Há 121 anos nascia J.R.R. Tolkien

Há 121 anos nascia J.R.R. Tolkien.

Em uma famosa palestra proferida por J. R. R. Tolkien na Academia Britânica, como parte de seu trabalho como titular de linguagem anglo-saxã e literatura na Universidade de Oxford, ele fez uma analogia: um fazendeiro inglês descobre uma antiga ruína em sua propriedade e usa as pedras para construir uma torre. Embora os filhos fiquem zangados com ele por ter destruído a ruína, Tolkien diz que, se tivessem subido ao alto da torre, teriam percebido que, daquela nova perspectiva, o fazendeiro agora era capaz de enxergar o mar. Tolkien usa essa imagem para falar sobre as camadas de cristianismo e paganismo no antigo poema inglês Beowulf (cerca de 700-1000). Mas a analogia também funciona para caracterizar o emprego, pelo próprio Tolkien, de uma mitologia já existente na criação de uma adorada série de romances, O Hobbit (romance publicado em 1937) e sua sequência, a trilogia O Senhor dos Anéis (dividido em A Sociedade do Anel, publicado em 1954, As Duas Torres, publicado também em 1954, e O Retorno do Rei, publicado em 1955). 

Como muitos estudantes que debruçaram-se sobre a mais antiga obra de literatura britânica, Tolkien também lamentava a sobrevivência de apenas alguns vestígios das primeiras tradições anglo-saxãs e célticas, após séculos de conquista e da chegada do catolicismo romano. Em vez de se contentar com as ruínas, ele partiu para construir sua própria torre. O mundo dos romances de Tolkien começa pequeno e seus hobbits são uma suave sátira da vida tranquila e sem graça das cidadezinhas inglesas. Entretanto, não se passa muito tempo em suas aventuras para que uma forma épica, mais ampla, entre a cena, e logo os leitores começaram a acompanhar atentamente os detalhados mapas que aparecem no início de cada volume. Os romances estão impregnados de nostalgia no passado, porém possuem uma tristeza madura que falta às hordas de imitadores que praticamente constituíram um gênero à parte. Tolkien pode ter erguido uma torre, todavia, não esqueceu-se das perdas que permitiram sua construção.

FONTE: 501 grandes escritores, Editora Sextante.

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