siga-nos", no alto, à direita desta postagem;
3- Preencher o formulário abaixo.

O sorteio será realizado no dia 31/07/2013.

OBS.: Caso haja alguma dúvida, deixe-a nos comentários. 

Essa promoção é uma gentileza do Papel Chambril Avena, da International Paper.

 

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RESULTADO DO SORTEIO REALIZADO EM 31/07/2013
VENCEDORA: Dalila da Paz Silva Klering
PERFIL DO FACEBOOK: Dalila Klering


Revista Espinho D'água #2

Olá leitores...

Já saiu a edição número 2 da Espinho D'água. Abaixo, uma apresentação do que teremos na edição:

Nessa edição abordamos a inversão de valores entre o bem e o mal nos dias de hoje. Porque os vilões de hoje são atraentes e sedutores e os mocinhos parecem ingênuos e bobos. O que era bom não é mais? Somos heróis ou vilões da nossa própria história. 

Leiam nossas matérias e dicas sobre literatura, cinema e música, além de quadrinhos, uma entrevista com a pintora D. Chicalé, mais prateleira e todo o material inédito de nossos editores e colaboradores.


Você pode ler o conteúdo da revista clicando aqui...

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RESENHA: Os meus "Cem anos de solidão"...

Impossível traduzir com palavras os dias em que estive em Macondo. Creio que nunca, em minha vida, a Literatura foi tão usada para transpor-me a uma realidade absurdamente diferente desta em que eu existo. Gabo pegou-me pela mão e a mim mostrou as sete gerações dos Buendía, como um narrador bíblico que coloca diante dos nossos olhos infantes um mundo onde tudo é possível. Um mundo não ainda contaminado pelas ideias de Descartes — e os que vieram antes e depois dele —, que puseram ordem e razão em nossas mais lindas criancices. E foi assim que me senti: criança. Dessas que aceitam o tudo o que lhe contam, sem que este tudo tenha que ser provado, mensurado, atestado, mas apenas vivido. 

A primeira vez que tentei ler “Cem anos de solidão” fora na adolescência. Devia ter uns 16 ou 17 anos, era um leitor afoito, desses que deixam de lado o estudo acadêmico da gramática, dos números, das datas, dos mapas e dos organismos vivos para devanear horas e horas pelo mundo da leitura. Achei o livro difícil, pesado mesmo, principalmente por causa dos muitos Arcadios e Aurelianos que já apareciam logo nas primeiras páginas. Mal sabia eu que as Amarantas, as Remedios e até mesmo as Úrsulas também se repetiriam pelas laudas afora, de maneira cíclica e labiríntica. Mas ouvindo uma voz interna que me isentava do fardo de ser um leitor precoce, eu simplesmente deixei o livro para depois. 

E o depois se fez agora, no momento em que decidi mergulhar na Literatura latino-americana e provar de todos os seus sabores. É claro que Gabriel García Márquez figura nesta categoria no rol qualquer leitor, até mesmo dos mais desavisados. Eu já tinha lido o Gabo através de uns contos esparsos, muitos entre os “Doze contos peregrinos”. Mas sentir os cheiros de Macondo e ouvir seus sussurros foi realmente uma experiência única e indizível.

O livro realmente nos arrasta. Coloca-nos personagens, ao lado de outros tantos. Suga-nos de um modo abrupto e nos seduz, de tal maneira que somos nós que pedimos para sermos enganados pelo realismo mágico do autor. Mágico! Creio que a mágica bem define o tema de “Cem anos de solidão”. É a magia das palavras. Aquelas palavras escritas em pergaminhos, com códigos (quase) indecifráveis... Aquelas palavras destinadas aos médicos invisíveis, aos mortos que nos assombram, aos amores inconfessáveis, aos silêncios com os quais nos punimos. 

Durante este tempo, eu fui um Buendía e descobri que eles têm um pouco de todos nós, humanos. Que são nossos ancestrais comuns... E imaginei que ao morrer um Buendía, sempre nasceria outro, com os mesmos repetidos nomes e os mesmos repetidos fados. Mas para meu grande susto, a última verdade assentada na última página dizia o contrário, pois tudo o que estava escrito nos pergaminhos de Melquíades “era irrepetível desde sempre e para sempre, porque as estirpes condenadas a cem anos de solidão não tinham uma segunda chance sobre a terra”.

ALGUNS TRECHOS QUE ME EMBEVECERAM:


"... 'Já que ninguém quer ir embora, nós iremos sozinhos.' Úrsula não se alterou. 
— Nós não iremos — disse. — Ficaremos aqui, porque aqui tivemos um filho.
— Ainda não temos um morto — ele disse. — A gente não é de um lugar enquanto não tem um morto enterrado nele.
— Se é preciso que eu morra para vocês ficarem aqui, eu morro."

***

"A casa se encheu de amor. Aureliano expressou-o em versos que não tinham princípio nem fim. Escrevia-os nos ásperos pergaminhos que lhe dava Melquíades, nas paredes do banheiro, na pele dos seus braços, e em todos aparecia Remedios transfigurada: Remedios no ar soporífero das duas da tarde, Remedios na calada respiração das rosas, Remedios na clepsidra secreta das mariposas, Remedios no vapor do pão ao amanhecer, Remedios em todas as partes e Remedios para sempre."

***

“—Porra! — gritou.
Amaranta, que começava a colocar a roupa no baú, pensou que ela tinha sido picada por um escorpião. 
— Onde está — perguntou alarmada.
— O quê?
— O animal! — esclareceu Amaranta.
Úrsula pôs o dedo no coração.
— Aqui — disse.”

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UFU 2013: A morte de Ivan Ilitch, Leon Tolstoi

Abaixo, slides sobre o livro "A morte de Ivan Ilitch, de Leon Tolstoi, selecionado para o Vestilular UFU Junho 2013...




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Os textos da minha infância


Todos nós trazemos, no veio das nossas lembranças, alguns dos textos que lemos — ou que leram para nós — na nossa vida de menino. E eu pretendo falar um pouco sobre eles. Quero retornar ao momento em que nasceu, aqui no meu de dentro, um eu-leitor. Quero retornar ao momento em que nasceram para mim os textos da minha infância.

Metade dela eu fui um menino da rua. Desses que correm, soltam pipa e fogem de casa, mas estão sempre ao alcance da voz materna. A outra metade eu fui o menino dos livros. Veja bem, eu fui "o" menino. Artigo definido, singular. Aquele que juntava, que pedia, que catava no lixo o saber e o lazer que o pai não podia comprar.

Os primeiros volumes chegaram de uma maneira engraçada e antilírica. Eram livros didáticos que uma estudante deixou no quintal da minha avó, em meio a uma incontrolável dor de barriga, quando provavelmente voltava da escola, à noite. Ao descobrir que aquele quintal era também um galinheiro — e talvez justamente porque as galinhas a descobriram e começaram a cantar, denunciando a sua presença — ela fugiu toda medrosa e deixou no chão os livros que carregava consigo. Neles, aos oito anos, eu descobri as palavras, os números, os nomes das galáxias, dos planetas e das estrelas; o dos países, dos estados e cidades; o nome dos sistemas do corpo humano, dos nossos órgãos e doenças; o nome dos reis, dos presidentes, dos navegantes; o nome dos escritores e de suas histórias. Com eles, descobri o poder da Palavra escrita. E comecei a ler...

E comecei a ler, porque fiquei doente. Santa doença! Prova cabal de que há males que vêm pra bem. E aqueles livros que antes cabiam numa gaveta foram brotando, brotando e dando cria, e por volta dos dez anos o meu brinquedo preferido eram três caixotes de maçã que — colocados um em cima do outro — me serviam de estante.

A minha infância foi pobre, foi pobre e tão feliz que eu queria que todos os meninos do mundo tivessem sido tão pobres quanto eu. Queria que todos os meninos do mundo tivessem aqueles caixotes cujo cheiro ainda guardo comigo. Queria que todos os meninos do mundo sonhassem, como eu sonhei, com um quarto para ler à noite. Se eles sonhassem muito, mas muito mesmo, poderiam descobrir que para ler à noite não é preciso um quarto. É só colocar uma lâmpada dentro de um guarda-roupas velho e fazer esse guarda-roupas velho caber dentro da velha casa. Afinal, foi isso que eu fiz.

Dentro do meu guarda-roupas com lâmpada não havia uma passagem para Nárnia. Mas lá eu reencontrava o burrinho alpinista, Rosinha, Marcelo e Marquinho. Brincava com o seu barquinho amarelo, e me embevecia com a sua galinha botando ovo azul, com seus brinquedos da noite,  com suas bolhas de sabão... Entrava no jipe e ia para aquela serra dos dois meninos, aquela ilha perdida, com os pequenos jangadeiros, enfrentando os perigos do mar. Estava com Xisto, Atíria, Pimpa, Léo, Gino, Angela, Guima,Vera, Lúcia, Quico, Oscar... Era criança na escola com Cazuza, na sala de Dona Neném. Corria atrás do gato malhado e da andorinha sinhá... Cuidava do cachorrinho machucado da Chiquinha... Trilhava um caminho suave, era amigo do menino prodígio, lia o bilhete escondido de Pitu, dormia na sobra das árvores, na manhã no grotão. E acompanhava Pedrinho em suas caçadas ao Saci. E morria de medo da Cuca. E aprendia a geografia de dona Benta e a gramática da Emília ao lado do poço do Visconde. E comia os bolinhos de chuva da Tia Nastácia. E namorava Narizinho, colocando em sua boca o doce das jabuticabas.

Hoje eu sou um homem dormindo no meio dos livros, que às vezes lê coisas inúteis e nem sempre consegue cumprir a dura missão que a família transfere à escola e a escola transfere ao professor: a de despertar nos jovens alunos o gosto pela leitura. Mas a vontade que eu tenho é a de voltar para dentro do guarda-roupas da infância e ser apenas um menino que lê. E queria ter novamente todos os meus brinquedos e todos os textos que li. E queria os mesmos olhos de menino, os olhos da inocência e da surpresa, para que verdadeiramente aqueles textos fossem os meus. Eles, todos eles... Pois foi através deles que hoje posso me chamar de eu.


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UFU 2013: Anjo Negro, Nelson Rodrigues

Abaixo, slides sobre o livro Anjo Negro, de Nelson Rodrigues, selecionado para o Processo Seletivo UFU 2013/2 e PAAES Subprograma 2011/14.







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Revista Espinho D'água

Olá pessoal, aí vai mais uma dica de leitura do Litertura éshow!. Dessa vez, temos algo diferente: uma revista literária digital, a Espinho D'água.

Lançada neste mês de março, a Revista Espinho D’água, publicação digital gratuita, agregada ao site revistaespinhodagua.com, tem como objetivo a promoção, discussão e compartilhamento de temas e informações relacionadas à literatura, música, cinema, artes visuais e o cotidiano urbano contemporâneo nacional e estrangeiro, valendo-se de uma linguagem descomplicada e agradável, mas com conteúdo analítico e reflexivo. Editado por quatro artistas, entre escritores e artistas visuais, além de contar com eventuais colaboradores e convidados, de acordo com o tema proposto em cada edição, a publicação digital tem como escopo o alcance do público em geral, com especial atenção aos escritores e artistas novos e independentes, tanto como leitores, como para a promoção de suas obras ou eventos, de forma inteiramente gratuita. A revista se propõe a entreter e questionar, promover, informar e agregar novos pontos de vista sobre assuntos de interesse artístico, social e comportamental da sociedade.

Clique na imagem para acessar o site da revista. Uma boa leitura a todos...


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Manual de leitura no ônibus

E aí? Que tal ler no ônibus... Veja as dicas do jornal "Gazeta do povo". O vídeo foi uma indicação de Jeniffer Santos, do blog Subindo no telhado, para o pessoal do grupo Papo Literário,do Facebook.






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UFU 2013_A volta do marido pródigo

Abaixo, os slides sobre a narrativa "Aspectos biográficos de Lalino Salãnthiel ou A volta do marido pródigo", do livro Sagarana, de João Guimarães Rosa, selecionado para o Processo Seletivo UFU 2013/2.


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UFU 2013_Menina a caminho

Abaixo, slides sobre o livro Menina a caminho, de Raduan Nassar, selecionado para o Processo Seletivo UFU 2013/2.



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Quem tem cacife para falar de Literatura?

Olá...

Todos nós sabemos que os blogs e canais do YouTube sobre Literatura estão na moda pela Internet. A maioria deles contém, principalmente, resenhas de livros e curiosidades sobre o mercado editorial. É óbvio que esta iniciativa fomenta a leitura, principalmente no que se refere ao público jovem, mas, infelizmente, anda aguçando também a "espiritodeporquice" de alguns desocupados que começaram a criticar as pessoas mantenedoras desses espaços virtuais.

A crítica se dá pelo fato de que os "b(v)logueiros", na maioria das vezes, não têm uma formação acadêmica e por isso não poderiam falar sobre o assunto. A discussão já vem de longe, mas recentemente foi aquecida pelo vídeo de Tatiana Feltrin (do blog TINY little ThInGs) que além de dar a sua opinião, lançou um desafio para os internautas com as seguintes perguntas: 1) Quem (ou o que) determina quem tem cacife ou não para falar de literatura? 2) As pessoas que não conhecem teoria literária podem falar sobre literatura?

Muitos responderam através de postagens ou vídeos (você encontra um link logo abaixo) e as opiniões são as mais diversas e interessantes. Vamos assistir ao vídeo da Tatiana? Aperte o play:





O Literatura éshow! difere da maioria desses blogs, pois é mantido por um professor de Literatura. Mas creio que não foram apenas os cinco ano que passei no curso de Letras, nem os treze que ensino essa disciplina que me dão cacife para postar alguma coisa e, vez ou outra, emitir minha opinião sobre algumas obras e/ou autores.

O que faz alguém ter cacife para falar de Literatura é a intimidade que esse alguém tem com ela. A teoria é importante, sim, mas mais importante é o contato, a vivência, imersão no mundo da leitura. Já vi muitos professores (universitários, inclusive) que têm menos experiência literária que muitos jovens. Sabem muito sobre algumas obras e autores, mas no frigir dos ovos, só sabem isso. Já tive alunos que leem/leram MUITO mais do que eu, e disso não me envergonho.

Caso eles, ou qualquer outro, queiram manifestar sua opinião pessoal sobre o que leram, que o façam!  Não só podem como DEVEM falar de Literatura! Estamos numa democracia ou não estamos? E que muitos falem! Para que muitos sejam falados! Para que os acadêmicos conheçam a última "modinha" (que amanhã poderá se tornar um grande clássico) e o leitor de "modinha" conheça os autores canonizados.

Para terminar, eu gostaria que os leitores dessa postagem também se manifestassem, respondendo as perguntas da Tati. Pode ser? Se antes quiserem dar uma olhada nas inúmeras respostas ao vídeo que estão no YouTube, é só clicar aqui...

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Curiosidades sobre a Academia Brasileira de Letras



1. Como funciona o processo de eleição de um "imortal"??
Uma vaga na ABL só é aberta com a morte de um de seus 40 membros. Ao fim da chamada Sessão de Saudade, em que o acadêmico morto é homenageado, é declarada oficialmente a vacância da cadeira. A partir de então, os interessados podem se candidatar num prazo de 60 dias. É preciso enviar uma correspondência à ABL com um currículo, formalizando o interesse. As eleições ocorrem cerca de um mês depois do encerramento das inscrições. Não há outra maneira de ingressar na Academia, ou seja, todos os interessados precisam passar pelo processo eleitoral.


2. Quem tem direito a votar?
Inspirada no modelo da Academia Francesa, a ABL é composta por 40 membros efetivos e perpétuos. Além desses, a Academia possui 20 membros correspondentes estrangeiros. Mas apenas os efetivos podem votar nas eleições. Portanto, caso haja apenas uma vaga em aberto, 39 integrantes têm direito a voto. Os membros que não puderem comparecer à sede da ABL, no Rio, na data da eleição têm a opção de votar por carta.


3. O voto é aberto ou secreto?
A eleição que define quem será o novo imortal é realizada em votação secreta. Os membros da academia depositam seu voto em uma urna, que é aberta pelo presidente da Casa. Oficialmente, ninguém deveria revelar sua preferência. No entanto, em várias ocasiões, alguns membros declaram abertamente sua intenção. Em alguns casos, a preferência por um candidato é tão clara que é possível contabilizar seus votos antes mesmo das eleições.


4. Quantos votos são necessários para eleger o novo membro?
O novo membro é eleito por maioria absoluta de votos - ou seja, metade mais um. Se o número de membros efetivos for ímpar, a maioria absoluta será representada pela metade do número superior àquele. Em outras palavras, em uma eleição de que participam 39 acadêmicos, o novo imortal será escolhido com 20 votos.


5. Qualquer um pode se candidatar a uma vaga?
De acordo com as regras da Academia, para se candidatar é preciso ter nacionalidade brasileira e ter publicado ao menos um obra de reconhecido valor cultural ou literário. Desde sua origem, porém, a ABL previa a reserva de alguns assentos para "personalidades", pessoas que se destacassem em outras áreas. Essa determinação foi expressa na correspondência trocada, por exemplo, entre Machado de Assis e Joaquim Nabuco às vésperas da criação da instituição, em 1897. Isso significa que, na prática, o destaque em áreas políticas ou sociais é levado mais em conta do que, de fato, suas obras literárias. Isso explica a presença de personagens como Ivo Pitanguy, que como escritor é um ótimo cirurgião plástico, ou o ilustre desconhecido Tarcísio Padilha.


6. Há algum tipo de campanha antes da eleição?
Não existe nenhum tipo de campanha declarada. Mas normalmente observa-se uma certa adequação ao ritual da ABL. Comparecer aos tradicionais chás de quinta-feira, participar de atividades no Petit Trianon - o edifício sede -, escrever cartas, telefonar, enviar livros ou visitar os imortais podem garantir mais popularidade ao candidato. Os imortais dizem ainda que prezam pela discrição do candidato durante a campanha, mas costumam se lançar com energia a conchavos durante o processo decisório.


7. É preciso esperar uma vaga para fazer campanha?
Sim, declarar-se interessado antes mesmo da abertura de uma vaga é considerada uma atitude agourenta. Afinal, ficaria a impressão de que o candidato espera pela morte de um dos imortais. Um episódio relacionado ocorreu com o diplomata Geraldo Holanda Cavalcanti, que enviou à ABL uma carta informando o desejo fazer parte da Academia. Os membros consideraram a manifestação grosseira e imperdoável.


8. Quem não for eleito pode se candidatar de novo?
Sim. Isso já aconteceu diversas vezes. Inclusive com o hoje imortal Paulo Coelho. Ele não foi eleito da primeira vez que se candidatou. De volta ao páreo em 2002, bateu o cientista político Hélio Jaguaribe por 22 votos a 15. A disputa foi uma das que mais mexeu com a Academia e também com a opinião pública. Insatisfeitos com a candidatura do "Mago", críticos literários lançaram um desafio à Academia: ou rejeitavam Coelho, por entender que ele não tinha cacife para figurar em uma Academia de Letras séria, ou o aceitavam, reconhecendo que a instituição em si é que não era séria. A ABL aceitou Coelho, alegando que ele daria visibilidade nacional e internacional à Casa, por tratar-se de um best seller.


9. Qual o ritual de posse do novo 'imortal'?
A posse do novo imortal acontece no salão nobre do Petit Trianon. O novo membro veste, então, o tradicional fardão, traje verde-escuro, bordado a ouro e acompanhado por um chapéu de veludo preto com plumas brancas. É padrão que os discursos de posse se restrinjam a tecer loas aos ex-donos da cadeira que o novo imortal passa a ocupar. Mas há exceções. Uma delas ocorreu na posse do diplomata Roberto Campos, em 1999, que atacou duramente seu antecessor, o dramaturgo Dias Gomes. Mais: ele classificou de ridícula a celeuma ideológica em torno de sua eleição, na qual a viúva de Dias Gomes, Bernadeth Lyzio, fez campanha para que o marido, conhecido por suas posições de esquerda, não fosse sucedido por um homem "de direita". Outro episódio sobre a posse já está ligado ao campo sobrenatural. Eleito para a Academia em 1963, Guimarães Rosa protelou o quanto pôde a cerimônia. Ele dizia que, empossado, morreria em seguida. De fato, o autor de Grande Sertão: Veredas morreu três dias após assumir seu assento, em 1967.


10. Alguém já se recusou a participar da disputa?
Grandes nomes como Carlos Drummond de Andrade e Clarice Lispector nunca se candidataram. Já o escritor Monteiro Lobato tentou em 1926. Decepcionado com a derrota, se negou a aceitar uma indicação para a candidatura em 1944. Com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso aconteceu uma situação diferente. Após a morte de Roberto Marinho, em 2003, a viúva Lily manifestou o desejo de que o sociólogo tomasse posse da cadeira do falecido. FHC agradeceu e disse que não disputaria a indicação. A briga ficou entre o escritor Fernando Morais e o vice de FHC, Marco Maciel, que venceu. Há ainda aqueles que saíram da disputa para favorecer alguém - ou entraram nela para atrapalhar. Nas duas situações, o exemplo é o mesmo: o jornalista Joel Silveira. Em 2000, ele renunciou à candidatura em favor do jurista Raimundo Faoro. No ano seguinte, apresentou seu nome em protesto à chapa de Zélia Gattai, que queria assumir a cadeira deixada pelo marido, Jorge Amado. A candidatura de Zélia dividiu a ABL, mas a viúva levou a melhor.


11. Afinal, o que significa ser um "imortal"?
O termo imortal foi retirado da Academia Francesa. A palavra foi retirada da frase À l'immortalité, que está estampada no selo oficial da Academia. Na versão brasileira, ser imortal significa ser ou já ter sido membro da Casa de Machado de Assis. Além de ter garantidos para o resto da vida os famosos chás e bolinhos das tardes de quinta-feira, nas quais os acadêmicos trocam amenidades e, às vésperas de eleições, farpas.


12. Afinal, qual é a função da ABL?
Oficialmente, as funções da Academia Brasileira de Letras são zelar pela língua portuguesa e divulgar a literatura nacional de alto nível. Assim, ela faz publicações de livros, distribui prêmios, elabora dicionários, analisa e referenda mudanças gramaticais ou ortográficas do idioma. Porém, as críticas de que há tempos a Casa de Machado de Assis não produz algo de relevância cultural são procedentes.

FONTE: Revista Veja


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Terminologia literária

O que é um gazal? O que significa flash-forward? O que quer dizer idílio? Esses e outros termos você encontra no material abaixo, sobre Terminologia literária...





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Duas obras de Picasso em três dimensões

Abaixo, dois vídeos muito interessantes sobre Pablo Picasso. São duas obras do pintor cubista espanhol: Gernica e O beijo, ambas de maneira tridimensional.





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D. Dinis, o Rei Trovador

Há 688 anos, morria D. Dinis, Rei de Portugal e um dos principais nomes do Trovadorismo.

BIOGRAFIA
Sexto rei de Portugal (1279-1325), nascido em Lisboa, conhecido como o Rei Trovador ou o Rei Lavrador, devido a ter prestado grande dedicação ao desenvolvimento da agricultura. Filho de Afonso III e de sua segunda mulher, Beatriz, e neto de Afonso X de Castela, casou-se com Isabel de Aragão, posteriormente chamada a Rainha Santa pelas suas excepcionais virtudes. Desde cedo foi preparado para ser rei pelo seu pai e quando subiu ao trono português, aclamado em Lisboa (1279), impôs sua autoridade e consolidou a unificação administrativa e cultural da nação. Quando subiu ao trono imediatamente procurou normalizar a situação com a Igreja Católica, jurando ao Papa Nicolau III proteger os interesses de Roma em Portugal. Extinguiu a Ordem do Templo e criou a Ordem de Cristo ligada à Ordem dos Templários. Foi essencialmente um rei administrador e não guerreiro, pois embora tenha se envolvido na guerra com Castela (1295), desistiu dela em troca das vilas de Serpa e Moura. Pelo Tratado de Alcanises (1297) firmou a Paz com Castela, definindo-se nesse tratado as fronteiras atuais entre os dois países ibéricos. Para estimular a agricultura, distribuiu terras a colonos, mandou construir canais e secar pântanos e limitou os privilégios territoriais da igreja e, por isso, foi cognominado O Lavrador ou O Rei-Agricultor. Começou a interessar-se também pelo desenvolvimento do comércio marítimo e aperfeiçoamento dos processos de navegação e contratou marinheiros italianos para virem trabalhar em Portugal e fez convênios comerciais com outros monarcas. Durante seu longo reinado, o comércio também prosperou, com o aumento da extração de metais, a proteção às feiras e a reorganização da Marinha. Beneficiou a literatura e mandou traduzir livros latinos e árabes, inclusive a Geografia de Razis. Adotou o vernáculo nos documentos oficiais e, com o apoio do Papa, criou a primeira universidade portuguesa (1290), que funcionou entre Lisboa e Coimbra, até se fixar nesta última cidade como a famosa Universidade de Coimbra. Começou a usar-se a língua portuguesa nos documentos escritos e foi o primeiro rei português a assinar os seus documentos com o nome completo. Provavelmente o primeiro rei português não analfabeto, foi poeta e protetor de trovadores e jograis e também apelidado de O Rei-Poeta ou O Rei-Trovador pelas cantigas que compôs e pelo desenvolvimento da poesia trovadoresca a que se assistiu no seu reinado. Compôs cerca de 140 cantigas líricas e satíricas, e permaneceu no poder até sua morte, em Santarém, e está sepultado no Convento de São Dinis, em Odivelas. Apesar de ser um bom rei, os últimos anos do seu reinado foram marcados por conflitos internos. O herdeiro, futuro D. Afonso IV, achou que o rei favoreceria seu filho bastardo, Afonso Sanches, e entrou em conflito com o pai, mas não chegou a haver guerra civil.

FONTE: DEC/UFCG

CANTIGAS DE D. DINIS (Para entender mais sobre as cantigas trovadorescas, clique aqui e aqui).

Chegou-m'ora aqui recado
Dom Dinis
Cancioneiro da Biblioteca Nacional 558, Cancioneiro da Vaticana 161

Chegou-m'ora aqui recado,
amiga, do voss'amigo,
e aquel que falou migo
diz-mi que é tam coitado
que per quanta poss'havedes
já o guarir nom podedes.
Diz que hoje, tercer dia,
bem lhi partírades morte
mais houv'el coita tam forte
e tam coitad'er jazia
que per quanta poss'havedes
já o guarir nom podedes.
Com mal que lhi vós fezestes
jurou-m', amiga fremosa,
que, pero vós poderosa
fostes d'el quanto quisestes,
que per quanta poss'havedes
já o guarir nom podedes.
E gram perda per fazedes
u tal amigo perdedes.

COMENTÁRIO: Cantiga de amigo; de refrão, com finda. Uma amiga conta à rapariga a tristeza do seu amigo.


Amiga, muit'ha gran sazón
Dom Dinis
Cancioneiro da Biblioteca Nacional 157, Cancioneiro da Vaticana 554

Amiga, muit'ha gran sazón
que se foi d'aquí con el-rei
meu amigo, mais ja cuidei
mil vezes no meu coraçón
que algur morreu con pesar,
pois non tornou migo falar.
Porque tarda tan muito lá
e nunca me tornou veer,
amiga, si veja prazer,
máis de mil vezes cuidei ja
que algur morreu con pesar,
pois non tornou migo falar.
Amiga, o coraçón seu
era de tornar ced'aquí,
u visse os meus olhos en mí,
e por én mil vezes cuid'eu
que algur morreu con pesar,
pois non tornou migo falar.

COMENTÁRIO: Cantiga de amigo; de refrão. Dirigindo-se a uma amiga, a rapariga pensa que o seu amigo, que se foi com o rei, deveu de morrer de pena, visto que não volta falar com ela


Preguntar-vos quero por Deus
Dom Dinis
Cancioneiro da Biblioteca Nacional 525b, Cancioneiro da Vaticana 128

Preguntar-vos quero por Deus
senhor fremosa, que vos fez
mesurada e de bom prez,
que pecados forom os meus
que nunca tevestes por bem
de nunca mi fazerdes bem.
Pero sempre vos soub'amar
des aquel dia que vos vi,
mais que os meus olhos em mi,
e assi o quis Deus guisar,
que nunca tevestes por bem
de nunca mi fazerdes bem.
Des que vos vi, sempr'o maior
bem que vos podia querer
vos quigi, a todo meu poder,
e pero quis Nostro Senhor
que nunca tevestes por bem
de nunca mi fazerdes bem.
Mais, senhor, ainda com bem
se cobraria bem por bem.

COMENTÁRIO: Cantiga de amor; de refrão, com finda. O poeta pergunta à amada por qual razão ela não corresponde ao seu grande amor.


Senhor, cuitad'é o meu coraçom
Dom Dinis
Cancioneiro da Biblioteca Nacional 523b, Cancioneiro da Vaticana 126

Senhor, cuitad'é o meu coraçom
por vós, e moiro, se Deus mi perdom,
porque sabede que des que entom
vos vi, desi
nunca coita perdi.
Tanto me coita e tarix[1] mal Amor
que me mata, seed'em sabedor;
e tod'aquesto é des que, senhor,
vos vi, desi
nunca coita perdi.
Ca de me matar Amor nom m'é greu,
tanto mal sofro já em poder seu;
e tod'aquest'é, senhora, des quand'eu
vos vi, desi
nunca coita perdi.

COMENTÁRIO: Cantiga de amor; de refrão. Dirigindo-se à amada, o poeta insiste sobre a sua coita desde que a viu.

Abaixo, um vídeo com a declamação de uma cantiga de amor de D. Dinis




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Gibran Kahlil Gibran



Há 130 anos nascia Gibran Kahlil Gibran, poeta libanês, cujos escritos, eivados de profunda e simples beleza e espiritualidade, alcançaram a admiração do público de todo o mundo.

Abaixo, você encontra a biografia do autor, alguns de seus textos, um vídeo em que a atriz Letícia Sabatella declama o poema "Na floresta" (com trilha incidental de Marcus Viana) e um link para ler O profeta, obra-prima de Gibran Kahlil Gibran.

BIOGRAFIA:
Seu nome completo é Gibran Kahlil Gibran. Assim assinava em árabe. Em inglês, preferiu a forma reduzida e ligeiramente modificada de Khalil Gibran. É mais comumente conhecido sob o simples nome de Gibran.

1883 - Nasceu em 6 de janeiro, em Bsharri, nas montanhas do Líbano, a uma pequena distância dos cedros milenares. Tinha oito anos quando, um dia, um temporal se abate sobre sua cidade. Gibran olha, fascinado, para a natureza em fúria e, estando sua mãe ocupada, abre a porta e sai a correr com os ventos. Quando a mãe, apavorada, o alcança e repreende, ele lhe responde com todo o ardor de suas paixões nascentes: "Mas, mamãe, eu gosto das tempestades. Gosto delas. Gosto!" (Um de seus livros em árabe será intitulado Temporais).

1894 - Emigra para os Estados Unidos, com a mãe, o irmão Pedro e as duas irmãs Mariana e Sultane. Vão morar em Boston. O pai permanece em Bsharri.

1898/1902 - Vota ao Líbano para completar seus estudos árabes. Matricula-se no Colégio da Sabedoria, em Beirute. Ao diretor, que procura acalmar sua ambição impaciente, dizendo-lhe que uma escada deve ser galgada degrau por degrau, Gibran responde: "Mas as águias não usam escadas!"

1902/1908 - De novo em Boston. Sua mãe e seu irmão morrem em 1903. Gibran escreve poemas e meditações para Al-Muhajer (O Emigrante), jornal árabe publicado em Boston. Seu estilo novo, cheio de música, imagens e símbolos, atrai-lhe a atenção do Mundo Árabe. Desenha e pinta numa arte mística que lhe é própria. Uma exposição de seus primeiros quadros desperta o interesse de uma diretora de escola americana, Mary Haskell, que lhe oferece custear seus estudos artísticos em Paris.

1908/1910 - Em Paris. Estuda na Académie Julien. Trabalha freneticamente. Freqüenta museus, exposições, bibliotecas. Conhece Auguste Rodin. Uma de suas telas é escolhida para a Exposição das Belas-Artes de 1910. Nesse ínterim, morrem seu pai e sua irmã Sultane. 1910 - Volta a Boston e, no mesmo ano, muda-se para Nova York, onde permanecerá até o fim da vida. Mora só, num apartamento sóbrio que ele e seus amigos chamam  As-Saumaa (O Eremitério). Mariana, sua irmã, permanece em Boston. Em Nova York, Gibran reúne em volta de si uma plêiade de escritores libaneses e sírios que, embora estabelecidos nos Estados Unidos, escrevem em árabe com idênticos anseios de renovação. O grupo forma uma academia literária que se intitula Ar-Rabita Al-Kalamia (A Liga Literária), e que muito contribuiu para o renascimento das letras árabes. Seus porta-vozes foram, sucessivamente, duas revistas árabes editadas em Nova York: Al-Funun (As Artes) e As-Saieh (O Errante).

1905/1920 - Gibran escreve quase que exclusivamente em árabe e publica sete livros nessa língua: 1905, A Música; 1906, As Ninfas do Vale; 1908, Espíritos Rebeldes; 1912, Asas Partidas; 1914, Uma Lágrima e um Sorriso; 1919, A Procissão; 1920, Temporais. (Após sua morte, será publicado u m oitavo livro, sob o título de Curiosidades e Belezas, composto de artigos e histórias já aparecidas em outros livros e de algumas páginas inéditas).

1918/1931 - Gibran deixa, pouco a pouco, de escrever em árabe e dedica-se ao inglês, no qual produz também oito livros: 1918, O Louco; 1920, O Precursor; 1923, O Profeta; 1927, Areia e Espuma; 1928, Jesus, o Filho do Homem; 1931, Os Deuses da Terra. (Após sua morte serão publicados mais dois: 1932, O Errante; 1933, O Jardim do Profeta.) Todos os livros em inglês de Gibran foram lançados por Alfred A. Knopf, dinâmico editor norte-americano com inclinação para descobrir e lançar novos talentos. Ao mesmo tempo em que escreve, Gibran se dedica a desenhar e pintar. Sua arte, inspirada pelo mesmo idealismo que lhe inspirou os livros, distingue-se pela beleza e a pureza das formas. Todos os seus livros em inglês foram por ele ilustrados com desenhos evocativos e místicos, de interpretação às vezes difícil, mas de profunda inspiração. Seus quadros foram expostos várias vezes com êxito em Boston e Nova York. Seus desenhos de personalidades históricas são também célebres.

1931 - Gibran morre em 10 de abril, no Hospital São Vicente, em Nova York, no decorrer de uma crise pulmonar que o deixara inconsciente.

TEXTOS DE GIBRAN KAHLIL GIBRAN

Amai-vos...

Amai-vos um ao outro,
mas não façais do amor um grilhão.

Que haja, antes, um mar ondulante
entre as praias de vossa alma.

Enchei a taça um do outro,
mas não bebais da mesma taça.

Dai do vosso pão um ao outro,
mas não comais do mesmo pedaço.

Cantai e dançai juntos,
e sede alegres,

mas deixai
cada um de vós estar sozinho.

Assim como as cordas da lira
são separadas e,

no entanto,
vibram na mesma harmonia.

Dai vosso coração,
mas não o confieis à guarda um do outro.

Pois somente a mão da Vida
pode conter vosso coração.

E vivei juntos,
mas não vos aconchegueis demasiadamente.

Pois as colunas do templo
erguem-se separadamente.

E o carvalho e o cipreste
não crescem à sombra um do outro.

Gibran Kahlil Gibran -
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Divina Música!

Filha da Alma e do Amor.
Cálice da amargura
e do Amor.
Sonho do coração humano,
fruto da tristeza.
Flor da alegria, fragrância
e desabrochar dos sentimentos.
Linguagem dos amantes,
confidenciadora de segredos.
Mãe das lágrimas do amor oculto.
Inspiradora de poetas, de compositores
e dos grandes realizadores.
Unidade de pensamento dentro dos fragmentos
das palavras.
Criadora do amor que se origina da beleza.
Vinho do coração
que exulta num mundo de sonhos.
Encorajadora dos guerreiros,
fortalecedora das almas.
Oceano de perdão e mar de ternura.
Ó música.
Em tuas profundezas
depositamos nossos corações e almas.
Tu nos ensinaste a ver com os ouvidos
e a ouvir com os corações.
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Os Filhos (Do Livro "O Profeta")

Uma mulher que carregava o filho nos braços disse: "Fala-nos dos filhos."
E ele falou:
         
Vossos filhos não são vossos filhos.          
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.          
Vêm através de vós, mas não de vós.          
E embora vivam convosco, não vos pertencem.          
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,          
Porque eles têm seus próprios pensamentos.          
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;          
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,          
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.          
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,          
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.          
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.          
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força        
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.          
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:          
Pois assim como ele ama a flecha que voa,          
Ama também o arco que permanece estável.
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O Amor

E alguém disse:
Fala-nos do Amor:

- Quando o amor vos fizer sinal, segui-o;
ainda que os seus caminhos sejam duros e difíceis.
E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos;
ainda que a espada escondida na sua plumagem
vos possa ferir.

E quando vos falar, acreditai nele;
apesar de a sua voz
poder quebrar os vossos sonhos
como o vento norte ao sacudir os jardins.

Porque assim como o vosso amor
vos engrandece, também deve crucificar-vos
E assim como se eleva à vossa altura
e acaricia os ramos mais frágeis
que tremem ao sol,
também penetrará até às raízes
sacudindo o seu apego à terra.

Como braçadas de trigo vos leva.
Malha-vos até ficardes nus.
Passa-vos pelo crivo
para vos livrar do joio.
Mói-vos até à brancura.
Amassa-vos até ficardes maleáveis.

Então entrega-vos ao seu fogo,
para poderdes ser
o pão sagrado no festim de Deus.

Tudo isto vos fará o amor,
para poderdes conhecer os segredos
do vosso coração,
e por este conhecimento vos tornardes
o coração da Vida.

Mas, se no vosso medo,
buscais apenas a paz do amor,
o prazer do amor,
então mais vale cobrir a nudez
e sair do campo do amor,
a caminho do mundo sem estações,
onde podereis rir,
mas nunca todos os vossos risos,
e chorar,
mas nunca todas as vossas lágrimas.

O amor só dá de si mesmo,
e só recebe de si mesmo.

O amor não possui
nem quer ser possuído.

Porque o amor basta ao amor.

E não penseis
que podeis guiar o curso do amor;
porque o amor, se vos escolher,
marcará ele o vosso curso.

O amor não tem outro desejo
senão consumar-se.

Mas se amarem e tiverem desejos,
deverão se estes:
Fundir-se e ser um regato corrente
a cantar a sua melodia à noite.

Conhecer a dor da excessiva ternura.
Ser ferido pela própria inteligência do amor,
e sangrar de bom grado e alegremente.

Acordar de manhã com o coração cheio
e agradecer outro dia de amor.

Descansar ao meio dia
e meditar no êxtase do amor.

Voltar a casa ao crepúsculo
e adormecer tendo no coração
uma prece pelo bem amado,
e na boca, um canto de louvor.

Khalil Gibran

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Ainda ontem pensava que não era

Ainda ontem pensava que não era
mais do que um fragmento trémulo sem ritmo
na esfera da vida.
Hoje sei que sou eu a esfera,
e a vida inteira em fragmentos rítmicos move-se em mim.

Eles dizem-me no seu despertar:
" Tu e o mundo em que vives não passais de um grão de areia
sobre a margem infinita
de um mar infinito."

E no meu sonho eu respondo-lhes:

"Eu sou o mar infinito,
e todos os mundos não passam de grãos de areia
sobre a minha margem."

Só uma vez fiquei mudo.
Foi quando um homem me perguntou:
"Quem és tu?"

Kahlil Gibran

FONTE: Para ler e pensar.

Abaixo, um texto de Kahlil Gribran, declamado por Letícia Sabatella com música de Marcos Viana.


Para ler "O profeta", obra-prima de Kahlil Gibran, clique aqui.

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Incomparável extravagância de Cony vence o lugar-comum


MARCELO COELHO
COLUNISTA DA FOLHA

Carlos Heitor Cony reúne neste livro textos mais longos do que os que normalmente se publicam nos jornais de hoje. Alguns deles, como as apresentações que fez para o "Fausto", de Goethe, ou para "O Fenômeno Humano", de Teilhard de Chardin, já apareceram na série "As Obras-primas que Poucos Leram".

Tratava-se de memorável iniciativa da revista "Manchete" na década de 1970, que contou com a colaboração, por exemplo, de Otto Maria Carpeaux, Raymundo Magalhães Jr. e Ruy Castro.

Em quatro tomos, esse trabalho coletivo de divulgação literária foi reeditado pela Record há alguns anos.

Para este volume, Cony selecionou artigos sobre Machado de Assis, Guimarães Rosa, Victor Hugo, Tomás de Aquino e vários outros, ao lado um estudo sobre Carlitos, que ocupa mais ou menos a metade de toda a coleção.

Escrever sobre figuras desse porte traz o risco do lugar-comum. Na época da publicação desses textos, Carlos Heitor Cony ainda refreava um pouco a própria e incomparável extravagância, que tanto cativa os leitores de suas crônicas na Folha hoje.

Seu ensaio sobre Charles Chaplin, para o "Jornal do Brasil", revela um autor preocupado em seguir, ainda que de longe, as convenções do trabalho acadêmico.

"Quem era Chaplin?", pergunta-se Cony. "Um simples cômico? Um filósofo primitivo? Um agitador social? Um comunista?"

O autor continua, com um formalismo que não nos habituamos a reconhecer em suas páginas: "propomos, neste ensaio, uma interpretação aproximativa: a análise do personagem, do mito e de seu processo, complementada por uma breve sinopse biográfica, filmografia comentada e tanto quanto possível atualizada".

TRÁGICO

Cony se desincumbe da tarefa com paciência e método. Felizmente para o leitor, entretanto, sua impaciência e seus caprichos logo se manifestam, e a comparação brilhante, a ideia súbita, o detalhe bizarro vencem a convencionalidade jornalística.

É assim que, comparando Carlitos a Dom Quixote, o autor sustenta que, de ambos, Carlitos é o mais trágico.

O personagem de Cervantes poderia enganar-se, pensando ser um frango assado o que nada mais era do que uma bota sobre a mesa. Logo a ilusão se desfaria, diz Cony, e Dom Quixote reconheceria que a bota não passava de uma bota.

Já no filme "Em Busca do Ouro", Carlitos bem sabe que a bota é uma bota — e "quer mesmo comer a bota, a fome e a miséria juntas não lhe dão outra alternativa".

A desilusão, ou melhor, o convívio com o absurdo, marcam a atitude de Cony.

A isso se soma o humor carioca, que o faz lembrar, por exemplo, que alguns autores atribuíram o declínio de Roma ao excesso de banho morno.

Humor, apenas? Talvez mais: a parte da loucura em Chaplin e Cervantes, ou em Fellini e Mark Twain, encontra em Cony alguém capaz de sentir vivamente o seu sabor.


Para ler mais informações sobre a obra, clique aqui.



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